“A Lampantana é mais do que uma iguaria, é cultura, memória e identidade”
Realizou-se no passado 17 o VII Capítulo da Confraria da Lampantana. O dia capitular começou no Parque Verde da Ponte, com a receção às Confrarias e um pequeno-almoço tradicional, cuja ementa incluiu Sopa à Lavrador
pataniscas, sardinhas com capa, carapauzinhos, torresmos, queijos, Bolo de Cornos, filhós com mel, entre outros produtos locais.
Seguiu-se a cerimónia de entronização de novos Confrades Efetivos e Confrades de Honra, realizada no Centro de Animação Cultural. Na cerimónia marcaram presença várias confrarias do Centro, Norte e Sul do país, além dos membros da Confraria da Lampantana (Mortágua), Entidades Municipais, e o Vice-Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.
Os novos Confrades receberam os diplomas (títulos honoríficos) e prestaram juramento na defesa, preservação e promoção da Lampantana e das tradições gastronómicas do concelho.
Como Confrades de Honra foram entronizados a Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual/Escola de Cães-Guia de Mortágua e o Velo Clube do Centro.
Em representação da Confraria da Lampantana, Carlos Jorge, na qualidade de Caçoilo-Mor, deu a boas vindas às Confrarias representadas, agradecendo a sua presença “neste momento tão significativo para a nossa Confraria”.
Carlos Jorge lembrou que a Confraria foi fundada há 11 anos por um grupo de pessoas movidas pela vontade, pela paixão e pelo sonho de criar a Confraria, e com o propósito de “salvaguardar, valorizar e promover o significado histórico da Lampantana, bem como o seu interesse popular, turístico, cultural e económico”. Alicerçada na tradição, disse, “a nossa Confraria procura contribuir para que a saborosa história da Lampantana continue viva no futuro, em Mortágua, em Portugal e além-fronteiras”.
Lembrou que a Lampantana era tradicionalmente o prato com que as pessoas recebiam os convidados nas suas casas, bem como estava presente nas mais diversas celebrações. “Nos casamento, batizados, comunhões e nas festas religiosas, a Lampantana ocupava o seu lugar de honra à mesa, tanto nas casas mais abastadas como nas mais humildes”. Uma tradição que foi passando de geração em geração, até aos nossos dias, “preservando sabores e memórias e identidade, tornando-se uma marca distintiva da nossa terra”.
Deixou ainda um agradecimento ao Município de Mortágua, “pela disponibilidade, confiança e apoio permanente ao projeto desde o primeiro momento”.
José Luís Araújo, Vice-Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, referiu que um dos objetivos do atual Conselho Diretivo daquele organismo, que tomou posse há cerca de um mês, é reforçar a comunicação e a proximidade com as Confrarias, e nesse sentido, adiantou que está prevista uma reunião em breve com as Confrarias do distrito de Viseu.
Em nome do Município, o Presidente da Câmara Municipal, Ricardo Pardal, que é também membro da Confraria desde a sua fundação, saudou todas as Confrarias representadas e confrades presentes.
Felicitou os novos Confrades entronizados, dirigindo uma palavra especial para os novos Confrades de Honra, afirmando que “são duas Associações que levam o nome e a marca Mortágua pelo país fora e estrangeiro, são verdadeiramente dois embaixadores do concelho”. “É também assim, com estes contributos, que Mortágua cresce e se afirma no contexto regional, nacional e internacional”, sustentou.
Ricardo Pardal referiu que a Lampantana é mais do que uma iguaria, “representa a nossa cultura, as nossas tradições, a nossa forma de estar e de receber, e acima de tudo, a nossa identidade. A nossa identidade à mesa com outras iguarias que fazem parte do nosso património gastronómico, e que que devemos preservar, passando este legado ancestral às gerações vindouras”.
As intervenções foram intercaladas com vários momentos musicais (canto lírico e popular), a cargo do jovem mortaguense Tomás Ferreira.
Após a cerimónia protocolar, as Confrarias desfilaram pelas ruas da Vila, sendo acompanhadas por um grupo de executantes da Filarmónica de Mortágua. O desfile terminou na Praça do Município, com a tradicional foto de família na escadaria dos Paços do Concelho. Seguiu-se depois o almoço, onde todos os confrades foram convidados a degustar a Lampantana e outras iguarias do nosso concelho.
Sendo um evento gastronómico por excelência, estes Capítulos reforçam ainda a confraternização e a amizade entre terras e povos, e a importância de preservar o nosso rico património cultural e gastronómico.

