Exposição mostra brinquedos e jogos “dos tempos dos avós”

Data: 2007-12-12
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


Na Escola Básica 2.3

Quem ainda se lembra do jogo do pião, da cabra-cega, das cinco pedrinhas, do rapa, da corrida de sacos, do arco, do chinquilho, da espeta, da bola de meias que substituía a bola a sério?
Dos carros de madeira em miniatura, do cavalo de pau, do carriboilo, do ciclista, do trapezista, das bonecas de trapos, do pequeno bombo ou pandeireta que se comprava nas feiras e romarias para o menino brincar?

Só os adultos e mais velhos se recordarão destes brinquedos e jogos que faziam parte das brincadeiras de infância de antigamente, praticados no pátio da escola, nas ruas, nos largos, que eram fonte de alegria, entusiasmo, convivência e amizade.

Pois são estes brinquedos e jogos de antanho que podem ser vistos numa interessante mostra que está patente na Escola Básica 2.3 de Mortágua, numa organização dos Professores de História e Geografia e de Educação Moral e Religiosa Católica. Os objectos expostos foram emprestados por professores, educadoras, auxiliares de acção educativa da escola, havendo alguns que vieram da Biblioteca Municipal de Tábua.

Estes brinquedos são verdadeiras preciosidades. Transportam em si arte, beleza, criatividade, história, património cultural, identidade dos povos, usos e costumes de uma época, em os brinquedos não se davam nem se compravam com a mesma facilidade de hoje.

Eram brinquedos elaborados de forma artesanal, com materiais muito simples, madeira, lata, trapos, coisas inúteis, que nas mãos das crianças ganhavam vida, sonho e fantasia. Estes brinquedos praticamente desapareceram da nossa vista, podendo encontrar-se apenas nalgumas feiras de artesanato ou entre coleccionadores.
Porventura ainda haverá alguém que os tenha esquecidos num sótão, lá em casa, ou guardados com muito carinho num armário.

A realidade é que hoje os brinquedos e as brincadeiras são diferentes, porque as necessidades das crianças e os tempos também são outros. O surgimento da televisão, primeiramente, e mais tarde do computador, da Internet, dos jogos informatizados, enfim, da aldeia global, mudaram completamente as nossas vidas e também a forma como as crianças passaram a ocupar os seus tempos livres e de lazer.

Na era das novas tecnologias, da electrónica e da robótica, os brinquedos falam, cantam, dançam, riem, choram, movem-se sozinhos. Imitam heróis da Televisão, do Cinema, do Desporto. Há videojogos em que se matam pessoas e se destroem cidades. O mundo real da brincadeira dá lugar a um mundo virtual, cheio de efeitos visuais, sonoros e cromáticos extremamente atractivos.
O mesmo se passou com os jogos tradicionais, em que era posto à prova a destreza com que se atirava a malha ou o espeto, se jogava a carica, se lançava o pião, ou se equilibrava o arco.
Mudam-se os tempos, mudam-se as brincadeiras, os hábitos sociais. É verdade que hoje os locais para brincar são cada vez mais raros e difíceis, há mais trânsito nas ruas, mais perigo.

Como nos referiu a Prof. Maria do Carmo, uma das professoras envolvidas na organização, as brincadeiras de rua em que as crianças corriam, saltavam, quase desapareceram. “Hoje as crianças brincam isoladas, sentam-se à frente do computador ou da consola. É por isso também que temos mais problemas de obesidade entre as crianças, porque tornaram-se muito sedentárias. As brincadeiras de antigamente eram mais dinâmicas e de integração social, ao contrário das de hoje, em que as crianças tendem a isolar-se”, afirma.

Para os pais e avós que brincaram na sua infância com estes brinquedos ou que os possuem ainda em casa, estes objectos têm um valor simbólico e sentimental muito grande, porque são o relembrar dos tempos de infância, as brincadeiras de amigos e de escola. Trazem à memória histórias e vivências de amizade, afectividade, companheirismo e convivência, de um tempo que parecia passar mais devagar, sem relógio.
Para as nossas crianças é natural que estes brinquedos se lhes afigurem como antiquados ou rudimentares em comparação com os brinquedos e jogos que utilizam na actualidade, mas servem para lhes despertar curiosidade e ajudar a compreender a evolução dos tempos.

A exposição está aberta à visita de todas as Escolas do 1º Ciclo e Jardins de Infância do Agrupamento de Escolas de Mortágua e decorre até ao dia 20 de Dezembro.











Este artigo veio de www.cm-mortagua.pt
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