Marmeleira – Núcleo Raízes e Memórias celebrou a República recriando a “Festa da Instrução” realizada há 114 anos na aldeia
O Raízes e Memórias – Núcleo Museológico da Irmânia levou a feito no passado dia 5 de outubro (dia da implantação da República), a recriação da “Festa da Instrução” realizada na aldeia da Marmeleira há precisamente 114 anos. Nesse ano, os republicanos que formaram o Centro Democrático de Educação Popular, organizaram uma festa para angariar fundos para a Biblioteca. A esse evento chamaram “Festa da Instrução”, em que houve música, dança e outras atividades.
O programa iniciou com uma palestra intitulada “Da Instrução à Educação”, pelo médico e professor jubilado Américo Figueiredo, que elucidou sobre a evolução histórica e o enquadramento social, político e cultural dos dois conceitos, até aos nossos dias.
O dia ficou ainda marcado pela homenagem ao professor António Ferreira, com a colocação de uma placa com o seu nome na antiga escola primária onde lecionou (hoje integrada no Núcleo Museológico) e pela inauguração do anfiteatro natural que a partir de agora vai servir de palco para diferentes eventos culturais. Coube ao quarteto de saxofones de Coimbra - Sax Emsembe, inaugurar este novo espaço de cultura.
O programa contemplou ainda um jantar tradicional - papas e sardinha assada, animação com o grupo de gaiteiras “Trigainas”, e uma descamisada à moda antiga, entre danças e cantigas.
A Marmeleira foi terra de republicanos que lutaram pela liberdade e pela democracia, destacando-se os nomes dos irmãos António Lopes Araújo, Serafim Lopes Pereira e Basílio Lopes Pereira. Os dois primeiros foram deportados pelo regime do Estado Novo para Timor, e Basílio Lopes Pereira enviado para o Tarrafal (Cabo Verde), como presos políticos, devido à sua ação oposicionista à ditadura fascista.
No Núcleo Museológico, duas salas são dedicadas à República, às figuras republicanas do concelho e aos ideais republicanos. Entre esses ideais e desígnio estava a Educação e a democratização do acesso à Educação, que acreditavam ser o caminho para o progresso e para uma sociedade mais justa, informada e esclarecida.
No início do século XX, Mortágua era considerada “a terra mais republicana da Beira Alta” e um dos dois únicos centros republicanos do distrito de Viseu estava situado na Marmeleira. Hoje classificada como “Aldeia de Portugal”, a Marmeleira distingue-se pelo seu património, pela sua cultura, e pela sua matriz “de combate pelos ideais da República, da Liberdade e da Democracia”.

