Fórum Florestal de Mortágua debateu presente e futuro da floresta e do setor florestal

Data: 2019-06-05
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


 

Integrado no programa da Expomortágua, decorreu no dia 1 mais uma edição do Fórum Florestal, promovido pelo Município de Mortágua. O Pavilhão do Conhecimento reuniu cerca de uma centena de participantes, nomeadamente produtores florestais, empresários ligados à indústria e comércio de madeiras e biomassa florestal, técnicos florestais.

O Fórum constou de dois grandes painéis, um primeiro dedicado ao “Ordenamento Florestal e Prevenção” e um segundo dedicado à “Gestão da Floresta, Opções e Estratégias.“

O Prof. Albano Figueiredo, do Instituto de Estudos Geográficos da Universidade de Coimbra, abordou o “cadastro predial” e a sua importância na organização da propriedade rústica e no ordenamento da floresta. A Engª. Joana Carinhas, da Agência para Gestão Integrada de Fogos Rurais, abordou o tema “A gestão do risco à escala da paisagem”. A moderar este primeiro painel esteve o Engº. Pedro Bingre do Amaral, da Escola Superior Agrária de Coimbra.

No segundo painel, a Engª. Rosário Alves, da FORESTIS – Associação Florestal de Portugal, debruçou-se sobre a floresta na perspetiva de “Melhor Gestão, Mais Produção e Melhor Prevenção”. Por sua vez, o Engº Carlos Coelho, da Bioelétrica da Foz (Grupo Altri) abordou “A nova estratégia de aproveitamento energético com recurso à floresta”. Este segundo painel teve como moderador o Engº. Gil Patrão, que foi diretor do Centro da Biomassa para a Energia e da Central Termoelétrica de Mortágua.

Na abertura do Fórum, o Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, Júlio Norte, deu as boas vindas aos participantes e oradores convidados, e sublinhou a importância deste espaço de debate, partilha de conhecimento e experiências sobre os problemas, constrangimentos, mas também as oportunidades e os desafios que enfrenta a floresta e a fileira florestal.

Partindo das conclusões e lições do que aconteceu em outubro de 2017, sustentou a necessidade da floresta ter uma “gestão mais rigorosa e sustentável”, e criticou os “fundamentalistas” e “teóricos” que passam o tempo a atacar o eucalipto como se fosse uma árvore má e o culpado dos incêndios. “É um preconceito e um bode expiatório de quem não conhece a realidade. Quem trata bem o eucalipto, o eucalipto retribui da mesma forma”, defendeu.

Júlio Norte referiu que o problema da floresta não é a monocultura do eucalipto, pinheiro bravo ou sobreiro, mas sim a gestão da floresta. E exemplificou: “o Pinhal de Leiria ardeu e não era eucalipto, e parte da Serra de Monchique ardeu e tinha sobreiros”.

Sendo importante a diversificação das espécies e a criação de mosaicos florestais, alertou que cada região tem os seus solos, as suas caraterísticas, adequadas a cada tipo de espécie arbórea.

Falando da prevenção, o Presidente da Câmara considerou importante a existência de faixas de proteção às aldeias mas salientou que é preciso ir mais além, apostar mais na prevenção e na manutenção da floresta. Na sua opinião, se uma parte do investimento que é feito em meios de combate fosse utilizado na prevenção, os resultados poderiam ser mais positivos.

No final do Fórum, os participantes foram convidados a assistir a uma ação de demonstração de um equipamento para enfardamento de biomassa, que permite a compactação e melhor armazenamento dos resíduos florestais.  

 

Ciclo de Conferências: Floresta, Ambiente e Clima

 

Na sua segunda edição, o Ciclo de Conferências voltou a integraro programa da Expomortágua, promovendo a interligação do meio académico e científico com as empresas e o território.

O Professor Doutor Armando Silvestre, da Universidade de Aveiro, trouxe o tema “Biorrefinaria e Economia Circular: Novas estratégias de valorização integrada dos recursos agroflorestais para a implementação de um modelo de desenvolvimento mais sustentável”. Este modelo consiste no reaproveitamento de produtos (de plástico, por exemplo) e a sua reintegração em novos produtos, poupando recursos e reduzindo resíduos e desperdícios.

O Professor Doutor João Gonçalves, da Universidade do Porto, trouxe a experiência de monitorização ambiental através de instrumentos de observação da Terra, (satélites e drones), e as vantagens da sua aplicação em variadas áreas, como agricultura, alterações climáticas, mapeamento de áreas ardidas.

O Professor Doutor J. Jacob Keizer, da Universidade de Aveiro, referiu-se a um tema da maior atualidade, que tem a ver com a “Erosão do solo após incêndios e gestão florestal pós-fogo”.

A encerrar as intervenções, o Professor Doutor Renato Henriques, ilustre mortaguense, que desenvolve investigação na Universidade do Minho, abordou o tema “Geologia e Sustentabilidade Ambiental”. A sua intervenção foi muito focada nos chamados “lantanídeos” e nas “terras raras”, e nos problemas ambientais que estão associados à sua exploração, e para a necessidade de encontrar soluções alternativas que levem a reduzir o seu consumo, ou a fomentar a sua reutilização.

A moderar as conferências e debates esteve o Professor Doutor Serafim Oliveira, do Instituto Politécnico de Viseu.

 









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