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Mortágua recriou Auto de Juiz de Fora com cerca de 200 personagens

2017-06-20
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Passados 25 anos sobre a primeira representação teatral, Mortágua voltou a encenar o Auto do Juiz de Fora que relata a famosa lenda ligada ao povo de Mortágua e que perdurou na memória coletiva, resistindo à passagem dos séculos.

A representação teve lugar no passado do dia 17, no Loteamento Municipal da Gândara, o palco escolhido para levar à cena a representação deste Auto, em que Mortágua recuou mais de oito séculos no tempo, até ao reinado de D. Afonso IV, para evocar um acontecimento histórico-lendário que narra a revolta de um povo contra a injustiça e a desigualdade que sofriam à época (séc. XIII). Várias centenas de pessoas assistiram ao espetáculo cénico, a partir das bancadas que proporcionavam uma visão completa e privilegiada de todo o cenário.

Ao todo cerca de 200 pessoas participaram na encenação, entre atores, figurantes, músicos, coralistas, todos do concelho de Mortágua. A Filarmónica de Mortágua assegurou a Banda sonora da peça, o Orfeão Polifónico de Mortágua e o Coral Juvenil Sílvia Marques deram voz aos temas, o TEM (Teatro Experimental de Mortágua), o Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores, o Rancho Folclórico “Os Camponeses do Freixo”, a Associação de Cercosa, a Academia Saber+, colaboraram na representação dos quadros cénicos. A estes juntaram-se alguns atores e figurantes que participaram a título individual, incluindo alguns que estiveram na primeira representação, ocorrida em 1992.

Entre as personagens do Auto contaram-se o Rei D. Afonso IV, os fidalgos D. Gil Fernandes, donatário das terras de Mortágua, D.Vasco, D. Álvaro Gonçalves, D. Pêro Coelho, D. Diogo Pacheco Lopes, o Juiz do Lugar, o Mensageiro, o Juiz de Fora, o Inquiridor Régio, o Padre, o Viandante, além do povo. Não faltaram também dançarinos, feirantes, romeiros, entre outros, que corporizaram a ambiência da época.

A história-lenda é conhecida, da grande maioria dos mortaguenses, e até de pessoas de fora do concelho, o que confirma a sua fama. Segundo reza a mesma, um Juiz de Fora terá ordenado o enforcamento de um homem inocente (João Duro) e apenas terá mandado açoitar um fidalgo assassino, o que revoltou o povo. Este Juiz de Fora era visto como um juiz prepotente e parcial, fraco com os fortes e forte com os fracos. Cansado de tantas arbitrariedades, o povo liberta o pobre inocente e decide desafiar o poderoso Juiz de Fora: Ouve-se o Coro:“ Ó de Fora, não matarás! Em Mortágua não matarás! Por Deus não matarás!”. Tendo-se recusado a deixar a terra, o Juiz de Fora foi morto às mãos do povo, unido no gesto e na responsabilidade.

Perante ato de tal gravidade e desafio ao poder judicial instituído, o Rei terá enviado um inquiridor para apurar quem fora o autor de tal façanha. Mesmo ameaçados de morte, todos responderam da mesma forma à pergunta do inquiridor: ”Quem matou o Juiz?”. A resposta era em uníssono: “Foi Mortágua”. Confrontado com esta assunção coletiva, o inquiridor terá regressado sem indicação de qualquer culpado.

“Foi Mortágua, Foi Mortágua, Foi Mortágua nesse dia, o povo esteve desperto enquanto a justiça dormia / Foi Mortágua, Foi Mortágua, Foi Mortágua a escolher, o povo revoltou-se de tanto pela terra sofrer / Foi Mortágua, Foi Mortágua, Foi Mortágua e há- de ser, o povo nunca dormiu apesar de parecer”, ouve-se o Coro no final da peça.

Lenda ou facto histórico, o envio de um Juiz de Fora deixa entender que algo de grave poderá ter-se passado em terras de Mortágua, não havendo à época relatos de outras nomeações de Juízes de Fora nos concelhos vizinhos. Verdade ou não, esse episódio resistiu aos tempos, com possíveis alterações ou versões, pois “quem conta um conto acrescenta um ponto”.

Até décadas atrás, a pergunta feita pelos forasteiros-“Quem matou o Juiz?”, era considerada pelos mortaguenses como uma provocação sarcástica ou brincadeira de mau gosto, que não ficava sem resposta à altura. Mas com o passar dos anos e a mudança de gerações (e de costumes), já é raro ouvir-se essa acusação e os mortaguenses também passaram a aceitar essa conotação com benevolência, sem quaisquer complexos, simplesmente como uma história-lenda que poderá ter-se passado em Mortágua.  

O ano passado o Município promoveu uma representação de alguns excertos do Auto, inserida na primeira Feira do Juiz de Fora, realizada no adro da Igreja Matriz. Nessa altura o Presidente da Câmara, Júlio Norte, manifestou a vontade de se fazer uma representação integral do Auto em 2017, aproveitando a data dos 25 anos sobre a primeira representação pública, o que veio a concretizar-se.

No final da representação ouviu-se uma enorme aclamação do público, com todo o elenco perfilado ao centro do cenário, tendo nas suas costas a Filarmónica e os dois grupos corais. O ambiente era de alegria e emoção entre os participantes, por terem feito parte de um espetáculo que certamente vai ficar na sua memória.

O encenador da peça, Pompeu José, agradeceu a dedicação e empenho de todos os participantes, e sublinhou que o êxito conseguido foi o resultado de um trabalho intensivo em que todos deram o seu melhor. Para esse resultado, contribuiu também, adiantou, a enorme vontade e empenho que o Município demonstrou em concretizar este objetivo.

No final do espetáculo, o Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, estava muito emocionado, recordando que também esteve presente na primeira representação do Auto há 25 anos. “Acho que tivemos aqui um momento extraordinário. Este Auto recria uma história que versa sobre a honra e a dignidade de um povo, Mortágua, que não se vergou perante uma justiça autoritária, parcial e prepotente, como aquela que existia naquela época. Mas naturalmente temos de ver e interpretar estes acontecimentos à luz do sistema judicial e da sociedade de classes que então era vigente”.

Júlio Norte destacou a participação na peça de alguns atores que estiveram naquela representação original, bem como dos novos atores, nomeadamente jovens que nem sequer eram nascidos em 1992, e que pela primeira vez puderam vivenciar esta história. “A sua participação e envolvimento é muito importante, porque é sobretudo às novas gerações que caberá transmitir e preservar esta lenda que é nossa, que é quase tão antiga como a nossa terra, que faz parte da nossa identidade local”.

O Presidente da Câmara destacou sobretudo o trabalho coletivo e dirigiu agradecimentos às Associações do Concelho, às pessoas que, de forma individual e espontânea, associaram-se à representação do Auto, e a todos os que direta ou indiretamente tornaram possível a concretização deste “momento alto” da nossa cultura. “A todos um grande abraço e um sincero Obrigado, temos de sentir-nos felizes e orgulhosos do que aqui aconteceu”.

Júlio Norte destacou ainda a excelente Produção e Direção Artística da ACERT, e o trabalho do Encenador Pompeu José, que em tempo recorde conseguiu montar a peça e criar uma equipa à sua volta.


 

 

 

 


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