Recriação histórica da outorga do Foral Manuelino a Mortágua

Data: 2014-08-04
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua


 

Mortágua viajou no tempo e recuou a 500 anos atrás, para evocar a outorga do foral à vila por D.Manuel I, que ocorreu a 8 de janeiro de 1514.

O Adro da Igreja Paroquial foi o palco da reconstituição histórica daquele acontecimento que consagrou a autonomia juridico-administrativa do concelho. Emoldurados pelo público, mais de uma centena de figurantes vestidos à época, recriaram com rigor a sociedade, os hábitos e vivências daquele tempo.

O Grupo VIVARTE e Associações Locais, foram responsáveis pela figuração e representação.

O dia era de festa e celebração, com trovadores, saltimbancos, acrobatas, danças, exibições de lutas com espadas.

Feito o anúncio da chegada da comitiva régia, formou-se um cortejo para receber tão nobre comitiva, nele se incorporando o alcaide, os “homens bons” da terra, os soldados e as várias classes sociais (clero, nobreza e povo). O cortejo saiu do adro e percorreu as ruas envolventes ao Mercado Municipal.

No final do cortejo foi representado o Auto de Outorga do Foral. O emissário d`El Rei apresentou as meias folhas redigidas e o conselho dos homens bons fez a sua verificação com uma pequena discussão sobre alguns dos temas incluídos. A aceitação e proclamação do Foral foi assinalada com uma salva de columbrinas. E logo ali foi constituído um grupo de soldados com a missão de defender Mortágua.

Seguiu-se a entrega, por parte do emissário régio, nas mãos do alcaide da vila (atualmente Presidente da Câmara), da cópia do Foral, que ficará nos arquivos do concelho, a fim de para todo o sempre haver prova das posturas que nele se incluem. Procedeu-se à leitura pública dos aspetos mais importantes do Foral. O Alcaide proclamou que este dia fosse assinalado em todo o burgo como dia de festa. Fazendo jus a essa vontade, músicos e dançarinos deram largas à alegria, acrobatas apresentaram as suas artes e habilidades.

A encerrar os festejos, foi servido a todos os presentes o “Bodo”, composto por sopa à lavrador, pão caseiro e vinho.

Mercado Quinhentista

Enquadrado no evento, decorreu também um Mercado Quinhentista, dinamizado pelas Associações Locais. Nas bancas, vendiam-se produtos da terra, animais vivos, gastronomia e doces tradicionais, entre outros. Todos os vendedores estavam trajados à época, as bancas estavam montadas e decoradas de forma muito incipiente, criando assim um quadro rigoroso e fiel aos costumes daquele tempo.

Várias centenas de pessoas assistiram à recriação histórica e ao Mercado Quinhentista, sentindo com natural curiosidade, entusiasmo e admiração todo o cenário e ambiente da época, porque é história vivida e não apenas imaginada.

O Presidente da Câmara, José Júlio Norte, dirigiu algumas breves palavras, para agradecer a participação das associações locais e a numerosa presença do público, referindo ainda que os mortaguenses devem sentir-se orgulhosos das suas capacidades e realizações, tendo demonstrado mais uma vez que, quando unem as mãos, conseguem fazer coisas extraordinárias e com muita qualidade, como aconteceu com esta recriação histórica.

Várias associações locais participaram na recriação histórica e animação do Mercado Quinhentista. A recriação da entrega do Foral contou com a colaboração do Orfeão Polifónico (canto medieval), do Teatro Experimental de Mortágua e Rancho Folc. e Etnografico de Vale de Açores (danças), Agrupamento de Escuteiros de Mortágua (lutas de espadas). O Mercado Quinhentista, por sua vez, foi dinamizado pelas seguintes Associações: Assoc. Barracão, Agrupamento de Escuteiros, Assoc. Vale de Paredes, Assoc. Sobrosa, Assoc. Macieira e Tarrastal, Assoc. Quilho, Assoc. Carvalhal, Rancho Folc. e Etnográfico da Marmeleira, Centro Cultural da Marmeleira, Rancho Folc. e Etnográfico de Vale de Açores.

O Foral Manuelino foi o segundo atribuído a Mortagua (o primeiro foi por D.Dulce, esposa de D. Sancho I, em 1192. A magna carta, constituída por 11 folhas, continha um conjunto de normas de relacionamento entre os habitantes de Mortágua e a Coroa, em termos de direitos e obrigações.

Os Forais Manuelinos, também chamados de “Forais Novos”, vieram sistematizar e unificar a legislação até então vigente, que estava dispersa, ultrapassada e era incompreensível para a grande maioria do povo.

 

 









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