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Apresentação do livro “Tomás da Fonseca, Missionário do Povo: uma Biografia”, da autoria do Prof. Doutor Luís Torgal.

2016-10-11
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Foi apresentada no passado dia 8, na Biblioteca Municipal, a obra “Tomás da Fonseca, Missionário do Povo: uma Biografia”, da autoria do Prof. Doutor Luís Torgal.

Esta obra teve como base a tese de doutoramento em Estudos Contemporâneos que o Prof. Luís Filipe Torgal defendeu em Fevereiro deste ano. Foram cerca de três anos de trabalho de investigação, realizado com o apoio de bibliotecas e arquivos, públicos e privados, e de várias fontes de informação, desde impressas, manuscritas e orais.

A apresentação da obra esteve a cargo do prof. Doutor Vítor Neto, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e do Prof. Doutor Armando Malheiro, da Universidade do Porto. O Prof. Doutor Vítor Neto, que assina o prefácio, afirmou que se está perante “uma excelente biografia histórica que vem preencher uma lacuna na nossa historiografia, já que Tomaz da Fonseca, apesar de ser uma figura intelectual significativa e polémica, racionalista, laica e anticlerical, não fora ainda objeto de um estudo global, crítico e sistemático como o que agora é apresentado”. Segundo referiu, este livro dá ao leitor um conhecimento exaustivo da figura e das ideias de Tomás da Fonseca, sendo um ensaio muito bem estruturado e de grande qualidade científica. Uma obra objetiva e isenta, mas não neutral, “porque Luís Torgal está comprometido com o progresso civilizacional e, nessa medida, dá uma enfâse especial ao racionalismo e ao laicismo como vetores essenciais da sua visão do mundo”.

O Prof. Doutor Vítor Neto sublinhou que se trata de “uma obra escrita com uma clareza inequívoca”, usando, para isso, uma linguagem simultaneamente simples e conceptual de tal forma que a sua leitura é um bom exercício traduzido na obtenção do prazer do texto.

Baseando-se no que está escrito no ensaio, destacou três grandes temas em que a vida e a obra de Tomás da Fonseca se cruzam ou sobrepõem: Religião, Politica, Educação, para além da sua dimensão intelectual.

Relativamente à Religião, referiu que “Tomás da Fonseca rompeu com a mundividência religiosa e, apoiando-se nos pensadores progressistas, assumiu uma visão dessacralizada do universo”, tendo evoluído do ateísmo para posições iconoclastas inequívocas.

Na Politica, destacou os seus ideais republicanos, a sua luta contra o Estado Novo, recordando que teve 17 livros censurados, esteve preso, e foi perseguido até ao último dos seus dias. A PIDE via nele um oposicionista “radical e perigoso”. Tinha a utopia do “comunismo libertário”, embora não tenha sido militante do Partido Comunista Português nem professasse a doutrina marxista-leninista. Era essencialmente um livre pensador, um espirito inconformado, um resistente.

Na Educação destacou a sua faceta de pedagogo, o seu empenho na alfabetização e esclarecimento do povo, que sentia como uma verdadeira missão. Lembrou que Tomás da Fonseca “era contra a educação repressiva, defendia a co-educação e, ao mesmo tempo, mostrava-se adepto de uma educação pública humanista, racionalista, laica e democrática”.

O livro está dividido em cinco partes: Raízes, Religião, República, Educação e Oposição, oferecendo uma biografia contextualizada que aborda temáticas que vão da economia à política, da cultura à religião.

Segundo o Prof. Doutor Vítor Neto, com este estudo rigoroso, “a nossa historiografia passa a contar agora com um livro, diremos mesmo, na medida em que e possível dizê-lo, definitivo, sobre uma das figuras mais representativas da resistência politica e ideológica à Monarquia Constitucional e ao Estado Novo”. Afirmando a sua convicção de que com esta obra incontornável “o pedagogo de Mortágua e o deputado e senador da República já não voltará a cair no esquecimento”.

O Prof. Doutor Armando Malheiro referiu o trabalho de rigor cientifico e a qualidade da escrita de Luís Torgal, destacando a forma apelativa, de comunicar e trazer para o público aquilo que se faz no gabinete ou na oficina do historiador, numa prosa muito agradável. E referiu que é uma obra com ego-história, frisando que esta biografia de Tomás da Fonseca, “não é obra do acaso”, lembrando trabalhos anteriores de Luís Torgal, como o livro “O Sol Bailou ao Meio-Dia. A criação de Fátima”, o prefácio que assinou da reedição do livro “A Cova dos Leões”, e a antologia da obra de Tomás da Fonseca, intitulada “Religião, República, Educação”. Por isso, afirmou que “era inevitável” que Luís Torgal chegasse a este estudo aprofundado sobre a figura de Tomás da Fonseca.

O Prof. Doutor Luís Torgal dirigiu agradecimentos às entidades e pessoas que colaboraram no seu trabalho de investigação, nomeadamente à Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente, à Biblioteca Municipal, aos familiares de Tomás da Fonseca e outros mortaguenses, que disponibilizaram documentos, forneceram informações, deram pistas, sugestões, contatos, que permitiram a construção do livro.

Deixou claro que se trata de um livro de história e não de uma hagiografia, escrito com a objetividade que a história deve ter, na procura da verdade.

Falando de Tomás da Fonseca, referiu que o mesmo “teve uma vida longa e cheia, polémica e muito interessante. Foi admirado e odiado, teve amigos e inimigos”. E citou alguns epítetos que lhe foram dados, nomeadamente “Missionário do Povo” (Guerra Junqueiro), “Homem grande de Portugal (Virgínia Moura), “Paladino da Democracia” (César Anjo), “Apóstolo cívico do laicismo” (Raul Rego), “Símbolo dos livres-pensadores portugueses” (David Mourão- Ferreira), entre outros.

No final leu um texto escrito por Tomás da Fonseca, que é como um testamento oficioso, uma espécie de epitáfio, onde o mesmo pede que se cumpra a sua vontade de ter um funeral simples, sem pompa, de ser sepultado numa campa rasa, bastando “quatro tábuas de madeira”, um lençol ou mortalha. Pede ainda “que me livrem de coroas, tronos, de gritos e de lágrimas”, “e os que de mim tiveram pena imitem os meus atos que se hajam considerados justos e humanos. Isso, sim, me dará consolação”. Diz ainda que não amealhou nem deixa fortuna, mas deixa “os livros que, desde novo, aprendi a escolher bem, para neles ter amigos verdadeiros”. É um texto escrito numa altura em que o escritor gozava de saúde, apesar dos seus 68 anos, e que revela a sua simplicidade de carácter, a forma de encarar a vida, de Tomás da Fonseca.

O autor dedicou este livro aos seus alunos”, de várias gerações, e afirmou que o conhecimento da vida de Tomás da Fonseca pode ter um propósito didático, “pois permitir-nos-á compreender que a liberdade que eles hoje vão desfrutando não é um valor eterno, foi conquistada há apenas 42 anos, graças à ação cívica, corajosa e intransigente de homens como precisamente Tomás da Fonseca. Valores que estão hoje em crise, “podendo mesmo ser devorados se as gerações mais jovens não estiverem também dispostas a comprometerem-se e a baterem-se pela sua preservação”, disse.

Na sua intervenção, o Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, saudou o autor, os oradores convidados e todos os presentes, e afirmou que era muito agradável ver uma sala cheia de gente, porque é sinal de que a cultura está bem viva no concelho.

Agradeceu depois o empenho e a dedicação que o Prof. Doutor Luís Torgal (embora não sendo natural de Mortágua), tem dado ao estudo e valorização de uma figura mortaguense de relevo nacional.

Júlio Norte mostrou-se agradado pelo facto de, nos últimos tempos, ter tido o privilégio e a felicidade de assistir ao lançamento de livros sobre figuras ou acontecimentos que marcaram o concelho, lembrando também o recente lançamento do livro do Dr. João Paulo de Sousa sobre a passagem das Invasões Francesas em Mortágua.

Sobre Tomás da Fonseca, recordou que desde criança, pela voz do seu avô, foi ouvindo falar de uma figura de Mortágua, de um homem de barbas brancas e compridas, que era visto como um “revolucionário”.

Segundo o Presidente da Câmara, Tomás da Fonseca “era um visionário, um homem que estava muito avançado no tempo”, lembrando a esse propósito, o que o mesmo já pensava e escrevia sobre a floresta e a florestação do concelho, apontando-a como riqueza a explorar e atividade económica com futuro, o que curiosamente veio a tornar-se realidade nos nossos dias.

Júlio Norte referiu que a figura de Tomás da Fonseca esteve durante muito tempo “esquecida ou adormecida”, uma situação que se alterou nos últimos anos, destacando o contributo do Prof. Doutor Luís Torgal nesse renascimento da figura e da obra de Tomás da Fonseca.

No próximo ano assinalam-se 140 anos do nascimento de Tomás da Fonseca e o Município pretende comemorar essa data, tendo o Presidente da Câmara deixado o convite ao Prof. Doutor Luís Torgal para também associar-se a essa comemoração. Referiu ainda que a criação de um centro de estudos dedicado a Tomás da Fonseca é um projeto que o Município vê com muito interesse e que seria uma mais-valia para o concelho.

E salientou a importância de se transmitir às novas gerações quem foi Tomás da Fonseca, dando a conhecer “o seu exemplo de luta pela democracia, liberdade, justiça, no fundo, pela dignidade humana”. “Tomás da Fonseca tem muito para nos ensinar”, afirmou.

O Presidente da Câmara dirigiu ainda agradecimento à família de Tomás da Fonseca, pela colaboração prestada, e manifestou a vontade do Município relativamente à reedição de livros do escritor mortaguense, uma vez que a grande maioria ou quase totalidade, não se encontra à venda.

Na apresentação do livro estiveram presentes muitos amigos do autor, docentes da Faculdade de Letras, nomeadamente o Prof. Doutor Romero de Magalhães, além de muitos mortaguenses. Entre estes encontrava-se a sobrinha-neta de Tomás da Fonseca, a professora Fernanda Tomás, bem como alguns habitantes da aldeia das Laceiras, localidade onde o escritor nasceu.

É de referir ainda a presença de dois Vereadores do Município de Oliveira do Hospital, onde o autor vive e dá aulas.

A edição deste livro, da responsabilidade da Antígona, contou com o apoio da Câmara Municipal.

O Prof. Doutor Luis Torgal é Mestre em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Colaborador de investigação do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20) e doutorado em Estudos Contemporâneos por esta instituição.

Em 2012 publicou uma antologia da obra de Tomás da Fonseca, intitulada “Religião, República, Educação”.

 


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