Comemoração dos 75 anos da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua
Comemoração dos 75 anos da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua
A Santa Casa da Misericórdia de Mortágua está a celebrar 75 anos de vida a servir a população, a cuidar e a prestar serviços na área social que expressam a prática das 14 Obras de Misericórdia (as Sete Obras Corporais e as Sete Obras Espirituais) criadas há mais de 500 anos por iniciativa da Rainha D. Leonor, e que continuam atuais, embora atualizadas face à evolução da sociedade.
A comemoração da efeméride iniciou-se no passado dia 8 com uma Missa na Capela da Misericórdia celebrada pelo Pároco do Arciprestado de Mortágua, Pª Correia Alves, seguida de uma Sessão Solene que teve lugar no Centro de Animação Cultural, na qual usaram da palavra a Secretária de Estado para a Inclusão, Dra. Ana Sofia Antunes, o Presidente da Câmara Municipal, Ricardo Pardal, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, Vítor Fernandes, o Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia, Urbano Marques, e em representação da União das Misericórdias Portuguesas, José Júlio Norte.
Estiveram ainda presentes Deputados do Círculo de Viseu, Presidente da Assembleia Municipal, Vereadores, Presidentes de Junta de Freguesia, representante da CCDRC, Diretora da Segurança Social de Viseu, Instituições Locais, IPSS de concelhos vizinhos, além de membros dos Órgãos Sociais, Técnicas, Colaboradores e Irmãos da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, e demais Mortaguenses que associaram-se ao ato.
O Presidente da Assembleia Geral da Santa Casa, Urbano Marques, agradeceu a presença da Secretária de Estado e demais entidades oficiais ali presentes, e deixou um voto de louvor e agradecimento a todas as Mesas Administrativas que passaram pela instituição, desde a fundação até à atualidade.
Júlio Norte, em representação da União das Misericórdias Portuguesas, recordou o grupo de “homens bons e solidários” que em 1948 se juntaram em torno de uma causa e que são os grandes responsáveis pela existência da Santa Casa. Destacou a intervenção social da instituição junto da comunidade ao longo destes 75 anos, um exemplo de abnegação, coragem, resiliência, entrega à causa pública, acreditando e tendo esperança numa melhor qualidade de vida dos seus utentes e dos mais desfavorecidos.
O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, Vítor Fernandes, deu enfâse à questão do envelhecimento da população e à situação da 3ª Idade na sua fase dependente, dizendo: “isto vem levantar vários problemas, por muito que se invista no envelhecimento ativo, haverá sempre um momento em que temos de pensar no envelhecimento dependente e na necessidade de prestar cuidados”.
É nesse quadro que surge agora o objetivo de construção de uma nova ERPI (Estrutura Residencial de Apoio a Idosos), em vez da ampliação da existente, que dê resposta às necessidades atuais e futuras de internamento em Lar. “Resta-nos arranjar arte e engenho para a construção do novo Lar, onde seja possível coexistirem dementes, terminais físico psíquicos e sociais”, afirmou, adiantando que a Instituição iniciou negociações com um particular para a compra de um terreno. A Instituição, informou, também lançou concurso para a remodelação do CACI – Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão, instalado na antiga escola de Vila Meã.
O Presidente da Câmara Municipal, Ricardo Pardal, referiu que mais do que uma data histórica, neste dia celebra-se a dedicação de todos aqueles que voluntariamente (pro bono) dão o melhor de si para que a Santa Casa tenha as respostas sociais que hoje disponibiliza à população, seja para os idosos, os deficientes, as crianças, deixando palavras de agradecimento e reconhecimento aos Órgãos Sociais e Funcionários da Instituição.
Referiu as parcerias e o trabalho em rede entre a Câmara Municipal e a Santa Casa, que permitiu criar respostas diferenciadoras, como a criação do Lar Residencial e Centro de Atividades Ocupacionais, a Creche, ou mais recentemente o desenvolvimento do projeto CLDS4G, também muito orientado para o apoio à população idosa. Ainda no âmbito das parcerias, salientou ainda o contrato de direito de superfície celebrado com a Santa Casa para a gestão do Centro de Dia de Vila Moinhos e o CACI instalado na Escola de Vila Meã, dois espaços cedidos pelo Município para o desenvolvimento das valências da Instituição.
Projetando o futuro, concordou com a necessidade de se avançar para a construção de um novo Lar, eventualmente através de um projeto por fases, dando resposta inicial ao que é premente e potenciando a curto prazo a sua expansão, se assim se justificar, e dotando esse novo equipamento das melhores condições de resposta ao nível da valência lar.
Referiu também a necessidade de criação de uma resposta para a questão específica da demência, defendendo que essa resposta deve ser pensada e desenvolvida num âmbito regional, abrangendo os 19 municipios da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.
A elaboração de uma nova Carta Social que permita a identificação concreta e atualizada das necessidades a nível de cada freguesia, e adequar as respostas às necessidades existentes, foi outra ação que considerou prioritária.
No final, agradeceu a dedicação e o esforço de todos e de todas que trabalham na Instituição, e deixou a garantia de que “a Câmara Municipal estará sempre disponível para colaborar, para apoiar a Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, não só financeiramente, mas em tudo o que estiver ao nosso alcance, para que em conjunto consigamos dar as respostas que se exigem no nosso território”, afirmou.
A Secretária de Estado para a Inclusão, Ana Sofia Antunes, começou por dizer que Mortágua é uma comunidade que lhe é próxima, lembrando que desde há longos anos está intimamente ligada ao percurso da Associação Beira Aguieira e a da Escola de Cães-Guia para Cegos de Mortágua.
Relativamente à inauguração da nova Residência de Autonomização e Inclusão, referiu que esse é o caminho a seguir, apostando na criação de residências com mais autonomia, mais independência, para as pessoas com deficiência, sem pôr em causa a continuidade da existência de lares residenciais.
Quanto ao projeto de ampliação da ERPI, esclareceu que foram recebidas muitas mais candidaturas do que aquelas que foi possível apoiar, sendo que a última candidatura apoiada tinha uma pontuação de 81 pontos em 100. Deixou no entanto uma palavra de estímulo, esclarecendo que existem vários programas que podem ser aproveitados, nomeadamente no PT 20-30 e nas Respostas Sociais Inovadoras, sendo importante ter, pelo menos, um projeto de arquitetura para lançar a essas mesmas candidaturas.
Lançamento da 1ª pedra da nova Residência Autónoma
No final da cerimónia, a Secretária de Estado para a Inclusão procedeu ao lançamento da 1ª pedra da nova Residência Autónoma (a segunda a ser construída), que terá capacidade para alojar 5 pessoas, à semelhança da já existente. Estas residências destinam-se a pessoas com deficiência mas que possuem capacidade de vida autónoma. A obra já foi adjudicada e deverá iniciar-se até ao final do corrente ano.

