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Lançamento do livro “Histórias da Minha Vida”, de Ricardo Alves da Silva, na Biblioteca Municipal

2017-02-21
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Decorreu no passado dia 18, na Biblioteca Municipal, o lançamento do livro “Histórias da Minha Vida”, da autoria de Ricardo Alves da Silva, natural de Monte de Lobos (Mortágua). A sala da Biblioteca Municipal encontrava-se repleta de gente, entre as quais se encontravam muitas pessoas da povoação de Monte de Lobos e da freguesia de Pala, além de familiares, (esposa, filhos, netos) amigos e conhecidos.

Trata-se de um livro autobiográfico no qual o autor, nascido em 23 de março de 1940, relata alguns dos momentos mais marcantes do seu percurso de vida, divididos entre a sua terra natal, Lisboa e França, onde esteve emigrado.

Para além das vivências pessoais e familiares, o livro descreve acontecimentos locais, nacionais e internacionais que marcaram a sua vida adulta, a Guerra do Ultramar, a emigração, o maio de 68 em França, a situação dos portugueses que viviam nos “Bidonville”.

Várias pessoas falaram do autor, destacando as suas qualidades humanas, morais e intelectuais. Conceição Roseiro, natural de Porto de Mós, conheceu o autor quando este emigrou para França, tendo sido professora de português dos seus filhos na associação portuguesa de Cergy-Potoise. Lembrou toda a sua ação na defesa e promoção do ensino da língua e cultura portuguesa naquele país, e na dinamização da Associação Portuguesa de Cergy-Pontoise.

Maria de Fátima Marques da Silva, filha do autor e Magistrada, manifestou o sentimento de profunda admiração e orgulho no seu pai, destacando a sua tenacidade, a sua resiliência, o seu carácter de homem de convicções firmes, a sua busca incessante por novos conhecimentos e empenho na melhoria das condições materiais e sociais da comunidade.

Referiu ainda que este livro, não é meramente autobiográfico, sendo um documentário humano e um retrato realista de um contexto económico, social e politico, das mutações e convulsões da sociedade que ocorreram em Portugal e em França, desde a década de 40 do século passado até aos nossos dias.

Ana Afonso, magistrada e madrinha de um dos netos do autor, afirmou que era um privilégio ter uma pessoa como o Senhor Ricardo no seu círculo de amigos. E referiu que as histórias contadas no livro falam de uma “vida vivida, lutada, sofrida, feita de avanços e recuos e de lições que o autor nos quis deixar”. E afirmou que da leitura do livro guarda o ensinamento “das coisas grandes que um homem pode fazer quando quer, quando não desiste, quando luta por um ideal, quando se entrega ao sonho”.

Paulo Oliveira, amigo do autor, fez a apresentação do livro, e afirmou que o livro relata uma vida intensa, de um homem multifacetado, de espírito livre e convicções firmes, que lutou sempre para dar a melhor formação aos seus filhos, ao mesmo tempo mostrando uma grande preocupação social e dedicação à comunidade onde estava inserido.

No uso da palavra e visivelmente emocionado, Ricardo Alves agradeceu a presença dos presentes e oradores. Dirigiu depois agradecimentos aos familiares (filhos e nora) pelo apoio e incentivo para passar a escrito as suas memórias. Agradeceu ainda à Câmara Municipal e à equipa da Biblioteca, pela disponibilidade e apoio prestados.

O autor referiu que o livro conta factos que para as gerações atuais parecem quase irreais, como uma ficção, porque não imaginam o quanto dura e cruel foi a vida da sua geração. “Desejo que nunca sintam na pele aquilo que eu senti”, disse. Partindo da sua experiência de vida, deixou a seguinte mensagem: “Para vencer os desafios da vida é preciso ter oportunidades, saber aproveitá-las, ter coragem, ser forte e realista”.

E terminou, dizendo: ”Sempre arranjei tempo para lutar pela melhoria das condições de vida das gentes da comunidade em que evolui, por isso me sinto feliz”.

Nas primeiras páginas do livro, o autor revela toda uma infância e adolescência marcada pela miséria, doenças. Conta que nasceu numa palheira que servia de habitação e relata o episódio dramático que quase lhe tirou a vida, quando sobreviveu, ainda feto, à queda da sua mãe nas águas geladas do rio da sua aldeia em pleno inverno.

Ao longo das páginas o autor relembra alguns momentos mais marcantes da sua vida: a frequência da Escola Primária de Pala, a entrada na vida ativa, o serviço militar, as funções exercidas como ordenança no serviço do Pacto do Atlântico no Ministério dos Negócios Estrangeiros, o casamento, o nascimento dos filhos, a ida para França (1966), o trabalho na construção das “Bidonville”.

Um dos capítulos revela a luta que empreendeu, junto do Consulado de Portugal, para que os filhos de emigrantes tivessem o ensino do português. Fez parte da Associação dos Portugueses de Cergy –Pontoise, onde coordenou a área do ensino (escola portuguesa e francesa).

Ao chegar a França reparou que havia em cada vila um monumento de homenagem aos mortos da 1ª e 2ª Grande Guerra e da Guerra Civil da Argélia. Essa constatação marcou-o profundamente, de tal forma que esteve à frente da comissão que levou à instalação do Monumento de Homenagem aos Mortos da Guerra do Ultramar, que haveria de ser inaugurado no dia 15 de agosto de 1989, no largo 5 de Outubro.

No livro há também referências ao tempo em que esteve ligado à Associação de Monte de Lobos, à Comissão de Melhoramentos do Santuário de Nª Srª de Chão de Calvos e à participação ativa na vida política e social do concelho.

Numa vida intensa e atribulada, é possível encontrar episódios caricatos, como quando foi mobilizado para o Trem Auto (Companhia de Transportes do Exército) e andou a conduzir pelas ruas de Lisboa sem saber conduzir. Ou o dia em que encontrou 20 quilos em lingotes de ouro quando trabalhava numa antiga cavalariça, em França. Apesar de por lei, ter direito de um terço a metade do achado, Ricardo Alves não reclamou o prémio, por entender “o seu a seu dono”.

As palavras que escreve já no final do livro talvez ajudem a explicar essa atitude: “O valor de um homem não se convenciona com os valores materiais adquiridos, mas sim com o que está dentro de si, o que é capaz de fazer ao próximo no momento oportuno”.

Este livro contem trechos que são testemunho e memórias vivas de um tempo, de uma sociedade, e nesse sentido, deixa um legado escrito muito interessante que vai para além da mera biografia.

 

 


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