Autarcas da região juntaram-se na Estação de Mortágua para defender a requalificação da Linha da Beira Alta

Data: 2016-02-16
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra promoveu uma ação pública em defesa do projeto de requalificação e valorização da Linha da Beira Alta. A Câmara Municipal de Mortágua, que integra a CIM da Região de Coimbra, colaborou nesta ação, que decorreu, simbolicamente, na Estação de Caminho de Ferro de Mortágua.

Os autarcas da CIM da Região de Coimbra e do corredor da Linha da Beira Alta estão unidos na defesa da modernização e valorização da Linha da Beira Alta como espinha dorsal fundamental para o desenvolvimento da região e para o comércio internacional de mercadorias (exportações), via ligação a Espanha.

Foi isso mesmo que quiseram demonstrar com esta ação pública, realizada ontem de manhã, na Estação de Caminho de Ferro de Mortágua. Na cerimónia, além dos Presidentes de Câmara da CIM Região de Coimbra, marcaram também presença vários Presidentes de Câmara de outras CIM's, nomeadamente Santa Comba Dão, Carregal do Sal, Tábua, Oliveira do Hospital, Nelas, Gouveia, Seia, Guarda, Fundão, além de representantes de Associações Comerciais e Industriais da região. O Município de Mortágua esteve representado pelo Executivo e ainda pelo Presidente da Assembleia Municipal.

Estava previsto que, simbolicamente, a viagem fosse feita de comboio entre Coimbra B e Mortágua, mas tal não foi possível, devido a um atraso do comboio na zona de Pombal. Esse atraso comprometia a presença dos autarcas no Conselho Regional do Centro, a ter lugar pelas 15 horas, em Castelo Branco, daí que houve que recorrer a um autocarro na deslocação até Mortágua.

Na conferência de imprensa, realizada no interior da Gare, usaram da palavra o autarca anfitrião, Júlio Norte, e o Presidente da CIM da Região de Coimbra, João Ataíde (que é também Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz).

O Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, lembrou que a Linha da Beira Alta é uma das principais vias do país e estratégica para a “opção ferrovia” dos transportes internacionais. E desmontou os argumentos dos que defendem a solução Aveiro – Vilar Formoso, dizendo: “ o argumento de ir além dos Pirenéus não é justificação de um investimento de 2,5 mil milhões de euros, quando 75% das nossas exportações são para Espanha”.

Júlio Norte afirmou que que o país, na atual situação económica, não se pode dar ao luxo de gastar 2,5 mil milhões de euros numa nova linha quando pode ter uma linha requalificada e modernizada por cerca de 900 milhões de euros. Por outro lado, apontou os constrangimentos de ordem técnica que essa obra implica: “Será que quem fez o estudo, conhece a Serra do Caramulo e reparou que tem diferenças de cotas em 20 km de cerca de 650 metros e que a orografia parece uma montanha russa?”. E afiançou:“ será sempre mais fácil ir de comboio da Figueira da Foz a Vilar Formoso, do que de Aveiro a Vilar Formoso”.

Por outro lado, acrescentou, não está garantida que essa nova linha de bitola europeia tenha continuidade em Espanha.

Segundo Júlio Norte, “o que se vai ouvindo junto dos empresários da região é que querem uma Linha da Beira Alta requalificada e modernizada o mais rápido possível”, para serem mais competitivos.

Júlio Norte disse que é preciso avançar para esta obra. “Não podemos empurrar esta situação “com a barriga” como aconteceu com o IP3 (Viseu-Coimbra), continuando o futuro da região eternamente adiado”.

O Presidente da CIM da Região de Coimbra, João Ataíde, referiu que a presença dos 19 Presidentes de Câmara que integram a CIM Região de Coimbra, bem como de vários autarcas das Beiras e Serra da Estrela, e do Dão Lafões, e de vários representantes do tecido empresarial, nesta ação pública, revela o empenho de toda a região na defesa da requalificação da Linha da Beira Alta.

O Presidente da CIM referiu que a qualificação da Linha da Beira Alta é fundamental ao aumento da competitividade da região, tendo ao mesmo tempo enormes correlações com o tecido socioeconómico local, regional e nacional. Mas também para que não continuem a acontecer situações como as que ocorreram nos últimos dias (interrupção total do tráfego nalguns troços), e que são reveladoras da falta de investimento nesta linha, que constitui a principal ligação ferroviária entre Portugal e o resto da Europa.

A CIM da Região de Coimbra, revelou João Ataíde, solicitou um estudo ao Prof. Manuel Margarido Tão, um dos maiores especialistas nacionais e europeus na área da economia e transportes, que faz uma análise de custo-benefício entre a solução da requalificação da Linha da Beira Alta e a outra solução de construção de uma nova via entre Aveiro- Vilar Formoso.

Segundo referiu o Presidente da CIM, esse estudo “é categórico quanto à inexequibilidade de construção de uma nova linha”, desde logo por razões financeiras. A requalificação da Linha da Beira Alta teria um custo estimado de 900 milhões de euros, muito longe dos 2,5 mil milhões de euros que custaria a solução alternativa (Aveiro-Vilar Formoso), os quais não estão garantidos. Além disso, esta última solução seria de difícil enquadramento orçamental e carece de alinhamento com os planos aprovados para o sector dos transportes, nomeadamente o Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas (PETI3+).

Uma nova linha Aveiro-Vilar Formoso, afirmou, representa o dobro do trabalho e do investimento, exigindo estudos e projetos de raiz, obras complexas, podendo o processo arrastar-se durante quase três décadas. “Não podemos esperar tanto tempo quando temos outras soluções que já estão no terreno. O comboio do desenvolvimento não tolera atrasos, eu direi, não tolera mais uma vez um atraso”, referiu o Presidente da CIM.

Já a solução da requalificação da Linha da Beira Alta, além de mais avançada em termos de trabalho técnico, inclui funções que permitem no futuro a mudança de bitola (de ibérica para europeia).

João Ataíde sintetizou as vantagens da opção pela requalificação da Linha da Beira Alta: “Estamos perante uma abordagem mais económica e eficaz, aproveitando a infraestrutura existente, permitindo, desta forma, um melhor e mais eficiente escoamento das mercadorias para a Europa. É a melhor solução em termos de impacto regional, retorno socioeconómico e capacidade de criar efeito de rede”.

A finalizar, o Presidente da CIM afirmou que é necessário abandonar a “miragem” dos 2,5 mil milhões que representa a construção de uma nova ferrovia de Aveiro a Espanha, e ser pragmáticos nas soluções. “Estamos convictos que a solução da modernização da Linha da Beira Alta é a que melhor se ajusta ao Portugal do presente, mas sem escamotear a necessidade de um debate urgente que conduza à criação de um plano ferroviário digno de um país que tanto precisa”.

 

 









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