Câmara Municipal adquiriu a centenária “Casa Lobo”

Data: 2021-04-16
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


A Câmara Municipal de Mortágua adquiriu o imóvel da Casa Lobo, um dos poucos exemplares ainda existentes no concelho da chamada “Arquitetura Senhorial” do século XIX e XX.

O contrato de compra e venda foi assinado no passado dia 14, tendo o valor de 235 mil euros.

A aquisição foi aprovada por maioria, na reunião de Câmara realizada no dia 7 de abril, com os votos favoráveis dos Vereadores eleitos do PSD e os votos contra dos Vereadores eleitos do PS.

A Câmara pretende agora apresentar uma candidatura para reabilitação do edifício, no âmbito do PARU-Programa de Ação de Reabilitação Urbana, sendo que a traça arquitetónica será preservada na sua integridade.

Fundada em 1883, a “Casa Lobo” constitui a maior referência comercial, cultural, social e até política da história do Concelho de Mortágua, ao longo de mais de um século. Foi uma escola de formação cívica, cultural e de cidadania para a generalidade dos Mortaguenses (à época) e também para as Instituições do Concelho.

A “Casa Lobo” está ligada à defesa e proclamação da causa republicana. No dia 5 de outubro de 1910, dia da implantação da República, foi nesta casa içada a bandeira nacional, gritaram-se “Vivas” à Republica e assinalou-se festivamente o acontecimento. Essa bandeira original ainda existe e fará parte do futuro espólio do espaço. Esse forte apego à República levou a que Mortágua fosse à época considerado um bastião do republicanismo na Beira Alta e ganhasse a fama de “Vila mais republicana da Beira”.

Daqui partiu a ideia da fundação da “Escola Livre” em 11 de março de 1919, pela mão da família Lobo. Também foi ali o refúgio dos livros e documentos da “Escola Livre” que o Estado Novo mandou destruir.

Por ali passaram figuras como Tomás da Fonseca, Zeca Afonso, Lopes de Oliveira e outros. Foi nesta “casa da cultura e da democracia” que nasceu o Centro Cultural, (que veio substituir a “Escola Livre”), o Teatro Experimental de Mortágua, o Mortágua Futebol Clube, e mais tarde o renascimento da Banda Filarmónica, (também ela centenária).

Como “Casa da democracia” que era, lá nasceram os movimentos de apoio a Norton de Matos e mais tarde a Humberto Delgado, que marcaram definitivamente Mortágua como terra de liberdade e de democracia.

Era também uma fonte de cultura, pois foi nesta “Casa” que a maioria dos estudantes compraram os seus livros no século passado; era aqui que se vendiam os jornais e onde quem não tinha dinheiro tinha a possibilidade de os ler à “borla”, sentado num dos banquinhos instalados à frente do estabelecimento. A não distinção de classes sociais, a igualdade de trato, era aliás uma divisa da “Casa Lobo”, numa época de profunda pobreza e desigualdades sociais.

Foi também nesta “Casa” que ao longo de muitos anos se falou de Política (sem filtro) e onde se faziam as Tertúlias culturais, desportivas e politicas.

Com a presente aquisição é preservada a história, o património e o legado de um edifício cheio de memórias e que acompanhou a vida social, cultural e política de várias gerações de Mortaguenses. Desta forma, a “Casa Lobo” continuará a ser uma referência da memória coletiva dos Mortaguenses, e futuramente, também um espaço de promoção e valorização de Mortágua, do ponto de vista cultural e turístico. Uma mais-valia para Mortágua e para os Mortaguenses.

 

 

 

 

 

 

 









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