Abertura do Núcleo Museológico “Raízes e Memórias”

Data: 2016-04-07
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


Decorreu no passado dia 3 (domingo) a abertura ao público do Núcleo Museológico da Irmânia – Raízes e Memórias, situado na Marmeleira (povoação que outrora fazia parte da região da Irmânia).

O Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, foi convidado a proceder, simbolicamente, à abertura do espaço. Ao ato assistiu numeroso público, da freguesia e doutros pontos do concelho, além de Vereadores do Executivo Municipal, Presidente da Junta de Freguesa da Marmeleira, Presidente da Direção e membros dos Órgãos Sociais do Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Irmânicos” e convidados. Entre estes estava o Dr. João Paulo de Almeida, que colaborou na investigação e recolha de parte da informação relacionada com a história da povoação.

Este Núcleo Museológico, agora gerido pelo Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Irmânicos” da Marmeleira, foi inaugurado oficialmente em Maio do ano passado, por ocasião do Dia do Município, só que nessa altura estava apenas constituído fisicamente, faltava instalar parte do espólio, placas informativas/descritivas dos conteúdos, entre outro material, sobretudo no edifício da antiga Escola Primária. A partir de agora, todo o espaço encontra-se equipado e pronto para receber visitas.

Trata-se de um espaço dedicado à divulgação e preservação do património cultural e histórico do concelho e das suas gentes, através da representação fiel e rigorosa do quotidiano da vida rural, doméstica e comercial do final do século XIX e início do século XX. O projeto foi objeto de uma candidatura pelo Rancho “Os Irmânicos” da Marmeleira, tendo obtido cofinanciamento pelo PRODER - Eixo 3 da Abordagem LEADER no âmbito do PACTO LEADER /ADICES, e contado ainda com o apoio financeiroda Câmara Municipal de Mortágua e Junta de Freguesia da Marmeleira, além da colaboração dos elementos do Rancho Folclórico. A maioria das peças que fazem parte do espólio representado foram cedidas por populares da povoação e da freguesia.

O Núcleo Museológico é constituído por vários espaços que recriam os usos e costumes, os modos de vida rural de antigamente. Nesta viagem o visitante poderá conhecer o burro Golias, que outra transportava as taleigas de farinha para fabricar o pão, regar a horta a partir do engenho do poço da portela, saborear o pão acabado de coser no forno comunitário ou simplesmente apreciar o grande número de espécies de flora autóctone portuguesa que povoam os espaços verdes do Raízes e Memórias.

Na Casa do Lavrador encontrará uma habitação de uma família tradicional da região. Apesar de modesta é claramente a casa de um lavrador abastado.

Noutro espaço foram recriados dois espaços comerciais emblemáticos da povoação, a Loja Progresso e a Alfaiataria Lysiana. No exterior podem ser observados a eira, o alambique, o forno comunitário, além de uma grande variedade de alfaias agrícolas.

No edifício da antiga Escola Primária da Marmeleira, cedido pelo Município, encontram-se mais duas salas de exposição. Na sala Zé do Pereiro está patente uma exposição de artes e ofícios que foram o sustento da generalidade das famílias da região. Ali estão representadas atividades tradicionais, como lavrador, moleiro, lavadeira, sapateiro, ferreiro, pastor, resineiro, alfaiate, barbeiro, entre outras.

Na sala Basílio Lopes Pereira o visitante poderá descobrir um pouco da história da Marmeleira. Uma história de pessoas ilustres, marcada por ideais republicanos, por ligações à Maçonaria e pelo ideal de emancipação popular sustentada na educação. É também a história do “Mosteiro” da Nª. Sra. do Carmo, do Centro Democrático de Educação Popular, do Jornal “Sol Nascente”, da Escola Livre da Irmânia e mais recentemente do Centro Balmar.

Encontram-se expostos documentos com mais de cem anos de existência, nomeadamente registos do Centro Democrático de Educação Popular, incluindo da sua Biblioteca. Este Centro, que se dedicava ao fomento da instrução pública e da cultura, deu origem mais tarde à Escola Livre da Irmânia.

Do espólio documental destaca-se a correspondência trocada por Basílio Lopes Pereira, Tomás da Fonseca, José Lopes de Oliveira, José Pereira de Sousa (antigo Presidente da Junta), relacionada com assuntos locais. Numa dessas cartas, escrita por José Pereira de Sousa (em papel timbrado e encimada com a designação “Vila da Irmânia”), datada dos anos 40, é reclamada a construção de uma ligação a Penacova.

Na breve cerimónia alusiva à abertura do Núcleo Museológico, o Presidente da Camara Municipal deu os parabéns à Direção e elementos do Rancho Folclórico “Os irmânicos”, e a todas as pessoas que colaboraram na concretização do projeto, enaltecendo o trabalho, a carolice, a dedicação e o esforço de todos os envolvidos. “A maior parte do trabalho que está aqui à vista foi realizado ao fim de semana, porque as pessoas têm a sua atividade profissional e vida familiar, o que mais valoriza este espaço e esta obra”, realçou.

Júlio Norte referiu que o concelho passou a dispor de uma maior e mais diferenciada oferta turística, referindo-se ao Núcleo Museológico da Irmânia e ao Parque Temático de Vale de Mouro, sendo agora necessário criar circuitos ou roteiros que integrem estes “novos pontos de interesse turístico”, aproveitando também a presença de dezenas de milhares de pessoas que passam anualmente pelo Resort do Montebelo Aguieira. Referiu ainda que está prevista a recuperação do Lagar de Varas de Vale de Mouro.

O Presidente da Câmara dirigiu um agradecimento especial ao Dr. João Paulo de Almeida, que embora não residindo em Mortágua (possui no entanto ligações familiares e de forte amizade no concelho), tem-se dedicado de forma apaixonada à investigação de assuntos relacionados com a história do concelho, como aconteceu com a colaboração dada ao Núcleo Museológico. E adiantou que o Dr. João Paulo de Almeida irá lançar, ainda este ano, um livro, que versará sobre o papel desempenhado por Mortágua nas “Invasões Francesas”.

A abertura do espaço contou com um momento de animação musical a cargo do Grupo “Paralelos do Ritmo”, de Mortágua, tendo no final sido oferecido um abundante lanche a todos os presentes.

Resta referir que o espaço estará aberto em datas fixas, de acordo com calendário a divulgar, sendo as restantes visitas feitas mediante prévia marcação. Além disso, estão previstas atividades regulares e jantares temáticos na Casa do Lavrador.

Mais do que um espaço de exposição, o Núcleo Museológico da Irmânia pretende ser um pólo de animação cultural e turística, e afirmar-se como uma mais-valia para o desenvolvimento da freguesia e do concelho.









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