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Carlos Marques trouxe “contos cantados” à Biblioteca Municipal -“Contar histórias é uma forma de parar o tempo”

2019-02-04
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

O contador de histórias Carlos Marques esteve no passado dia 1 em Mortágua, dando inicio ao programa especial de celebração do 15º aniversário da Biblioteca Municipal.

Antes da sessão, Teresa Branquinho, técnica da Biblioteca, agradeceu a presença de Carlos Marques e lembrou que o mesmo tinha já ali estado há 12 anos, numa atividade designada “Acampar entre os livros”, tendo sido aliás o primeiro contador de histórias a participar nas atividades da Biblioteca. Referiu ainda que ao longo do mês de aniversário (Fevereiro) haverá uma intensa atividade cultural na Biblioteca, com uma ou mais atividades por semana, e que ao longo do ano esse programa comemorativo terá continuidade.

O Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, saudou também a presença do convidado, bem como do público “por se ter associado a este momento de grande significado na vida cultural do concelho”, desafiando uma noite fria e de chuva.

Aproveitou ainda o momento para agradecer o trabalho que a equipa da Biblioteca tem desenvolvido ao longo destes 15 anos, promovendo o livro e a leitura, o saber e a cultura, na comunidade.

Finalmente, adiantou que ainda este ano, irá propor a atribuição de um nome (patrono) à Biblioteca Municipal, deixando no ar a ideia de que o escolhido será um ilustre escritor mortaguense.

Carlos Marques voltou à Biblioteca Municipal com um novo projeto designado “Contos Cantados”, em que reescreve a tradição oral, juntando-lhe música, teatro e humor. O que resulta no final é um espetáculo feito de palavras, histórias, contadas e cantadas, em que o espetador também é convidado a interagir, a conversar.

Carlos Marques foi cantor de rua em Barcelona, quis ser músico, mas acabou a estudar Teatro. Trabalhou como ator em inúmeras estruturas teatrais, incluindo na Escola da Noite (Coimbra) e desde 2005 passou a também a ser contador de histórias. Continua a trabalhar na sua estrutura artística em Montemor-o-Novo, donde é natural, aí desenvolvendo uma atividade cultural multidisciplinar. Uma dessas atividades é o Festival da Palavra - Festa dos Contos, que vai já para a sua 10ª edição, e que reúne diversas manifestações artísticas centradas na palavra, na narração, ou como ele próprio chama “operários da palavra”.

Contar histórias, referiu, era quase uma brincadeira, uma coisa de amigos, mas que ao longo dos anos se tornou uma atividade profissional, um modo de vida, “apesar de muitas pessoas não verem assim, como um trabalho, uma profissão, por ser tudo muito informal e sem grandes cenários”. Mas contar histórias para um público, uma plateia, exige preparação, repertório, pesquisa, trabalho, e alguma técnica, diga-se.

Para Carlos Marques, contar histórias é uma forma de juntar as pessoas à volta das palavras, a partilhar histórias, e ao mesmo tempo um dos melhores meios de quebrar o ritmo frenético em que vivemos e de recuperar o espírito comunitário que perdemos, e que não está no facebook, no whatsapp, na Internet. “Sabe bem parar o tempo a ouvir uma história. E hoje, cada vez mais, nós precisamos de parar o tempo, para ouvir, para escutar. O nosso tempo está constantemente a ser interrompido, perturbado, temos muita informação, ouvimos muita coisa, mas a questão é a qualidade da informação que absorvemos. O Aldous Huxley previu exatamente isso no seu livro “Admirável Mundo Novo”, uma sociedade da hiperinformação em que as pessoas não conseguem filtrar o que é verdade e o que é mentira”.

Além disso, numa sessão de histórias, as pessoas não estão pré-condicionadas, não sabem o que vão ouvir, tudo é espontâneo e imprevisível, e o público pode entrar na história, interagir. Por conseguinte, a história tem uma dinâmica, um ritmo, que é dado pelo público.

 

 

 


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