Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) promoveu workshop dedicado à Valorização dos Resíduos Urbanos
Realizou-se ontem no auditório da Associação de Municipios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) um Workshop dedicado à “Valorização de Resíduos Urbanos - por fluxos” (tipos diferenciados de resíduos).
A convite da AMRPB estiveram presentes Autarcas, Técnicos dos Municipios ligados às áreas do Ambiente, da Comunicação, entre outros participantes.
No período da manhã foram abordados dois painéis, o primeiro dos quais sobre a Valorização Orgânica dos Resíduos Urbanos. Neste painel foram abordados os temas “Recolha seletiva porta-a-porta de biorresíduos”, por Sofia Figueiredo e Maria Rodrigues (Ecobeirão); “Valorização Orgânica dos biorresíduos", por Nuno Sousa (Ecobeirão), e “Estratégias de Comunicação “, por Luís Abrantes (AMRPB).
O segundo painel focou-se na Valorização Multimaterial dos Resíduos Urbanos, tendo sido abordados os temas “Desafio das metas 2030”, por João Letras (Sociedade Ponto Verde), “O Desafio da Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos em Portugal”, por Ricardo Furtado (Electrão), e o “Sistema de gestão de frota”, por Fábio Madeira (Ecobeirão).
No período da tarde decorreu o terceiro painel, dedicado à Valorização Energética dos Resíduos Urbanos. Neste painel foram abordados a “Produção de Combustíveis derivados de resíduos”, por Manuela Dias (Ecobeirão) e a “Valorização Energética da fração resto de RU”, por José Portela (AMRPB).
Atualmente a Associação de Municipios da Região do Planalto Beirão faz recolha e tratamento seletivo de praticamente todo o tipo de fluxos. Além dos fluxos convencionais (papel/cartão, plástico, vidro, metais), possui uma Central de produção de combustíveis derivados de resíduos (CDR) que permite a valorização energética a partir da trituração e secagem da fração resto de tratamento de resíduos, e uma Central de tratamento de biorresíduos através da compostagem e afinação de resíduos urbanos biodegradáveis.
Além da recolha de óleos alimentares usados (nos oleões), recentemente iniciou também a recolha porta-a-porta de biorresíduos alimentares, para clientes domésticos e não domésticos (Restauração, hotelaria e similares). Desta recolha específica resulta a produção de um composto natural, denominado “planaltus”, que já possui rótulo e marca registada, e está em vias de ser certificado. Este composto pode ser usado como fertilizante natural nos campos, hortas, quintais.
Além do serviço de recolha pública nos ecopontos e ecocentros, a AMRPB faz também recolha porta-a-porta de resíduos volumosos (monstros), nomeadamente móveis, colchões, resíduos elétricos e eletrónicos, e de resíduos verdes (resultantes de podas, corte de relva). Os serviços de recolha porta-a-porta de biorresíduos alimentares, resíduos volumosos e biorresíduos verdes, são gratuitos.
Para breve está também prevista a implementação de um serviço de recolha seletiva de têxteis em fim de vida, sob gestão concessionada a um operador privado, promovendo o reencaminhamento para reciclagem.
A receção e tratamento dos RU não representa o destino final mas antes o início de um ciclo de valorização dos RU, dando nova vida aos resíduos, criando uma nova cadeia de valor através da reciclagem e reutilização dos mesmos, e dessa forma, poupando recursos, protegendo o Ambiente e o Planeta. Daí o lema da AMRPB de que “o fim é apenas um começo”.
A separação seletiva dos resíduos, feita a montante pelas pessoas, é fundamental em todo este processo, pois permite reduzir a deposição em aterro e evitar a sua saturação a médio prazo, e ao mesmo tempo promover a sua reciclagem e valorização.
A AMRPB vai assinalar 35 anos de existência em 2026, servindo atualmente 19 municipios e uma população total de mais de 300 mil habitantes. Além da ampliação do sistema de recolha seletiva, a AMRPB aposta na tecnologia, na inovação, nas modernas ferramentas digitais, com o objetivo de promover a eficiência, a eficácia, e um serviço adequado às necessidades atuais.
No final do workshop realizou-se uma visita guiada ao Centro de Tratamento de Resíduos Urbanos da AMRPB, que permitiu perceber todo o circuito de triagem dos vários resíduos até à ETAR que trata os lixiviados. Inaugurado em 1999, o Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos da AMRPB, situado em Borralhal, concelho de Tondela, é a unidade fulcral de todo o sistema. Aqui está situado o aterro sanitário, a unidade de tratamento mecânico e biológico e as linhas de triagem de resíduos de embalagens e de papel e cartão. Atualmente o Centro de Tratamento gere e trata cerca de 140.000 toneladas de resíduos/ano.
Esta iniciativa serviu para reforçar a ligação entre as autarquias e a AMRPB, e dar a conhecer as dinâmicas de valorização dos resíduos (multimaterial, orgânica e energética) no âmbito da atividade da AMRPB, promovendo a economia circular, um melhor Ambiente e um futuro mais sustentável.

