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Apresentação do livro “30 Desenhos, 30 Histórias – A Voz da Terceira Idade”

2016-12-14
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Decorreu no passado dia 9, no Centro Animação Cultural, a apresentação do livro ”30 Desenhos, 30 Histórias- A Voz da Terceira Idade”, da autoria de duas mortaguenses, Rute Gonzalez e Daniela Salazar, que juntaram as suas competências e sinergias neste projeto comum.

Uma coleção de desenhos de Rute Gonzalez, que retratam rostos da Terceira Idade, foi o ponto de partida. Daniela Salazar desafiou Rute Gonzalez a dar vida às imagens. Para complementar os desenhos, convidaram algumas figuras públicas a escrever textos sobre a temática, como o ator Ruy de Carvalho, Rita Redshoes, Olga Roriz, Nuno Gama, que aceitaram de imediato o desafio.

“Acharam fantástico o projeto, que era pertinente e levantava questões importantes, e a adesão foi imediata”, contou Daniela Salazar. Além destes, colaboraram ainda a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)), Casa do Artista, Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDP), PSP, IPDJ, Professores Universitários, Médicos, Psicólogos, Técnicos de Gerontologia, Empresários, Alunos do Agrupamento de Escolas de Mortágua, entre outros.

Rute Gonzalez tem formação em Artes Plásticas e Daniela Salazar em História, com Mestrado em Museologia. Há cerca de ano meio fundaram o MAE- Movimento, Arte, Experiência, sendo este livro o primeiro “filho” desse projeto.

Partindo dos desenhos de Rute Gonzalez, decidiram escolher o tema da Terceira Idade para este primeiro projeto, com o objetivo de fomentar o debate dos problemas sociais em torno da Terceira Idade; incentivar a partilha de histórias de vidas entre diferentes gerações; sensibilizar as pessoas para uma atitude mais compreensiva e tolerante; valorizar e dar voz aos mais velhos, reconhecendo os contributos da sua experiência de vida para as novas gerações.

Na sessão de apresentação do livro marcaram presença cerca de uma centena de pessoas, entre as quais se encontravam muitos amigos das duas autoras. Estiveram presentes vários convidados, nomeadamente a Profª. Margarida Pedroso de Lima,Psicóloga e Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, a Drª Goreti Cardoso, em representação da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (Delegação de Coimbra), o Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, bem como Urbano Marques, que patrocinou a edição do livro, e a Prof. Ludovina Ferreira, em representação do Agrupamento de Escolas de Mortágua.

A sessão foi complementada com uma representação teatral levada a cabo, em conjunto, pelo Grupo Interdito (Grupo de Expressão Dramática da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra) e a Aposenior (Universidade Sénior de Coimbra), que retratou as diversas formas que pode assumir a violência sobre os idosos: física, psicológica, financeira. Por sua vez, as atrizes Rita Nobre e Neide Simões, da Companhia Papillon, fizeram leituras encenadas de alguns dos textos publicados no livro.

Goreti Cardoso, em representação da APAV, referiu que foi com imenso gosto que a Associação colaborou neste projeto. “Nós na APAV trabalhamos com esta população idosa e acabamos por associar muitos destes rostos a muitas histórias que vão passando nos nossos gabinetes”, contou.

Segundo esta responsável, “é importante pararmos e pensarmos sobre as necessidades e exigências que a Terceira Idade coloca à sociedade”, e pensar em formas de poder colmatar as necessidades que vão surgindo.

Goreti Cardoso explicou que por vezes há dificuldade em chegar aos idosos vítimas de crimes ou abusos, porque o próprio idoso tem medo de assumir que é vitima, o receio de magoar alguém próximo, nomeadamente um familiar, e as situações só chegam ao conhecimento por uma terceira pessoa.

Segundo a mesma responsável, há a tendência de associar os idosos a um grupo de pessoas que já não tem certas faculdades, que necessitam de apoio, “mas muitas vezes a ajuda que é necessária não implica que a pessoa não seja autónoma”. Lembrou que a população idosa é muita diferenciada, apresentando graus de autonomia maiores ou menores, sendo necessário encontrar respostas também diferenciadas.

Urbano Marques lembrou o dia em que as duas jovens se abeiraram dele a solicitar a sua colaboração, depois de terem batido a outras portas sem sucesso. “Guardem as vossas energias, o dinheiro vai aparecer”, tranquilizou na altura. Segundo Urbano Marques, o dinheiro não foi o mais importante, mas a vontade que demonstraram em concretizar o seu objetivo: “Elas sonharam, a obra nasceu e era bom que o sonho não acabasse aqui”.

O Presidente da Câmara Municipal felicitou as duas mortaguenses, destacando o facto de serem duas jovens a preocuparem-se com a Terceira Idade, um tema que considerou “pertinente e atual”. Um tema que também lhe é muito caro e sensível, porquanto, quer enquanto autarca quer como ex-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, pôde contactar de perto com a realidade e a situação em que vivem os idosos.

Segundo Júlio Norte, trata-se de um projeto extremamente interessante e arrojado, que aborda “uma questão que diz respeito a todos e que reclama a corresponsabilidade de todos”.

A propósito do apoio à Terceira Idade, Júlio Norte destacou o extraordinário trabalho que tem sido desenvolvido pelas IPSS`S do concelho, e as políticas sociais desenvolvidas pelo Município, que em conjunto, permitiram que os idosos do concelho tenham hoje uma boa qualidade de vida. Júlio Norte referiu a aposta do Município em criar condições que promovam cada vez mais o envelhecimento ativo e saudável”, sendo disso exemplo o Centro de Convívio de Freguesia do Sobral, que brevemente irá entrar em funcionamento, e os novos centros de dia que estão planeados para as freguesias de Espinho e Pala. Para Júlio Norte, “é uma obrigação e um dever moral tratar os idosos com o respeito e dignidade a que todo o cidadão tem direito”.

O Presidente da Câmara deixou também palavras de reconhecimento para Urbano Marques, que patrocinou a edição do livro. “É uma pessoa com um grande coração, um bom exemplo de cidadania”, recordando outros gestos altruístas que tem tido com as associações locais.

Dirigindo-se às duas jovens autoras, Júlio Norte reafirmou que o Município estará sempre disponível para colaborar e apoiar este e outros projetos, e considerou que o ano de 2016 foi excecional em termos culturais, aludindo ao lançamento de várias obras literárias de autores mortaguenses ou versando figuras e acontecimentos locais.

Rute Gonzalez referiu que a apresentação pública do livro em Mortágua, perante familiares, amigos conhecidos, tinha um significado especial. E confidenciou que ao fazer os desenhos “quis criar algum desconforto e inquietação nas pessoas”, pô-las a pensar, e não simplesmente expor imagens. “É muito bom os meus traços estarem a servir para uma causa maior”, disse.

O livro teve para já edição limitada, apenas algumas dezenas de exemplares, que esgotaram rapidamente. Um euro dado por cada livro reverte a favor da APAV.

Segundo explicou Daniela Salazar, tal limitação editorial deveu-se simplesmente a razões orçamentais, havendo a intenção de fazer uma edição mais alargada no início do próximo ano, logo que estejam reunidas condições.

Um dos objetivos das duas autoras é que este movimento possa vir a transformar numa associação cultural, eventualmente com sede em Mortágua. No entanto, o movimento não tem geografia, pretende trabalhar com diferentes comunidades, cidades e regiões, sendo um movimento aberto, dinâmico, participativo e inclusivo.

Segundo as duas autoras, o lançamento do livro não seria possível sem o apoio incondicional de Urbano Marques, um empresário e um benemérito, natural de Vale de Açores. “O Sr. Urbano Marques foi digamos o nosso mecenas, a pessoa que ajudou -nos a dar o pontapé de saída para que conseguíssemos pôr o livro cá fora. Estamos-lhe profundamente gratos, porque acreditou em nós e neste projeto”.

Entretanto o MAE não vai parar e tem já novos projetos na forja, o primeiro dos quais a arrancar no início de 2017.Trata-se do projeto intitulado “Cada imagem conta uma história, cada Pessoa conta a história à sua maneira”, que irá contar com a parceria da Academia Saber+ e o Agrupamento de Escolas de Mortágua.

Este segundo projeto irá abordar a temática da saúde mental. “À semelhança da Terceira Idade, é também um tema pouco falado, que é quase tabu, que tem estereótipos e preconceitos que é importante desmistificar”, adiantam. Outro dos temas agendados diz respeito à proteção e defesa dos animais.

 


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