Mortágua comemorou Centenário da Implantação da República

Data: 2010-10-06
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


A data histórica do 5 de Outubro de 1910 foi assinalada em Mortágua com várias iniciativas, integradas no programa geral de comemoração do Centenário da República que o Município de Mortágua tem vindo a promover ao longo do corrente ano.
Um Sarau Cultural, denominado “Viva a República”, realizado na noite do dia 4, no Centro de Animação Cultural, foi a primeira dessas iniciativas. Cerca de centena e meia de pessoas assistiram a este evento, que contou com momentos de Poesia, Dança Contemporânea e Música. O Sarau abriu com a leitura de um texto do Historiador, Professor e Republicano mortaguense, José Lopes de Oliveira, proferido na conferência realizada no Centro Republicano de Viseu em 09/06/1907. É um texto que sintetiza bem os propósitos e ideais dos republicanos. (ver texto em caixa).
A Poesia esteve a cargo dos “Jograis do Atlântico”, formados por Edite Gil e Francisco Félix Machado, que declamaram poemas de diversos autores que nasceram ou viveram entre o período final da Monarquia e os primeiros anos da República. Escritores como Guerra Junqueiro, Antero de Quental, António Sardinha, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Jaime Cortesão ou mesmo escritores mortaguenses como Tomaz da Fonseca. Deste autor mortaguense foi lido um poema do seu livro “Os Desherdados”.
Segundo nos referiu Francisco Machado, a ideia do projecto “Poetas da República” não é declamar poemas sobre a República, até porque, esclarece, “nesta época não há muita produção poética sobre a temática da República. O combate político fazia-se sobretudo nos artigos de jornais, nas crónicas, nos comícios, na intervenção directa, no Parlamento”.
Seguiu-se a actuação da Companhia de Dança Contemporânea “Staccato”, sediada em Leiria e formada por jovens dançarinos. Surpreendeu ao apresentar coreografias sobre temas de fado, nomeadamente de Marisa e do grupo Xaile. A terminar o espectáculo actuou o “Grupo de Cordas Allegro”, de Coimbra, também formado por jovens com idades entre os 12 e os 30 anos. Este grupo foi criado a partir de uma escola de música e dedica-se a divulgar e preservar a música tocada por instrumentos de cordas, com destaque para o bandolim português.

Hino Nacional foi tocado na Praça do Município

No dia 5, dia oficial da Implantação da República, Feriado Nacional, realizaram-se os actos solenes na Praça do Município. Associando-se ao repto lançado pela Comissão Nacional das Comemorações do Centenário, a Filarmónica de Mortágua tocou o Hino Nacional, que foi acompanhado pelas vozes de três colectividades do concelho (Coral Juvenil Silvia Marques, Orfeão Polifónico e Agrupamento de Escuteiros), a que se juntou mais de uma centena de pessoas. Ao mesmo tempo que era entoada a “A Portuguesa”, procedeu-se à cerimónia do hastear da Bandeira Nacional e Bandeira do Município em frente aos Paços do Concelho. E gritou-se “Viva a República”, como naquele dia glorioso de 5 de Outubro de 1910, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

Inaugurada Exposição alusiva à República

De seguida o povo acompanhou a arruada da Filarmónica até ao Centro de Animação Cultural, onde seria inaugurada uma exposição de pintura alusiva à República. A exposição é constituída por trabalhos realizados por alunos e alunas que frequentam o atelier de pintura “Studio d`Arte i”, orientado por Izilda Martins. Ao todo são 25 pessoas, todas naturais de Mortágua, com idades que variam entre os 9 e os 78 anos. À excepção de duas alunas, todos os restantes são iniciantes na arte.
A maioria dos trabalhos retratam figuras republicanas de Mortágua. Há um trabalho curioso que evoca os festejos ocorridos junto à Casa Lobo no dia em que foi proclamada a República. A exposição surgiu de um convite da Biblioteca Municipal: “quando cheguei ao atelier e falei no assunto, a turma ficou um bocado assustada, porque era uma grande responsabilidade. Fomos trabalhando, fazendo pesquisas na Biblioteca e surgiram estes 22 trabalhos”, explicou-nos Izilda Martins. Sobre o resultado final, opinou. “Os comentários que ouvimos até agora foram muito positivos e para o nível em que estamos, que é de iniciação, acho que todos estão de parabéns”.

“Os nossos jovens sabem hoje que Mortágua foi uma grande terra republicana”
- destaca Presidente da Câmara, Afonso Abrantes

O Presidente da Câmara Municipal, Afonso Abrantes, que assistiu aos eventos comemorativos realizados nos dois dias, refere que estas iniciativas que estão a ser promovidas quer a nível local quer a nível nacional são um grande contributo para o conhecimento do que foi a República e das transformações que ela trouxe ao País em termos de liberdade, democracia e progresso.
Afonso Abrantes refere especialmente o impacto dessas iniciativas junto das escolas e dos jovens. “Houve um grande envolvimento e participação da comunidade escolar de Mortágua. Os nossos jovens sabem hoje que Mortágua foi e é o berço de notáveis republicanos, alguns deles com prestígio a nível nacional, e que Mortágua foi uma terra de grande tradição republicana”.
Nesse sentido, afirma: “a comemoração do Centenário da República ajudou a divulgar e a preservar uma parte importante da nossa história e identidade local, de que nos devemos orgulhar, porque não podemos esquecer que Mortágua foi apelidada à época de “vila mais republicana da Beira”.

Entre as iniciativas promovidas pelo Município, o Presidente da Câmara destaca a exposição “Sentir a Terra-Figuras Republicanas de Mortágua” e o lançamento do livro “Os Combates do Cidadão Manuel Ferreira Martins e Abreu”, associando a comemoração no Dia do Município ao Centenário da República, que tiveram também um grande impacto junto da população.



Dr. José Lopes de Oliveira - “A actual situação política”, conferência proferida no Centro Republicano de Viseu em 1907.
“É necessário ser intransigente perante os princípios e tolerante para com os homens.
A república há-de fazer-se não com um grupo, mas com a nação; Um grupo pode promove-la, mas a nação tem de aceita-la, e aceitá-la conscientemente.
Nos partidos monárquicos há muita gente transviada, há muita gente dormindo. É necessário orientar uns e acordar outros.
No mundo a liberdade avança gloriosamente. Até nações como a Pérsia e a China estão por ela despertando. O Japão tornou-se por ela um grande povo. A terra transfigurou-se.
Á liberdade nada pode opor-se.
Nós vamos muito distantes na marcha do progresso. Não chegámos ainda ao Constitucionalismo. É mister que no-lo dê a proclamação da Republica.
Apostolizemos. Fundemos escolas, promovamos o ensino, fomentemos a riqueza nacional. Trabalhemos, difundamos a luz.
E àqueles que de nós se aproximem, não lhe perguntemos de onde vêm, mas sim onde vão. Não repudiemos ninguém. Sejamos honestos, inquebrantavelmente dignos, e os nossos inimigos irão sendo vencidos pela força aliciante e irresistível da Verdade. Ela dissipará todos os ódios, - e brilhará na hora do nosso resgate, rompendo as trevas seculares, como o mais radiante sol.
E que a Republica seja o início da alvorada, da eterna aurora das consciências emancipadas, dos povos libertos, do homem soberano, da razão dominadora!
É na esperança de que o seja que o conferente, professando um mais amplo credo, por ela hoje apaixonadamente combate.













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