Mortágua vai ter recolha de biorresíduos alimentares a partir do mês de Janeiro
Decorreu ontem o lançamento da iniciativa de recolha de biorresíduos alimentares no concelho de Mortágua. Trata-se de um novo serviço público, totalmente gratuito, criado e disponibilizado pela Associação de Municipios do Planalto Beirão (AMRPB), abrangendo nesta fase o comércio local e serviços, designadamente Restaurantes, Bares, mini-mercados, frutarias, cantinas escolares e Instituições Particulares de Solidariedade Social.
O serviço de recolha porta-a-porta de biorresíduos alimentares integra-se numa estratégia de valorização destes resíduos, que tem como lema “Sou Resto, mas ainda Presto!”.
Até ao momento contabilizam-se 30 produtores de biorresíduos do concelho de Mortágua que aderiram a este novo serviço.
A partir do dia 5 de janeiro irá iniciar-se a distribuição dos contentores, com diferentes capacidades (120 kg, 80 kg, 40 kg e 10 kg), adequadas à dimensão de cada aderente e à sua produção de biorresíduos alimentares. A recolha será feita três vezes por semana, iniciando-se no dia 12 de Janeiro.
Os biorresíduos alimentares são resíduos biodegradáveis produzidos através da preparação das refeições e sobras de alimentos, como as cascas de legumes e frutas, restos de carne ou peixe, borras de café, restos de pão e bolos.
Este projeto pioneiro do Planalto Beirão faz a separação e reciclagem dos biorresíduos e a sua valorização, promovendo a chamada economia circular. Os biorresíduos recolhidos vão ser encaminhados para a Central de Compostagem do Planalto Beirão, dando origem a um composto, denominado “planaltus”, que pode depois ser utilizado como fertilizante dos solos agrícolas e florestais, espaços verdes.
O Secretário Executivo da AMRPB, José Portela, referiu que atualmente os biorresíduos representam cerca de 40% do total dos resíduos produzidos na área do Planalto Beirão, indo na sua grande maioria para o chamado lixo indiferenciado, ao contrário do que acontece com o vidro, o cartão, os plásticos, os metais. Felicitou Mortágua por ser um dos concelhos do Planalto Beirão com mais elevada taxa de separação de resíduos para reciclagem, um indicador de que há uma forte consciência ecológica na comunidade.
O objetivo, disse, é alargar este serviço e criar gradualmente um circuito de captação destes biorresíduos, ganhando mais escala e dinâmica, seguindo o caminho que já se faz atualmente com a recolha do vidro para reciclagem.
O Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, Ricardo Pardal, salientou a mais valia deste projeto-piloto, “que possibilita, por um lado, a valorização dos resíduos e a redução do seu depósito em aterro, e por outro lado, permite também reduzir, por essa via, os encargos inerentes para o Município”. “Estes biorresíduos estão atualmente a ser depositados nos contentores normais de RSU e que levam a que a fatura de recolha, tratamento e depósito em aterro fique cada vez mais onerosa para os municípios, que são quem suporta grande parte do custo daquilo que é a recolha, transporte e tratamento dos resíduos sólidos urbanos”.
Atualmente esse custo para o Município é de 35 euros por tonelada, informou, mas a perspetiva é que a Taxa Geral de Resíduos por tonelada depositada em aterro possa vir quase a duplicar até 2030, sublinhando a importância de se produzir menos lixo e de o separar seletivamente, permitindo a sua valorização e o retorno económico do investimento que é feito.
“Essa separação dos resíduos é que nos permite avançar com estes projetos pioneiros, que não têm custos para os utilizadores aderentes, porque estão a ser suportados por aquilo que é a valorização dos resíduos que são separados a montante pelas pessoas”, referiu. Lembrou que a Câmara Municipal, no mandato cessante, fez várias distribuições de contentores para compostagem. “Distribuímos cerca de 300 biocompostores pela população, a expensas do Município, e a adesão dos nossos munícipes foi extraordinária”.
A AMRPB disponibiliza também à população, de forma gratuita, um serviço de recolha porta-a-porta dos denominados “monos”, e outros resíduos de grande volume, como eletrodomésticos, material eletrónico, colchões, sofás, tapetes, carpetes, móveis, entre outros, que pela sua tipologia e dimensão não podem ser recolhidos pelos meios normais. Para o efeito os interessados devem agendar o dia e hora da recolha através do número verde 800 209 316. O prazo de recolha destes resíduos é de no máximo 7 dias úteis após o pedido ser efetuado.
Ricardo Pardal lembra que “há metas a atingir nos próximos anos e só as conseguiremos atingir, incrementando este tipo de recolha seletiva e valorizando tudo o que é possível de valorizar. Temos esse compromisso e queremos continuar no pelotão da frente da recolha seletiva no território da AMRPB. Nunca é demais sensibilizar todos para a utilização dos Ecopontos, do Ecocentro, para a separação dos resíduos, para a compostagem, contribuindo para um Ambiente mais saudável e sustentável”, concluiu.
Os interessados em aderir à recolha de biorresíduos alimentares podem contactar o Planalto Beirão.
Tlf.232 870 020; número verde: 800 209 316

