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Município atribui nome de Branquinho da Fonseca para patrono da Biblioteca Municipal

2019-02-19
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

 

 

A Câmara Municipal de Mortágua aprovou, por unanimidade, a proposta do Executivo Municipal de atribuir o nome do escritor mortaguense Branquinho da Fonseca (1905-1974) para patrono da Biblioteca Municipal. Trata-se de uma homenagem ao autor de obras como “O Barão”, “Rio Turvo”, “Porta de Minerva”, “Mar Santo” e um dos fundadores do movimento literário “Presença”, juntamente com José Régio e João Gaspar Simões, o qual teve ainda como colaboradores Edmundo de Bettencourt e Miguel Torga. Os seus primeiros textos eram assinados com o pseudónimo António Madeira. Experimentou vários modos e géneros literários, desde o poema lírico ao romance, passando pela novela, o texto dramático e o poema em prosa, mas, como o próprio dizia, a sua expressão natural era o conto.

Além da produção literária, Branquinho da Fonseca foi responsável pela criação e dinamização das Bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, promovendo uma rede de leitura pública à escala nacional, numa época em que as condições económicas da maioria dos portugueses (vivia-se o tempo da ditadura) impediam o acesso igual ao livro e à instrução.

Durante décadas as famosas “carrinhas” de cor castanha levaram o livro pelo país fora, percorrendo montes e vales, e as localidades mais recônditas. As bibliotecas móveis contribuíram para uma maior literacia do povo português, para a democratização do acesso ao livro e para a criação de hábitos de leitura. A ele se deve a criação, direção e dinamização do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Gulbenkian, em 1958. Entre elas a Biblioteca Itinerante de Mortágua e da Biblioteca Fixa nº15, que funcionou até 2002

O Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, considera que esta decisão constituiu “uma justa e devida homenagem a um ilustre mortaguense, um escritor que fez da promoção do livro e da leitura uma verdadeira missão e contribuiu para o desenvolvimento cultural e educacional do país, numa época em que a maioria das pessoas, e sobretudo as mais desfavorecidas, não tinha acesso ao livro ”.

Sendo a Biblioteca Municipal “um espaço do livro e da leitura por excelência”, afirma, a escolha do seu nome para patrono da Biblioteca Municipal parece não só consensual mas também muito apropriada. “A Branquinho da Fonseca deve-se a criação da Biblioteca Fixa de Mortágua, que funcionou no mesmo local onde hoje está erigida a Biblioteca Municipal, o que tem um grande simbolismo”.

Nascido em Mortágua, em 4 de maio de 1905, licenciado em Direito por Coimbra, em 1930, onde alguns intelectuais rompiam com o comodismo sociocultural vigente através de uma revolução estética iniciada por Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros (com quem privaria), Branquinho da Fonseca cedo evidenciou uma invulgar capacidade criadora de tonalidades artísticas várias, em que a PALAVRA era rainha.

Fundou e dirigiu, em 1927, juntamente com João Gaspar Simões e José Régio, a revista Presença, revista do 2º Modernismo português, divulgadora da obra de Pessoa e dos 1ºs modernistas e difusora de estéticas e ideais tão vanguardistas que hoje, volvido um século, continuam inovadoras, Branquinho revelou-se um livre pensador animado por preocupações culturais de índole social (entendia que o artista tinha uma missão).

Foi, em plenitude, um homem de ação e de causas que lutou, de forma lúcida e eficiente, para contrariar o pensamento instituído e o marasmo sociocultural vigente. Movido por visionária inquietude, tudo fez para concretizar o espírito de missão que o habitava: levar o conhecimento aos seus concidadãos através da palavra feita literatura, instrumento por excelência de acesso ao conhecimento a que todos os portugueses tinham direito. Isto porque, segundo ele, para os Presencistas, a literatura não era mera ficção, pois é “na vida e no que no homem há de mais necessário, profundo e, se possível eterno, que estão as raízes da literatura.”

Assim, fiel a si próprio, ficcionista, dramaturgo, poeta e, segundo muitos, o maior contista europeu do século XX, primeiro legar-nos-á uma vastíssima e original obra literária, depois, percebendo, como escritor, que a Presença tinha cumprido o seu papel na renovação da cultura portuguesa e no despertar de muitas consciências, dá voz à sua cidadania: democratização do livro – da literatura e do conhecimento –, levando-o a todos. Como? Primeiro, através da criação primeiro da biblioteca itinerante de Cascais, depois das tão amadas da Gulbenkian. Essas que tanta alegria levaram consigo país fora e nele Mortágua. “Sempre vivi entre livros: lendo ou escrevendo. Justo parece que dedique agora a vida a fazer ler os outros”, disse.

Concretizaria assim, talvez, o traço fundamental da personalidade fonsequiana: o empenhamento na transformação de um país mais culto, mais humano, mais justo! Consagraria pois, a partir de 1958, o seu tempo à promoção do livro e da leitura, à difusão do conhecimento por via das bibliotecas itinerantes, apesar do quanto lhe custava deixar para 2º plano a sua criação literária.

Filho de Tomás da Fonseca (poeta, publicista, professor, educador, ficcionista, historiógrafo e político), Branquinho legou-nos o exemplo de uma vida e obra dedicadas à palavra.


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