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Apresentação do novo romance de Jorge Gonzalez, na Biblioteca Municipal

2017-02-08
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Foi apresentado no passado dia 4, na Biblioteca Municipal, o novo romance da autoria do mortaguense Jorge Gonzalez, intitulado “Os Velhos Não Morrem na Primavera”. Dezenas de pessoas marcaram presença na sessão de apresentação, entre familiares, amigos, conhecidos e público em geral, que quiseram associar-se a mais este momento marcante na vida pessoal e literária do autor.

Jorge Gonzalez é natural de Mortágua, mas reside há vários anos no concelho de Gouveia. É licenciado em Português/Francês, sendo professor do Ensino Básico.

Francisco Gouveia, amigo de Jorge Gonzalez desde a adolescência, fez a apresentação do autor, dando a conhecer alguns traços singulares da sua maneira de ser, que já se evidenciavam na juventude. E destacou as qualidades humanas do “Nicotinas” (alcunha dos tempos de liceu), como a amizade sincera, a simplicidade e a solidariedade. Lembrou ainda que foi num blog, já extinto, com o título de “Infortúnios de Zé Robalo”, que descobriu a veia literária de Jorge Gonzalez.

Presente na sessão, o Presidente da Câmara Municipal, José Júlio Norte, saudou mais um lançamento literário de Jorge Gonzalez e referiu que é sempre muito agradável ver uma sala cheia de gente para assistir a um momento como este, ainda mais num dia chuvoso. Afirmou que “é sempre um privilégio ver um filho da terra a lançar mais um livro” e “reconfortante ver, nos últimos anos, um número apreciável de autores mortaguenses a apresentar ou a expor as suas obras e criações, sejam literárias ou outras. “Nós mortaguenses temos de estar muito felizes por ver que esta geração, que eu vi crescer, afinal soube aproveitar a vida, tem muito valor e qualidade, e sucesso nas mais variadas atividades profissionais”.

E enalteceu o facto dos autores mortaguenses, mesmo quando não estão a residir no seu concelho, “fazem questão de vincar as suas origens, afirmar que são cidadãos de Mortágua, que gostam da sua terra, que não a esquecem”.

Este é o terceiro livro escrito por Jorge Gonzalez, depois de “Os Amores de Umbelino Amêndoa” (2013) e ”Os vermes não vestem fraque” (2015). O autor confidenciou que agora vai tirar uma licença sabática, uma pausa, pois o processo da escrita é moroso, doloroso e catártico. “É bom quando olhamos para a obra acabada, mas o processo em si é desgastante”.

Jorge Gonzalez agradeceu a presença do público e disse que “é sempre uma honra e um privilégio” apresentar os seus livros na sua terra. Agradeceu também à Câmara Municipal, pela colaboração e disponibilidade que sempre demonstrou, desde o primeiro lançamento. Sobre o livro, Jorge Gonzalez remete para a sinopse, onde se pode ler: “ Este é um livro sobre quatro das antinomias que albardam ou propelam os homens: a cupidez, a perda, a ética e o amor”

Segundo Jorge Gonzalez, é difícil a um autor falar sobre aquilo que escreve, até porque o ato da escrita é um processo de catarse, algo quase confessional. “Há alturas em que nós temos de depositar nalgum lado os nossos humores, bons e maus”. Relativamente ao espaço e tempo onde decorre a narrativa dos seus livros, referiu que não escreve sobre aquilo que não conhece ou locais onde nunca esteve. O espaço onde decorre o enredo é normalmente indefinido, não há localidades concretas, embora hajam por vezes referências que podem ser familiares. A título de exemplo, no livro “Os vermes não vestem fraque” há uma referência a um local chamado Cabeço (Cabeço do Senhor do Mundo?), e neste livro a ação passa-se numa Vila onde existe um barreiro (Mortágua?). Mas propositadamente nunca se fala em nomes concretos de locais, deixando um certo mistério. Quanto às personagens, diz, começam por ter uma natureza ectoplásmica, são uma espécie de fantasmas que povoam os pensamentos, o nosso dia-a-dia, mas à medida que a escrita vai sendo feita vão ganhando forma. Por outro lado, as personagens não têm grandes descrições físicas. “O que me interessa é mais a psicologia da personagem, o seu caráter”, explica.

Jorge Gonzalez confessa-se um leitor acérrimo e assíduo, um hábito que reganhou há cerca de sete ou oito anos atrás. Neto de um alfaiate e de um amolador galego, diz que “talvez a isso se deva o recorte estilístico e o gume aguçado das palavras”. Foi também o gosto da leitura que levou “à paixão, necessidade e ansiedade de escrever”. Leu praticamente todos os autores que ganharam o Booker Prize nos últimos 20 anos e afirma que ler é investir em nós próprios.

 

 

 

 


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