Primeiro-Ministro visitou nova Ponte da Foz do Dão, no mesmo dia em que foi apresentado novo corredor alternativo para o IP3

Data: 2015-08-11
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


 

O Primeiro-Ministro Passos Coelho, acompanhado pelo Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, visitou no passado dia 7, a nova ponte da Foz do Dão, que integra o itinerário IP3 e liga os concelhos de Mortágua e Santa Comba Dão. Na visita marcaram ainda presença o Secretário de Estado da Adminitração Local, António Leitão Amaro, Deputados do Circulo de Viseu e os Presidentes de Câmara de Mortágua, Santa Comba Dão, Viseu, Coimbra, Tábua e Carregal do Sal, além doutras individualidades.

A nova ponte não foi objeto de qualquer inauguração oficial nem motivou qualquer interrupção do trânsito, tendo entrado em funcionamento na semana anterior. O que levou o Primeiro-Ministro a dizer que foi inaugurada pelos utilizadores.

Esta visita serviu também para apresentar o estudo para o corredor alternativo ao IP3, em perfil de autoestrada.

Coube ao Presidente do Conselho de Administração Executiva das Infraestruturas de Portugal, António Ramalho, apresentar o cenário base da nova ligação entre as duas cidades. Segundo este responsável, a necessidade da construção desta ligação em perfil de autoestrada está sustentada em indicadores de viabilidade económico-financeira e sobretudo nos números da sinistralidade rodoviária. Nos últimos 15 anos o IP3 já registou 85 vítimas mortais.

Além disso, referiu, o IP 3 é um importante eixo de ligação entre quatro autoestradas (A24, A25,A1 e A14), com uma média de 18 mil veículos/dia, em que 15% são pesados. No entanto é a única que não tem perfil de autoestrada. António Ramalho enfatizou que o PETI (Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas)considerou o IP3 como a segunda prioridade nacional em termos rodoviários, logo a seguir ao Túnel do Marão.

O projeto da autoestrada, que agora vai entrar numa fase de discussão pública, divide-se em quatro etapas e prevê o aproveitamento de alguns itinerários já existentes, o que desde logo baixa o custo da obra.

A obra será inteiramente suportada pelos privados, e segundo foi adiantado, há interessados nessa concessão. As quatro etapas seriam as seguintes: uma primeira, faz o aproveitamento do troço do IC12 já existente; uma segunda, com duplicação de vias entre do atual IP3 entre a Aguieira e Santa Comba Dão, numa extensão de 9 km e utilizando a ponte num sistema de via reversível; uma terceira, faz o prolongamento do IC12 entre Canas de Senhorim e Mangualde, com ligação à A25; finalmente a quarta, consiste na construção de novo troço entre Ceira (Coimbra) - aproveitando a A13- e a zona da Aguieira.

Este cenário base (há outras alternativas possíveis) cria 83km em perfil de autoestrada, tem receitas de portagem previstas de 456 milhões de euros e um investimento de 318 milhões de euros, ou seja, redução de custo na ordem dos 45% em relação ao plano inicial do PETI (600 milhões de euros), “tornando-a mais viável e interessante para o investimento privado”. O Presidente das Infraestruturas de Portugal adiantou que até ao final deste mês vai ser preparado o dossiê para que os privados conheçam os detalhes do processo e colocada a debate público esta proposta base, com o objetivo de que até ao final do ano seja tomada uma decisão final. “Não é a única solução possível, é a que neste momento está mais trabalhada e ponderada, mas que será objeto de reflexão e discussão”, esclareceu António Ramalho. E avançou que, na melhor das hipóteses, a obra poderá arrancar em 2017.

 A nova autoestrada entre Coimbra e Viseu já tem nome, vai chamar-se Via dos Duques. Segundo explicou António Ramalho, esta designação evoca a história de Portugal e sobretudo a das duas capitais de distrito, lembrando que há precisamente 600 anos o Rei D. João I atribuiu os primeiros Ducados a Viseu e Coimbra, respetivamente, aos Infantes D. Henrique e D. Pedro. E apontou outra coincidência de datas, o facto de ter sido no dia 7 de agosto (de 1415) que a Armada Portuguesa partiu para as descobertas marítimas, para dizer:“ que seja um bom augúrio, que 600 anos depois, estejamos aqui para lançar este projeto, que é também um projeto de levantar âncora e conseguir finalmente criar uma autoestrada que liga a zona de Viseu com a zona de Coimbra de uma forma definitiva e característica.”

O Secretário de Estado das Infraestruturas, Sérgio Monteiro, deixou claro que “não há qualquer decisão tomada e não haverá nenhuma decisão final tomada por este Governo” relativamente ao traçado definitivo da autoestrada, dado o contexto eleitoral que se avizinha. “Mas nós estamos aqui a responder a um compromisso que assumimos com a região, deixando a nossa visão sobre o desenvolvimento da solução rodoviária para esta região”, afirmou.

Na sua intervenção, o Primeiro-Ministro afirmou que o Governo foi obrigado a travar muitas coisas em matéria de obra pública, que não tinham sustentabilidade a médio e longo prazo, mantendo apenas o que era realmente indispensável ou já estava numa fase adiantada de execução. Mas isso não significou, disse, um abrandamento em termos de investimento na segurança das infraestruturas, como o comprova esta nova ponte.

Sobre a futura autoestrada, afirmou. “Foi dado o pontapé de saída para uma discussão pública sobre a melhor forma de resolvermos para futuro uma ligação que realmente falta fazer entre Coimbra e Viseu. Não estamos a impor uma solução, estamos a abrir uma discussão sobre outras soluções possíveis, mas partindo logo com uma que traz realmente mais vantagens”.

Segundo o Primeiro-Ministro, os autarcas têm um papel muito relevante na dinamização desta reflexão e discussão pública, e na escolha que vier depois a ser concretizada. “Nós com os fundos do Portugal 20-20, em matéria de desenvolvimento regional, quisemos reforçar o compromisso entre a Administração Central e a Administração Local ou outras organizações que existem, nomeadamente as Comunidades Intermunicipais, que todo o planeamento que viesse a ser feito correspondesse a uma vontade comum”.

E acrescentou, “a escolha que vier a ser feita será para muitas dezenas de anos, será seguramente o espaço de vida de uma geração. O que significa que vale a pena escolher bem e de uma forma ponderada. Neste caso, sabemos que talvez em meados de 2017 possamos ter obra. É importante para toda esta região que essa obra aconteça, já se perderam tantos anos neste processo, gostaríamos que não fossem perdidos mais”.

O Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, Júlio Norte, sublinha que se está perante um estudo prévio e não uma proposta definitiva, e por isso é prematuro estar a dizer se a solução é ou não a melhor. “Não sei se será a solução ideal, porque temos sempre a questão do atravessamento da serra do Bussaco, daí ser importante conhecer mais pormenores do traçado”, diz. Júlio Norte defende que se deve encontrar uma solução que sirva o desenvolvimento da região e que não seja condicionada por interesses ou lobbies políticos ou económicos. “Temos que escolher a melhor solução, porque estamos a falar de uma obra para várias gerações e de uma obra determinante para o desenvolvimento futuro da região”, frisando que vale a pena perder (ganhar) algum tempo a analisar e a discutir as várias alternativas possíveis, para que depois o produto final seja uma boa autoestrada, que dê resposta aos problemas e desafios de competitividade de toda uma região”.

 

A nova ponte

 

A nova ponte representou um investimento de 10,3 milhões de euros e demorou três anos a ficar concluída.

A nova ponte construída ao lado da existente tem uma extensão de 390 metros, com dois pilares e três vãos de comprimento variável, possuindo o vão central 170 metros e os vãos extremos 120 e 100 metros. Os pilares têm uma altura máxima na ordem de 15 metros e a plataforma é constituída por um único tabuleiro, com uma largura total de 15 metros, uma faixa de rodagem com 7 metros, 3,50 m em cada sentido, e dois passadiços laterais com 1,50 metros.

Foi uma obra de alguma complexidade técnica, sobretudo ao nível dos pilares, que têm mais de 50 metros de profundidade.

A nova ponte implicou ainda a reformulação dos acessos rodoviários, incluindo a construção de caminhos paralelos, serventias e restabelecimentos à nova localização da obra de arte, bem como a execução de obras de contenção junto ambos os encontros.

A necessidade construção da nova ponte surgiu após uma vistoria do LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) que detetou graves patologias na estrutura da ponte, o chamado cancro do betão, com risco de ruir.

Chegou-se à conclusão que a reabilitação da ponte existente seria uma operação extremamente difícil, além de que teria custos mais elevados do que construir uma ponte nova.

 









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