Escola da Noite apresentou peça de teatro centrada na temática da violência doméstica

Data: 2016-04-22
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


Subiu ao palco do Centro de Animação Cultural, na noite do passado dia 20, a peça teatral “A Canoa”, apresentada pelo grupo de teatro Escola da Noite (Coimbra). O espetáculo foi promovido pelo Município e pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Mortágua. Com texto e encenação de Cándido Pazó, a peça tem como principal tema a violência doméstica, chamando a atenção do espectador para este fenómeno social e para a forma como ele se relaciona com os quadros de valores em que nos movemos.

Antes do início do espetáculo a Vereadora Municipal e simultaneamente Presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, Emília Matos, dirigiu algumas palavras sobre a temática da peça, referindo que a violência doméstica é um problema dos nossos dias e que constitui um dever cívico e legal denunciar as situações que ocorram, porque o silêncio e a indiferença são o maior aliado para a continuação deste tipo de violência. Lembrou ainda as chamadas “cifras negras”, os muitos casos que não chegam aos tribunais, e a necessidade de proteger as crianças que são, por vezes, vítimas inocentes da violência no seio familiar.

Durante o corrente mês, vários equipamentos municipais, além doutros Edifícios públicos, estão a ostentar o Laço Azul, que visa assinalar o Mês da Prevenção dos Maus-Tratos sobre a Infância.

Em palco estiverem cinco atores. Do elenco faz parte a atriz Sofia Lobo, natural de Mortágua, que há vários anos é atriz residente daquele grupo de teatro, sediado em Coimbra.

A peça aborda o fenómeno da violência doméstica, não apenas a partir de «uma chave emocional, mas também racional”, alternando momentos mais tensos, que retratam com grande realismo a agressividade verbal, física e psicológica que caracterizam a violência doméstica, com outros momentos mais calmos.

Tratando de um assunto sério, a peça utiliza também o humor para atingir o seu objetivo de convocar o espetador a pensar e a refletir sobre um problema sensível e perturbador.

É dito na peça que a violência doméstica soa a contrassenso: “Algo que é violento não pode ser ao mesmo tempo doméstico. A violência doméstica. Mas se mudarmos o acento: a violência domestica”. Até há umas décadas atrás ainda predominava a ideia de que terceiros não deviam interferir em situações conhecidas ou testemunhadas de violência doméstica, seguindo o adágio popular, que “entre marido e mulher não se mete a colher”. Essa ideia está hoje afastada, havendo uma maior consciência individual e social, além de uma maior visibilidade pública das situações, nomeadamente através da Comunicação Social.  

Desde o ano 2000 (Lei nº7/2000 de 27/5) que a violência doméstica é considerada um crime de natureza pública, o que significa que o procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime, para que o Ministério Público promova o processo.

Cerca de duas centenas de pessoas (uma excelente adesão para um dia de semana!), assistiram a um espetáculo bem construído que põe à prova as nossas emoções e interpela a nossa consciência.

O espetáculo teve ainda uma sessão na parte da manhã, em que o público foi constituído por alunos do 10º ano do Agrupamento de Escolas. Esta sessão matinal foi promovida pela Associação de Pais e Encarregados de Educação do Concelho de Mortágua.

“A Canoa” (“A Piragua”, no original) foi escrita e apresentada pela primeira vez em Santiago de Compostela em 2007, numa produção do Centro Dramático Galego. O encenador baseou-se em acontecimentos verídicos para escrever a peça. A estreia pela Escola da Noite aconteceu em setembro de 2015.

 

 

 









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