Debate no “Ciclo de Conversas”

Data: 2009-03-02
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


Exigências da vida moderna “tiram tempo para a família”

Realizou-se no passado dia 27 o primeiro encontro/debate inserido no “Ciclo de Conversas”, uma iniciativa da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Concelho de Mortágua. Cerca de 50 pessoas, entre Pais, Professores e Educadores, ouviram atentamente a Dra. Luisa Sequeira, a primeira oradora convidada do “Ciclo de Conversas”, que abordou o tema “comportamento gera comportamento”.

A Dra. Luisa Sequeira possui um extenso currículo ligado à área da educação. É Licenciada em Ciências da Educação, Assessora da Direcção Regional de Educação do Centro, membro da Direcção da Associação Nacional de Professores, Formadora de Professores/Auxiliares de Acção Educativa. Está ligada também a vários projectos, nomeadamente o Plano Nacional de Leitura.

Na sua intervenção a Dra. Luísa Sequeira começou por abordar as alterações verificadas entre a família tradicional e as novas famílias e como elas se repercutiram na educação, na escola, na sociedade.
Passámos a ter filhos de pais separados, famílias monoparentais, famílias em que o pai e a mãe trabalham em lugares distanciados ou um deles está ausente durante toda a semana ou meses. As famílias tornaram-se mais dinâmicas, instáveis; os filhos reclamam mais cedo a sua autonomia e independência. O papel de autoridade do pai praticamente desapareceu. Por outro lado, as famílias são hoje mais sociáveis, mais afectuosas, mais abertas à discussão.

Segundo Luísa Sequeira as exigências da vida profissional moderna deixa-nos pouco tempo e espaço para viver. E citou o escritor Óscar Wilde. “Viver é a coisa mais rara do mundo, a maior parte das pessoas apenas existe”. Para dizer com isso que na sociedade actual parecemo-nos cada vez mais autómatos, uma situação que gera sofrimento e desgasta todos (pais, professores e a sociedade em geral).
Pais e filhos comunicam pouco. “Cada criança vai para o seu quarto, o filho vai para a Internet, o pai fica na sala a ver futebol, conversa-se pouco, estão pouco tempo juntos”. Deixámos de estar preocupados porque arranjámos outras formas de ocupar o nosso tempo e não sobra nenhum tempo para os filhos.
Há pais que não sabem em que ano andam os filhos, não sabem onde fica a escola. O que se passa na família e na sociedade reflecte-se na escola.

Intervindo como moderador no debate, o Presidente da Câmara destacou os progressos registados na educação, a vários níveis, mas alertou para o risco que se corre de estar-se a “institucionalizar” as crianças, entregando-as à guarda de instituições desde pequeninas, ficando poucos momentos de convívio e partilha familiar. “Temos já crianças em idade pré-escolar a entrar às 7 da manhã e a saírem às 7 da noite e alguns Jardins de Infância a funcionarem 24 horas por dia”. Deixando no ar a pergunta: quando é que pais e filhos se encontram, quando é que eles conversam?”.
Tende-se assim a transferir para as instituições o que são responsabilidades familiares. Entrega-se o filho de manhã e vai-se buscá-lo à noite. O contacto com o ambiente familiar é muito reduzido, vão-se perdendo cada vez mais as referências familiares.

Segundo Afonso Abrantes, esta é uma questão que deve ser muito reflectida, afirmando que “é preciso que se pense nas famílias, porque algumas não têm de facto alternativas onde deixar os filhos, mas também que se pense nas crianças, nos filhos”.

Autoridade e afecto são duas palavras que podem e devem coexistir no seio familiar e na escola.
“É preciso explicar na escola como em casa que não vale tudo, que há regras. Ás vezes é preciso dizer “não” aos filhos e explicar-lhes porquê, e não tomar a atitude fácil que é dar-lhes tudo o que eles querem. Não é essa a melhor forma de educar”, enfatizou o Presidente da Câmara. Luísa Sequeira concorda: “Os pais não podem ser super-permissivos, é preciso responsabilizar os filhos”.
Parece consensual que temos que mudar alguma coisa, a começar nos Pais. Temos muito o hábito de dizer mal de tudo, de reclamar, de atirar culpas e arranjar desculpas, e não assumirmos a nossa quota de responsabilidade. Por outro lado, falamos pouco das boas experiências, dos bons exemplos, do esforço dos professores, e de como podemos nós mesmos melhorar a sociedade em que vivemos.

“É bom que se faça esta reflexão, porque a escola e o ensino estão a viver uma fase de grande transformação, e deixo o apelo a uma maior participação dos pais e educadores nestes encontros, porque o objectivo não é reflectir para os outros, mas sobretudo fazermos uma auto-reflexão. É saber que escola queremos ter, que família queremos ter, para onde estamos a ir”, referiu o Presidente da Câmara.

O próximo encontro/debate realiza-se no dia 20 de Março e terá como tema: “Os Perigos da Internet”.











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