Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Exposição “O Legado de um Cravo” patente no Centro de Animação Cultural
Está patente ao público no Centro de Animação Cultural a Exposição “O Legado de um Cravo”, cedida pelo Museu do Aljube – Resistência e Liberdade. A presença desta exposição itinerante está inserida no programa das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril que o Município de Mortágua está a promover e que tiveram início no mês de março. Esta é a quarta exposição alusiva ao 25 de Abril, sendo que no próximo mês de novembro será inaugurada outra exposição, também da autoria do Museu do Aljube, intitulada “Mulheres e Resistência”.
A presente exposição é constituída por 11 painéis e pretende colocar sob os holofotes o período histórico desde a instauração da ditadura até à Constituição de 1976.
Alguns deles retratam as características da ditadura do Estado Novo e respetivos mecanismos de repressão, e esclarecem o contraste entre a “escuridão” que se vivia em Portugal e as “luzes” que apareciam no contexto internacional, com Portugal à margem das transformações sociais e culturais que ocorriam noutros países europeus, mantendo-se isolado e fechado sobre si mesmo.
Num dos painéis é possível comparar a situação no país nos anos 60 e 70, e a evolução de 1974 até aos nossos dias, em indicadores como Educação, Saúde, Proteção Social, Demografia, Habitação, Mercado de Trabalho, e constatar as mudanças significativas no bem-estar e qualidade de vida dos portugueses desde a instauração do regime democrático. A título de exemplo, em 1960 a taxa de analfabetismo nos homens era de 26,6% e nas mulheres de 39%. Em 2021 esses valores cifravam-se em 2,1% e 4%, respetivamente. A esperança de vida era de 60,7 anos para os homens e de 66,4 para as mulheres; em 2021 esses valores eram de 78,1 para os homens e de 83,3 para as mulheres. Em 1960 apenas 47,4% das casas tinham água canalizada e 32,3% tinham instalações sanitárias. Em 2021 esses valores eram de 99,4% e 99,1%, respetivamente.
Através deste conjunto de painéis são focados vários aspetos, como sejam relembrar todas as liberdades que estiveram reprimidas durante cinco décadas do Estado Novo; demonstrar que 48 anos de ditadura representaram atraso, miséria e ausência de liberdades e direitos fundamentais; preservar e partilhar a memória de todas e todos a os que, em situação de clandestinidade e repressão, lutaram pela defesa da liberdade - os heróis e heroínas da democracia; sublinhar a importância da participação popular durante o processo revolucionário, especialmente ao nível da consolidação das mudanças e da superação às resistências que foram encontradas pelo caminho, e sensibilizar a sociedade para estar em permanente alerta face às ameaças à democracia, concebendo esta mesma como uma prática e não como uma realidade garantida.
A Liberdade e a Democracia são um legado que devemos preservar e cultivar no dia-a-dia, “porque quem dorme na sombra da democracia pode acordar em ditadura”, submetidos ao populismo e a regimes políticos profundamente injustos que restringem as liberdades e os direitos humanos fundamentais, como vemos em vários países.
Para além dos textos e das imagens que aparecem nesta exposição, os códigos de QR espalhados pelos painéis dão acesso a um conjunto de recurso multimédia (vídeos, áudios, simulações em 3D, jogos, galerias de imagens etc), que enriquecem a informação sobre este período e proporcionam uma experiência dinâmica e interativa.
O cravo tornou-se a flor-símbolo da Revolução, num ícone da liberdade e da democracia. “Que floresçam sempre novos cravos, numa constante ode à Liberdade”.
A exposição pode ser visitada até ao dia 24 de outubro no seguinte horário:
Segunda a Sexta-Feira: das 9h00 -12h30 e 14h00 às 17h30
Sábados e Domingos: das 20h30 às 22h00

