ACERT apresentou “Pessoa: O Grande Ausente”

Data: 2011-11-02
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


Espectáculo foi visto por mais de 300 pessoas, entre público escolar e público em geral

O Centro de Animação Cultural recebeu no passado dia 28 o espectáculo “Pessoa: O Grande Ausente”, apresentado pelo Trigo Limpo Teatro Acert. O espectáculo foi promovido pelo Município, no âmbito da sua programação cultural “Noites Quentes”.

O espectáculo apresenta uma dramatização de alguns poemas de Fernando Pessoa, mas refaz o seu universo interior ao inventar um novo lugar, uma nova situação e novas personagens para os interpretar. Com este espectáculo, que teve a sua estreia o ano passado, por ocasião do Centenário do nascimento de Fernando Pessoa, o Trigo Limpo Teatro Acert presta uma merecida e desconcertante homenagem a um dos mais importantes poetas mundiais, convidando-nos a revisitar a obra do poeta, não nos livros mas no palco.

O espectáculo teve duas sessões. À tarde houve uma apresentação especial para o público escolar, tendo em conta a temática do espectáculo, sendo a assistência constituída por 260 alunos do Agrupamento de Escolas de Mortágua, do 12º e 10ºanos, e por alunos da Disciplina de Teatro.
À noite o espectáculo destinou-se ao público em geral, registando-se a presença de cerca de 80 pessoas, o que perfaz um total de mais de 300 pessoas, no conjunto das duas sessões.

Uma noite de S. António, duas velhotas, um manequim de um homem e o Cais das Colunas, servem de enquadramento a uma noite de memórias em torno da obra de um dos mais consagrados autores da língua portuguesa.

Segundo nos referiu José Rui Martins, Director Artístico da Acert, o objectivo deste espectáculo “é partilhar a obra do escritor conseguindo montar no palco formatos dramáticos que permitem ao público também deleitar-se com a obra, saber que o livro pode ser o palco e que a leitura e o livro é essa caixa mágica povoada de palavras a que depois os actores podem dar uma vida diferente. O que nós desejamos é que as pessoas possam saborear estes textos e todo o imaginário teatral construído à sua volta, sem estar a olhar para o espectáculo naquela perspectiva de estarmos a trabalhar um grande vulto da literatura, mas antes como uma pessoa que está sempre ali no palco, a piscar-nos o olho. É este namoro com os escritores, não no sentido da idolatria, mas no sentido de o tornar familiar, mais humano e mais acessível a todo o tipo de público”.

O espectáculo foi idealizado para o público em geral, muito embora as escolas sejam um público-alvo pelo facto da obra do escritor ser tratada nas aulas. “Pode ser uma forma de mostrar aos alunos que Fernando Pessoa não é um “fóssil”, um escritor só para interpretar, mas é um escritor para saborear de uma forma natural e descontraída. Os alunos e professores devem vir para este espectáculo sem preocupações de didatismos, de interpretações eruditas”, refere.

Fernando Pessoa (1888-1935), é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. Considera-se que a grande criação estética de Pessoa foi a invenção heteronímica que atravessa toda a sua obra. Os heterónimos mais conhecidos (e também aqueles com maior obra poética) foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares, através dos quais Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade.











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