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Investigação. Mortágua é projeto-piloto na reabilitação de solos pós-incêndios.

2019-04-18
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

 

O primeiro concurso de investigação em fogos florestais lançado pela FCT aprovou um único projeto na área de «Restauro pós-fogo e gestão florestal». Denominado «GreenRehab», o projeto é liderado por Paula Tamagnini, investigadora do i3S/IBMC e docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e consiste no desenvolvimento de um sistema a baixo custo, ecológico e de fácil implementação para a reabilitação de solos queimados. Foi financiado com 180 mil euros e vai começar agora a ser implementado com a colaboração da Câmara Municipal de Mortágua e de dois outros centros de investigação, GreenUPorto/FCUP e CIBIO-InBIO).

Em 2017, vários municípios foram afetados por incêndios que, para além dos enormes danos humanos e materiais, causaram um impacto profundo no património florestal, mas também ambiental, já que os solos ficaram degradados e vulneráveis à erosão sobretudo por escorrências superficiais. Este projeto, que contou precisamente com o apoio de um dos municípios afetados pelos fogos, Mortágua, «visa desenvolver um sistema para a reabilitação rápida e controlada de solos queimados, através da aplicação de cianobactérias e microalgas, que irão funcionar como espécies pioneiras e iniciar/acelerar a formação de crostas biológicas do solo, criando as condições para o estabelecimento das comunidades de plantas vasculares, entre outras», explica Paula Tamagnini.

A investigadora Paula Melo, da Faculdade de Ciências da UP (GreenUPorto), esclarece ainda que «o consórcio de microrganismos selecionado pelas propriedades promotoras do crescimento das plantas e de melhoria da estrutura do solo irá travar a erosão e atuar como biofertilizante, promovendo a produtividade dos solos e acelerando a sua recolonização após o fogo».

O projeto, que terá uma duração de três anos e implica a contratação de três pessoas, arrancou 2019 com a recolha de crostas de solos de regiões próximas das áreas queimadas de Mortágua para isolamento das cianobactérias e microalgas. Estes microrganismos serão depois testados de modo a selecionar os que possuem características adequadas para o melhoramento de solos e para favorecer o crescimento de plantas e, só em 2020, os microrganismos selecionados serão cultivados em larga escala (em colaboração com um parceiro industrial – A4F) para obter a biomassa necessária para testar em áreas queimadas restritas do concelho de Mortágua, que irão servir como piloto. Após a inoculação dos solos serão avaliadas as suas propriedades, o restabelecimento da comunidade microbiana, e a recuperação da fauna e da vegetação. A investigadora Ruth Pereira do GreenUPorto/FCUP irá liderar a equipa responsável pelo acompanhamento da evolução das propriedades dos solos inoculados em termos da sua funcionalidade e biodiversidade da comunidade edáfica. O investigador João Honrado do CIBIO-InBIO será responsável pela avaliação da densidade da cobertura vegetal e diversidade da estrutura das comunidades de plantas. O restabelecimento pós-fogo do ecossistema será avaliado a partir de dados in situ combinados com processamento de imagens de observação da Terra (obtidas por satélite e drone).

A Câmara Municipal de Mortágua, por seu lado, irá facilitar o acesso a áreas queimadas e áreas circundantes para a recolha de amostras de solo, disponibilizar terrenos para a inoculação e fornecerá igualmente as condições necessárias para a monitorização, bem como tanques onde possam ser armazenadas/cultivados os microorganismos.

O «GreenRehab» reúne uma equipa multidisciplinar constituída por especialistas em microbiologia molecular, qualidade de solos, fisiologia vegetal e ecologia de diferentes unidades de investigação (i3S/IBMC, GreenUPorto/FCUP e CIBIO-InBIO), que, em sinergia, vão fazer «o primeiro levantamento sistemático de cianobactérias e microalgas presentes nos solos portugueses». Esta abordagem, acreditam as investigadoras principais, Paula Tamagnini e Paula Melo, «pode, no futuro, ser aplicada a outras áreas de Portugal e/ou a outras regiões do globo». Com o «GreenRehab, a equipa pretende também «contribuir para implementar uma colaboração entre a academia, a indústria e as autoridades locais, uma estratégia que nos parece fundamental para o setor florestal português».

 


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