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Palestra com o Historiador Amadeu de Carvalho Homem

2012-05-29
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Mortágua foi precursora do movimento das Escolas Livres em Portugal

Realizou-se no passado dia 25, uma palestra subordinada ao tema “Enquadramento histórico-cultural para a Compreensão das Escolas Livres na dinâmica da Propaganda Republicana”, em que foi orador convidado o Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem. A palestra, promovida pelo Município, teve lugar na Biblioteca Municipal e contou com a presença de cerca de 60 pessoas. Mais do que a uma preleção, assistiu-se a uma brilhante lição de história e sapiência, seguida com vivo interesse, para o que contribuiu, sobremaneira, as qualidades de comunicação do palestrante.

Amadeu Carvalho Homem é Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Entre outros temas, dedicou-se especialmente ao aprofundamento da história do nosso republicanismo, procurando sobretudo salientar os contributos filosóficos em que essa proposta assentou.
Coube ao Dr. João Paulo Almeida, médico, natural de Mortágua, fazer a apresentação do palestrante, destacando-o como um académico inconformado, com uma intervenção cívica notável, que tem tido uma ação pedagógica muito importante no sentido da compreensão do que foi a República. O Presidente da Câmara Municipal fez a abertura da palestra, tendo felicitado os dois intervenientes e a boa adesão do público, e destacou o conjunto de iniciativas já organizadas pelo Município no âmbito das comemorações do Centenário da República. E lembrou a tradição republicana do concelho, que levou a que fosse considerada na época “a vila mais republicana das Beiras”.

A Escola Livre da Irmânia e a Escola Livre de Mortágua

O Prof. Doutor Amadeu de Carvalho Homem referiu que o concelho de Mortágua foi precursor na criação das Escolas Livres no Pais, tendo a primeira sido fundada na Irmânia (atual freguesia da Marmeleira), em 1908, e a segunda em Mortágua, em 1919. Depois surgiram outras na região, na Pampilhosa, Mealhada e Oliveira de Azeméis. Esse pioneirismo compreende-se melhor à luz da realidade política do concelho. “Mortágua era uma terra marcadamente republicana”.
E destacou a figura de Basílio Lopes Pereira, que foi o responsável pela criação da Escola Livre da Irmânia, como mais tarde, em 1923, pela criação da Escola Livre de Oliveira de Azeméis, onde veio a exercer funções públicas.
Um grande cidadão, um republicano ativo, destacando a sua luta pelas liberdades fundamentais, a sua coerência de caráter, os seus valores éticos, a sua intervenção cívica e social. Foi deputado pela Oposição pelo Circulo de Aveiro, sofreu várias deportações (Açores, Tarrafal), esteve preso em Caxias e Peniche. “Quem tem uma envergadura destas merece ser guardado com reverência, como um grande cidadão que foi capaz de dar o melhor da sua vida e liberdade em prol da liberdade dos homens e da sociedade”, disse.
E felicitou a decisão do Município, que recentemente atribuiu o nome do Dr. Basílio Lopes Pereira a uma rua da Vila de Mortágua (arruamento frente ao Centro Educativo), que consta também na sua terra natal, a Marmeleira. No ano passado, lembramos, foi uma das figuras homenageadas pelo Município na Exposição “Mortágua Republicana”, inserida no Dia do Município e na comemoração do Centenário da Iimplantação da República.

Os republicanos e o desígnio da Educação

Para além desta dimensão política, destacou a sua ação na criação da Biblioteca Popular, na Marmeleira, designada de Centro Democrático de Educação Popular, que se insere na linha de preocupação dos republicanos com a educação e a cultura das massas populares. Foi também Basilio Lopes Pereira, com Alfredo Ferreira Martins, quem fundou em 1912, o jornal republicano Sol Nascente. Segundo o historiador, a designação “Sol Nascente”, não terá sido meramente casual, mas antes estará relacionada com a simbologia republicana e porventura também maçónica, porque o próprio Basílio Lopes Pereira era maçon, tendo feito parte da loja maçónica “Revolta. “ É o sol que ilumina, que rompe as trevas. Na ideia dos republicanos, a República deverá inaugurar um novo ciclo, uma nova forma política de ser e estar, uma nova luz”. Nessa época, adiantou, as pessoas eram perseguidas, havia “policias de pensamento”, e a alternativa era a congregação nessas organizações secretas como a maçonaria.
Mas porque é que os republicanos davam tanta importância à Educação? Porque é que promoviam Bibliotecas Populares, Escolas Livres, Escolas Móveis? Por uma razão muito simples, explicou: “ Na época 3/4 da população portuguesa não sabia ler, escrever e contar, encontrava-se num estado de completa ignorância”. O País era mercadamente rural e havia um grande controle e vigilância sobre as pessoas, A República estava num processo de afirmação, não estava consolidada, daí a grande preocupação dos republicanos na divulgação, promoção e defesa dos valores e ideais que norteavam a criação de uma sociedade livre, laica, igualitária, fraterna. Era fundamental criar estruturas de ensino que pudessem constituir focos de promoção de cidadania, de libertação das amarras da opressão e do vassalismo. “Os republicanos estavam muito atentos a todo o tipo de associações que pudessem fazer uma ação de promoção cívico-cultural junto das comunidades mais ignorantes. Os republicanos sabiam que se não fizessem evoluir a população, do ponto de vista educacional e cívico, a República estaria perdida”. Foram os republicanos que introduziram o ensino primário de caráter obrigatório.
A este propósito referiu o papel das “cartilhas”, que pretendiam ensinar ao povo o que era a República e os seus propósitos, através de uma linguagem simples.
Um exemplo disso é a “Cartilha Nova”, da autoria do escritor mortaguense Tomás da Fonseca (grande republicano) - “para o Zé Povinho ler à noite, ao serão”. Esses textos eram escritos na forma de diálogos, com recurso a figuras do povo, e para serem lidos em voz alta nas aldeias.

O Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem terminou a sua intervenção, afirmando: “os republicanos acreditavam e lutavam por um País melhor, mais justo, mais esclarecido, e essa luta é também de hoje”.

No final as pessoas puderam ainda colocar questões, dar o seu testemunho, o que originou uma conversa e uma serão muito agradável e enriquecedor, de tal forma que ninguém deu conta do passar das horas. Pelo público, pareceu, a palestra podia durar a noite toda.

Pelos espaços da Biblioteca encontrava-se uma exposição de documentos, alguns deles originais, referentes à atividade da Escolas Livres no concelho, e diversa bibliografia sobre a República.


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