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Escola de Cães-Guia de Mortágua promoveu II Triatlo Aventura

2009-07-14
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Invisuais vencem desafios e descobrem capacidades


Realizou-se no passado dia 11, em Mortágua, o “II Triatlo Aventura”, um evento promovido pela ABAADV – Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, e integrado na comemoração do Dia do Cão-Guia, que se assinala neste mês.
O evento contou com a participação de 28 equipas, num total de 140 participantes, dos quais cerca de 50 invisuais oriundos de vários pontos do País. Cada equipa era constituída por cinco elementos, entre invisuais e normovisuais.
A primeira prova do Triatlo Aventura foi a Canoagem, com início às 15 horas, na Albufeira da Aguieira, zona do Valongo. Cada dupla era formada por um invisual e um atleta-guia ou em alternativa uma pessoa de olhos vendados e um atleta-guia. Com uma extensão de 2 Km, obrigou a um grande esforço físico mas foram sobretudo as dificuldades a nível de coordenação de braços o maior obstáculo, que entretanto se iam resolvendo através da comunicação entre atletas.
Terminada a prova de Canoagem, o testemunho era passado ao colega de equipa que ia fazer a prova de BTT. Com uma distância de 14 Km, esta segunda prova percorreu toda a zona do Reguengo. Finalmente a terceira prova, o Atletismo, ligou Vila Nova à Vila de Mortágua, num percurso de cerca de 2 Km.
A classificação final, resultante dos pontos obtidos no somatório das três provas, foi meramente simbólica, dado que a competição é um aspecto secundário, contando sobretudo a participação.

Entre os atletas invisuais presentes contou-se Carlos Lopes, o atleta Paraolímpico português mais medalhado de sempre (Ouro em Barcelona e Sidney e em vários Campeonatos do Mundo) e que é actualmente Presidente da Direcção da ACAPO.
“Sou um forte entusiasta deste tipo de iniciativas, que promovem sobretudo uma descoberta de capacidades. Nestes encontros eu descubro muitas vezes pessoas a dizer: “eu achava que não era capaz e afinal consegui”. E esta descoberta das capacidades, este gosto pela actividade física, para além dos benefícios físicos significativos, traz sobretudo ganhos psicológicos, ao nível da auto-estima, da realização pessoal. É as pessoas perceberem que podem ir sempre um pouco mais longe e que há muitas actividades no desporto mas também na vida em geral que lhes estão perfeitamente acessíveis e que muitas das vezes são as próprias pessoas com deficiência que se auto-excluem. Não estou a dizer que é o único factor para uma menor participação, mas também é verdade que as próprias pessoas com deficiência têm que acreditar nelas, têm que se valorizar, têm que descobrir que podem ir sempre um pouco mais longe”, referiu.
Firmino Baptista, outro dos atletas Paraolímpicos presente, deu a sua opinião sobre a iniciativa: “é muito agradável e devia-se fazer mais vezes”.

Helena Fonseca, invisual, natural de Lagos e a residir em Lisboa, participou pela segunda vez nesta iniciativa: “são actividades que estão perfeitamente ao nosso alcance, embora dependam de um guia”. Para além da vertente desportiva, destaca a importância desta iniciativa a nível da integração e do convívio. Sobre a participação da comunidade local, especialmente dos jovens, considera que pode ser uma “experiência marcante” para eles. “Não é a mesma coisa que ser cego mas penso que seja muito gratificante para eles e sobretudo faz-lhes despertar os outros sentidos. É um desafio muitas vezes vencido para eles também, porque não é fácil tapar os olhos”.
A Soraia, 23 anos, foi uma das dezenas de jovens de Mortágua que aderiu à iniciativa, tendo feito a prova de Canoagem, de olhos vendados.
“A certa altura chegava a ter tonturas porque uma pessoa não tem noção onde vai, onde temos a pagaia, só temos a claridade que nos afecta também. É uma desorientação completa, não temos os sensores que nos fazem perceber onde estão as coisas”.
Marisa Martins, 19 anos, foi outra das jovens que colaborou, mas na prova de Atletismo.
“Sentimo-nos bastante perdidos. Temos a corda que nos prende ao guia, mas não temos grande noção onde estamos”. Uma experiência, diz, que ajuda a compreender as dificuldades que os invisuais sentem no dia-a-dia. “As dificuldades que têm para se movimentarem, saberem o que estão a fazer, quem esta à sua volta”.


Após o Triatlo os atletas confraternizaram no tradicional Arraial Popular, em que marcaram presença Amigos, Sócios, Convidados, Utilizadores de cães-guia, Candidatos, bem como as Famílias de Acolhimento dos cães-guia, que formam a “grande família” da Escola.
Entre os convidados registou-se a presença do responsável da Federação Francesa de Associações de Escolas de Cães-Guia, instituição que tem prestado apoio à Escola de Cães-Guia de Mortágua a nível de formação, entre outros apoios.
O Presidente da Câmara Municipal, Afonso Abrantes, foi outro dos convidados presentes, sendo o Município de Mortágua um dos principais sócios e apoiantes da Instituição, tendo integrado mesmo o núcleo fundador.
“A Escola é um projecto que Mortágua tem acarinhado como seu e tem muito orgulho na dimensão nacional que a sua actividade adquiriu. Por isso temos apoiado desde o início do projecto, porque consideramos que é um projecto importante para melhorar a qualidade de vida dos cegos portugueses e das suas famílias”, salienta o Presidente do Município.


Estiveram também presentes responsáveis de várias empresas do concelho e da região que têm apoiado a Instituição, nomeadamente através da concessão de donativos.

A Escola de Cães-Guia de Mortágua forma duplas cegos/cães-guia desde 1999. De então para cá já entregou 75 cães-guia a invisuais, distribuídos por todo o País. Actualmente a Instituição tem em lista de espera cerca de 60 candidatos a um cão-guia, destes 25 já foram sujeitos ao processo de avaliação/selecção.

O II Triatlo Aventura teve o apoio do Município e a colaboração do Agrupamento de Escuteiros, Bombeiros Voluntários e GNR, de Mortágua, bem assim de muitos voluntários que participaram na preparação e realização do evento, contribuindo para o seu êxito.



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