Biblioteca Municipal acolheu apresentação do livro “Mas Santo Porquê? Tomás da Fonseca e a Polémica Coimbrã sobre Nuno Álvares Pereira”
Decorreu no passado dia 13, na Biblioteca Municipal Branquinho da Fonseca, a apresentação da obra “Mas Santo Porquê? Tomás da Fonseca e a Polémica Coimbrã sobre Nuno Álvares Pereira”, da autoria do Professor Doutor Luís Filipe Torgal.
Dezenas de pessoas marcaram presença no evento, mortaguenses e muitas pessoas oriundas de concelhos da nossa região, confirmando-se que Tomás da Fonseca é um escritor redescoberto e cada vez mais alvo de conhecimento, a que muito se deve a dedicação e o estudo do Professor Luís Filipe Torgal.
Entre o público encontravam-se familiares de Tomás da Fonseca.
A apresentação da obra esteve a cargo da Professora Doutora Clara Isabel Serrano, doutorada em Altos Estudos Contemporâneos e Estudos Internacionais Comparativos pela Universidade de Coimbra, e atualmente a exercer docência na Universidade Nova de Lisboa.
A publicação do livro, promovida pelo Grupo de Arqueologia e Arte do Centro (GAAC) e pela editora Lema d`Origem, teve como ponto de partida uma conferência promovida pelo GAAC, em junho de 2025, proferida por Luís Filipe Torgal, sobre a polémica em torno do «Santo Condestável» sustentada por Tomás da Fonseca (1877-1968) e que mostra a sua coragem e as suas arreigadas convicções, desde logo o pensamento laicista e anticlerical do escritor, político e pedagogo, natural de Mortágua.
O texto revisita a história de três dessas conferências apresentadas em Coimbra por Tomás das Fonseca sobre Nuno Álvares Pereira (1360-1431), organizadas pela Universidade Livre de Coimbra e por setores liberais.
Tomás da Fonseca foi um dos fundadores da Universidade Livre de Coimbra (Instituto de Educação Popular) e seu colaborador assíduo. A Universidade Livre de Coimbra foi fundada em 5 de fevereiro de 1925, tendo organizado centenas de conferências públicas sobre os mais diversos temas e constituído um fórum de debate de ideias.
Nas referidas conferências Tomás da Fonseca manifestou a sua interpretação oposta à sacralização da figura de Nuno Álvares Pereira, recusando a beatificação do Condestável (ocorrida em 1918), que se sobrepunha à imagem do herói militar que se destacou na Batalha de Aljubarrota. Essa sua visão do Condestável, mais laica e profana, viria a ganhar forma no opúsculo “O Santo Condestável – Alegações do Cardeal Diabo”(1932), e no livro “A Igreja e o Condestável“(1933). Nessas obras questiona a narrativa hagiográfica oficial, expondo tanto as virtudes como as sombras do Condestável, recorrendo a crónicas e arquivos históricos, e posiciona Tomás da Fonseca como crítico da instrumentalização religiosa e política da memória histórica.
Luís Filipe Torgal é Professor, Mestre em História Económica e social Contemporânea, e doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra. Tem sido um estudioso da vida e obra de Tomás da Fonseca (1877-1968), sendo autor da primeira biografia sistemática sobre o escritor mortaguense.
Presente na sessão, o Presidente da Câmara Municipal, Ricardo Pardal, agradeceu ao Professor Doutor Luís Filipe Torgal mais este trabalho de estudo sobre Tomás da Fonseca e o contributo que tem dado com as obras por si publicadas e outras iniciativas, como a colaboração na reedição de outras obras de Tomás da Fonseca, para reabilitar a memória e o interesse do público à volta do escritor mortaguense, personalidade marcante na defesa da Educação, Cultura, Liberdade e Democracia, a nível local e nacional, num tempo dominado pela censura e opressão do Estado Novo. “ É de uma enorme atualidade e premência lutarmos por estes ideais que Tomás da Fonseca fez lema de vida”, afirmou.
Deixou também um agradecimento à Professora Doutora Clara Serrano, pela sua brilhante apresentação, e ao GAAC, na pessoa da Dra. Isabel Paiva e do Dr. João Paulo de Almeida e Sousa, nosso conterrâneo, por terem patrocinado a edição do livro.

