Mortágua assinalou os 209 anos da Batalha do Bussaco com Jantar Temático e Baile de Época

Data: 2019-10-02
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


Com o objetivo de assinalar os 209 anos da Batalha do Bussaco, o Município de Mortágua promoveu no passado dia 28, o Jantar Temático “ 3ª Invasão Francesa – a Retirada”, evocando a derrota e a consequente retirada dos exércitos franceses por terras de Mortágua.

O Jantar contou com a presença de 128 pessoas inscritas e decorreu no magnífico cenário da Quinta da Família Cancela de Abreu, cujos proprietários generosamente cederam o espaço para a realização do evento. Além das entidades municipais, Presidente da Câmara e Vereadores, marcaram ainda presença o Vice-Presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Guilherme Duarte, o Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Jorge Brito, o representante do Museu Militar do Bussaco, Major Lino Graça, e o Coordenador da Adices, João Carlos Figueiredo.

À chegada, os convivas foram recebidos por soldados e outros figurantes trajados a rigor, pertencentes ao Grupo de Reconstituição História do Município de Almeida (GRHMA). Este Grupo fez-se representar com 17 elementos, emprestando um cunho especial ao evento.

Do menu do jantar constou a “Canja à Doentes” ou “Canja do Duque”, que terá sido servida ao General Wellington, comandante das forças anglo-lusas. A descrição pormenorizada da receita terá sido enviada à sua mulher, que a mencionou no seu livro de memórias. Não podia faltar a afamada Lampantana, cuja origem aparece supostamente associada às Invasões e se tornou um símbolo da gastronomia do concelho, além doutras iguarias e doces tradicionais.

Antes do início do Jantar, o presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, agradeceu a presença de todos e salientou a importância de se comemorar um acontecimento que marcou o território, e as gentes de Mortágua e da região.

Júlio Norte destacou o trabalho em articulação e cooperação que tem sido desenvolvido pelos três Municípios que tiveram os seus territórios envolvidos na Batalha do Bussaco (Mealhada, Mortágua e Penacova), no sentido de valorizar a marca “Batalha do Bussaco” enquanto produto cultural e turístico.

Deu como exemplos a criação do Centro de Interpretação “Mortágua na Batalha do Bussaco”, as recreações históricas já realizadas, ou a criação da Grande Rota do Bussaco, em que o tema das “Invasões Francesas” e o património que lhe está associado (material e imaterial) constituem um eixo fundamental na dinamização e valorização da região, no âmbito de uma oferta turística integrada que junta história, cultura, património, natureza e gastronomia.

O presidente da Câmara agradeceu a colaboração que o Exército Português tem dado na implementação de projetos, como aconteceu com a criação do Centro de Interpretação, bem como na promoção de várias atividades relacionadas com as “Invasões Francesas”, nomeadamente Exposições e Palestras.

Júlio Norte referiu que, fruto desses projetos e dessas iniciativas, regista-se hoje uma redescoberta e um grande interesse no estudo das Invasões Francesas em Mortágua e na região. Destacou, em particular, o livro “Andaram por aqui os franceses…”, da autoria do Dr. João Paulo de Almeida e Sousa, lançado em setembro de 2016, que trouxe um enorme contributo no estudo, no conhecimento e na divulgação do “papel preponderante” de Mortágua no contexto da Batalha do Bussaco. “É muito importante o contributo que todos possam dar em torno desta temática, seja através da recolha de informação, da cedência de objetos e documentos, do estudo e publicação de obras, de modo a enriquecer e a ampliar o que já existe”, afirmou, em tom de repto.

As comemorações continuaram depois na Praça do Município, onde teve lugar um Baile de Época. O público foi convidado a juntar-se aos elementos do GRHMA nuns passos de dança à moda do início do século XIX.

A retirada

No dia 28 de setembro, e após o desaire militar, o General Massena (comandante enviado por Napoleão) ordena o recuo do seu exército até Mortágua e procede a uma manobra de diversão para encobrir a retirada, prosseguindo a marcha pela parte norte do concelho pela então denominada “estrada dos almocreves” em direção a Águeda, e com o objetivo de chegar a Coimbra.

No livro “Andaram por aqui os Franceses…”, da autoria de João Paulo de Almeida e Sousa (Médico), e com base no relato do Barão Conde de Marbot (oficial e ajudante de campo de Massena), é referido que terá sido um jardineiro de um convento (provavelmente ligado ao convento de Santa Cruz de Coimbra), a servir de guia no caminho de saída. É referida ainda a “penosidade imposta pela orografia e obstáculos naturais do trajeto e pelo estado de desgaste moral e físico dos franceses, que tinham ainda a árdua tarefa de transportar consigo 3.000 feridos por valeiros e encostas e conduzir centenas de veículos e oitenta peças de artilharia”. Em carta enviada à sua mulher, o General Junot refere que no dia da Batalha do Bussaco, as tropas francesas já não comiam pão há quatro dias.









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