Marcos Históricos. Praça do Município acolheu o espetáculo “A Encruzilhada do Bussaco”.

Data: 2021-10-12
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


No âmbito da programação cultural em rede “Marcos Históricos: as Invasões Francesas”, realizou-se no passado dia 8, na Praça do Município, o espetáculo “A Encruzilhada do Bussaco”. Este foi o terceiro e último espetáculo, que passou anteriormente pelos concelhos de Mealhada e Penacova, que juntamente com Mortágua integram a parceria cultural.

Produzido pela Associação Partículas Soltas, sediada em Sazes do Lorvão (Penacova), o espetáculo contou com participação de atores, figurantes e elementos das Associações dos três concelhos, nomeadamente do Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores.

Entre atores, figurantes e músicos, cerca de 60 pessoas estiveram envolvidas neste espetáculo que retrata o drama vivido pelas populações destes territórios por altura da 3ª Invasão Napoleónica. A peça retrata o medo, o desespero, a fome e o caos que se instalou à época do acontecimento mas exalta também a bravura e resiliência das gentes de Mortágua e da região que lutaram ao lado de Wellington e dos exércitos anglo-lusos, e enfrentaram o poderoso exército francês. O texto procura dar eco ao sentimento das populações, que muitas vezes é secundarizado face ao papel dos militares.

Além da batalha, a peça relata acontecimentos como a destruição de searas e outros bens levada a cabo pelas próprias populações (a denominada política de terra queimada ordenada pelo general Wellington para enfraquecer os franceses), o envenenamento dos poços, bem como alguns episódios caricatos que se terão passado na retirada das tropas francesas. Como aquele que terá ocorrido na povoação de Falgaroso da Serra, em que uns soldados franceses terão acendido uma fogueira e se sentado em cima de uns blocos de cera dos apiários de um lavrador. Com o calor, os blocos amoleceram e pegaram-se às fardas dos soldados.

Mas esta é também uma peça que fala de humanidade e compaixão em tempo de guerra, que se manifestam na atitude do frei do mosteiro ao querer tratar dos feridos sem olhar para a cor das fardas.

“A batalha foi apenas um dia, mas houve todo um drama vivido antes, durante e depois da Invasão. O que nós quisemos contar foi o que está à volta desse acontecimento, e que correspondeu a um período de grande sofrimento”, referiu Sandra Henriques, guionista e encenadora do espetáculo.

Além de atores (crianças e adultos) da Associação Partículas Soltas, em palco estiveram os atores Nélson Luís, João Marques e João Damasceno; Grupo de Danças e Cantares do Agrêlo; Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores, Filarmónica Pampilhosense; Carlos Abrunheiro e Alexandre Barros (Música); Pedro André Rodrigues (canto lírico), Dance With Heart (Luso), New Vision, Associação Escolíadas, (Mealhada/parte técnica).

A peça termina com o grito do povo em uníssono: “Ruína sim, mas servidão jamais!”. Porque espoliadas, privadas do seu sustento, as gentes lutaram e resistiram, em nome da liberdade e independência do país.

 









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