Recypolym, empresa instalada no Parque Industrial, inaugurou nova linha de extrusão. Investimento vai permitir alcançar novos mercados e clientes.

Data: 2014-12-30
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


 

A Recypolym, empresa instalada no Parque Industrial de Mortágua, inaugurou no passado dia 20, uma nova linha de extrusão.

O Presidente da Câmara Municipal e os dois sócios-gerentes da empresa, Rui Matos e Carlos Santos, procederam à inauguração do novo equipamento, que representa um novo ciclo na vida e desenvolvimento da empresa, abrindo portas a novos mercados.

Na cerimónia estiveram também presentes os Vereadores do Executivo Municipal, colaboradores, familiares e amigos, parceiros da empresa, entre outros convidados.

Os presentes puderam assistir a uma demonstração do funcionamento da linha de extrusão, desde a entrada do resíduo até à saída do produto final, já transformado. O Presidente da Câmara foi convidado a acionar o botão que colocou a máquina em funcionamento.

Rui Matos referiu que esta cerimónia era um agradecimento público a um conjunto de pessoas, colaboradores e parceiros externos, sem as quais a Recypolym não teria alcançado o êxito que hoje é notório e reconhecido. E adiantou que este investimento não representa tão só a inauguração de um novo equipamento, mas assume-se essencialmente como “um ponto de viragem”. Acrescentando mesmo: “Eu diria mesmo que a Recypolym a partir de agora vai-se reinventar”.

Rui Matos fez um balanço “francamente positivo” do que foram estes seis anos de existência da empresa, dizendo ainda, “neste momento atingimos um patamar que nos permite sonhar com outros voos”.

Também o sócio-gerente Carlos Santos usou da palavra, para agradecer a colaboração de várias pessoas e entidades. “Este projeto tem um bocadinho do esforço de toda a gente que nos ajudou a ultrapassar os momentos mais difíceis e a alcançar os nossos objetivos”. E manifestou o desejo de que essa colaboração e disponibilidade continuem no futuro.

“É preciso acreditar nos jovens”, referiu o Presidente da Câmara Municipal

O Presidente da Câmara Municipal, José Júlio Norte, enalteceu o espírito de iniciativa e a coragem de dois jovens que acreditaram no seu projeto, apesar de todas as dificuldades. “Eu pude acompanhar este projeto e sempre acreditei neles”, disse. Lembrou as dificuldades que tiveram de vencer, como um sistema anquilosado que continua a considerar estes resíduos como lixo, em vez de uma matéria prima.

E realçou a importância da revalorização de resíduos “que de outra forma seriam desperdiçados, iriam contaminar o meio ambiente, e não iriam acrescentar valor à nossa economia local e aos nossos produtos. Aqui são valorizados do ponto de vista económico, geram exportações, entrada de divisas e criação de emprego”.

Júlio Norte destacou “a forma sustentada como souberam crescer”, começando com um pequeno espaço. “São dois empresários que sabem o que querem, com os pés bem assentes no chão. Começaram com umas pequenas instalações e hoje têm aqui este equipamento de ponta que marca uma nova etapa no desenvolvimento da empresa”.

E afirmou que “é preciso acreditar mais nos jovens”, nas suas capacidades de iniciativa, inovação e empreendedorismo. “Vocês mostram que são capazes, que sabem fazer e que têm futuro”.

O Presidente da Câmara desejou votos de continuidade do êxito e manifestou o apoio do município aos projetos da empresa. ”Estamos ao lado das empresas e dos empresários, podem contar com o nosso apoio. Espero que este projeto que agora vai dar o primeiro passo seja um êxito”.

À margem da cerimónia, Rui Matos referiu que esta nova linha de extrusão representa uma nova atividade na empresa, que permite produzir um novo polímero com mais qualidade, mais refinado. “O objetivo não é aumentar a produção, não é essa a linha estratégica da empresa, mas sim pegar no produto que produzimos e conferir um patamar superior de qualidade, e por essa via, atingir um conjunto de clientes que a partir de agora conseguimos abordar e que até aqui não conseguíamos devido ao grau de exigência”.

O equipamento chegou no passado dia 15, vindo da Áustria. “Já andávamos a “namorar” esta máquina há cerca de dois anos, depois de a termos visto numa feira na Alemanha. Fomos à Áustria e levámos material daqui para ser testado numa máquina idêntica, e os resultados foram satisfatórios, o que nos levou a pensar na aquisição”, explicou.

Segundo Rui Matos, a aquisição deste equipamento é o culminar de todo um conjunto de investimentos que foram necessários fazer, para chegar até aqui. “Tivemos que adquirir as instalações onde hoje estamos, adquirir um PT, porque esta máquina consome muita energia no arranque, e uma nova arquitetura em termos de instalação elétrica”.

Nos últimos dois anos a empresa investiu cerca de 800 mil euros nas instalações fabris em Mortágua.

A empresa trabalha com a indústria automóvel, farmacêutica e alimentar, entre outros setores. “O nosso core business, o nosso enfoque, é a reciclagem de polímeros, contudo o que nós oferecemos é um serviço de gestão global de resíduos. Nós asseguramos a completa gestão de todos os resíduos que uma empresa produz, mas tendo de facto o nosso maior enfoque nos plásticos. Todos os outros resíduos nós preparamos para a reciclagem, seja o cartão, o metal, a madeira”.

O produto reciclado vai para países do Oriente, como Malásia, Índia, China, e para a Europa. O volume de exportação tem vindo a crescer de ano para ano.

A empresa foi criada em 2008, em termos jurídicos, mas a instalação e laboração aconteceu no ano seguinte. No início eram apenas os dois sócios, depois foram recrutados dois colaboradores, e neste momento são já seis os postos de trabalho criados. As instalações triplicaram, passando de 400m2 para 1200 m2.

Com a entrada em funcionamento da linha de extrusão há perspetivas de se criarem mais postos de trabalho, a curto prazo: “Quando a linha de extrusão arrancar em velocidade cruzeiro nós iremos trabalhar numa fase inicial em dois turnos, e numa fase ideal a três turnos, uma vez que este equipamento consome muita energia no arranque e dessa forma podemos manter um funcionamento continuo. Quando estivemos a trabalhar em três turnos e dada a capacidade da maquina, nessa altura nós prevemos criar até oito postos de trabalho”.

A empresa tem vindo a alargar o leque de produtos e também de clientes. “No início trabalhávamos mais com resíduos pós-consumo, neste momento trabalhamos mais com os resíduos pós-industriais, cujo grau de contaminação é inferior”. O produto final é aplicado outra vez na indústria automóvel ou na farmacêutica, e de preferência no mesmo cliente. Segundo Rui Matos, trata-se de uma alteração do paradigma da economia à escala global. “Nós temos assistido nos últimos anos a um modelo de economia designado de economia linear, em que natureza, dá-nos, nós escolhemos, usamos e acabamos por descartar. Neste momento o paradigma está a inverter-se, estamos a pensar numa lógica circular, ou como dizem os especialistas “cradle to cradle” (do berço ao berço), em que os produtos voltam a ter outra nova vida”.

 









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