50 anos do 25 de abril: Exposição destaca contributo das mulheres que lutaram pela liberdade e pelos seus direitos
No Centro de Animação Cultural está patente a Exposição itinerante “Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e Outras Lutas”, organizada pelo Museu do Aljube. Esta é mais uma iniciativa inserida no programa das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, promovido pelo Município de Mortágua.
A Exposição destaca o papel das mulheres na resistência à Ditadura e o caso singular de três mulheres, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho Costa, autoras do livro “Novas Cartas Portuguesas” publicadas por Natália Correia em 1972. As três autoras foram alvo de um processo criminal, que ficou conhecido pelo processo das “Três Marias”, e o livro censurado e recolhido por ter alegadamente “conteúdo insanavelmente pornográfico e atentório da moral pública”. O julgamento, um verdadeiro processo político, atraiu a atenção da Imprensa Estrangeira, Movimentos Feministas e do International Pen-Club (Associação de Escritores).
A Ditadura agravou todas as formas de opressão e exploração das mulheres, restringindo direitos e impondo limitações, por lei, a que acresciam as que eram determinadas pelos hábitos e convicções sociais dominantes e pelos quadros ideológicos que enformavam o regime vigente e pela prática politica e social do mesmo regime. As mulheres não eram cidadãs de pleno direito.
Entre as mulheres que desafiaram o regime da Ditadura está uma mortaguense, Fernanda de Paiva Tomás, que enquanto estudante foi presa pela PIDE acusada de “atividades subversivas”, um expediente linguístico que era usado para acusar e prender os opositores ao regime. Foi condenada a 8 anos de prisão maior, 15 anos de suspensão de direitos políticos, e na medida de segurança de internamento, de 6 meses a 3 anos.
É também feita referência às lutas académicas (maio de 1968) e operárias (as mulheres recebiam muito menos que os homens pelo mesmo trabalho ou função).
Pode-se ainda ter acesso a testemunhos de mulheres que resistiram e lutaram pela liberdade, através de QR CODE.
Curioso é um excerto da revista “Menina e Moça”, de 1948, que traça uma descrição do que deve ser uma mulher ideal, destacando como qualidades a doce sujeição ao marido, falar pouco e não usar batom.
Esta Exposição pretende relevar o contributo de tantas mulheres que, com origens e percursos diferentes, inventaram e concretizaram batalhas pelos seus direitos, pela justiça social e pela liberdade, desde os anos 30 até ao 25 de Abril.
A Exposição pode ser visitada até ao dia 5 de dezembro.

