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Colóquio “A 3ª Invasão: Mortágua, uma Encruzilhada na Batalha do Bussaco”

2016-09-27
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

O Município de Mortágua está a promover, durante o mês de Setembro, várias atividades relacionadas com a 3ª Invasão Napoleónica de 1810, destacando a importância geoestratégica que Mortágua desempenhou no contexto da chamada “Batalha do Bussaco”. Esse conjunto de atividades desenvolve-se sob o mote: “Mortágua nos caminhos da Batalha do Bussaco”.

Mortágua foi um dos palcos principais do confronto entre as tropas francesas e anglo-portuguesas naquela que viria a ficar conhecida como a “Batalha do Bussaco”, e que se desenrolou nas vertentes da serra do Bussaco. No dia 27 de setembro de 1810 os dois exércitos estavam frente a frente. Nesta batalha as forças napoleónicas saíram derrotadas, calculando-se que tenham sofrido 4500 baixas.

O programa teve início no dia 24 com a realização do Colóquio subordinado ao tema: “A 3ª Invasão: Mortágua, uma Encruzilhada na Batalha do Bussaco”, que contou com três intervenções. A moderar esteve o Major-General Aníbal Flambó, diretor da Direção de História e Cultura Militar.

O Coronel Luís Albuquerque, Diretor dos Museus Militares de Lisboa e do Bussaco, debruçou-se sobre ”A Invasão de Massena”. Aquele responsável fez uma contextualização dos acontecimentos que levaram às Invasões Francesas, em que sobressai a chegada de Napoleão ao Poder, referindo-se depois às três incursões em território português, dando um especial enfâse à 3ª invasão, aquela em que se travou a “Batalha do Bussaco”.

O Coronel Luís Albuquerque descreveu a movimentação dos vários exércitos franceses e lembrou que esta foi a maior batalha alguma vez ocorrida em Portugal, que mobilizou nas várias frentes cerca de 120 mil homens, embora nem todos tivessem entrado em combate direto. A 3ª invasão, que teve passagem pelo concelho de Mortágua, foi aquela que contou com o maior exército francês, mais de 60 mil homens, comandados por três generais notáveis (Reynier, Ney e Junot), sob o comando maior do General Massena (“o filho querido da vitória”, como lhe chamava Napoleão) A batalha constituiu um duro golpe militar e moral nas tropas invasoras, obrigando a uma retirada forçada para reorganização das tropas. Segundo o Coronel Luís Albuquerque, a estratégia de Wellington (comandante das tropas anglo-lusas), que posicionou antecipadamente as tropas aliadas na crista da serra, sabendo que estaria numa posição de vantagem, foi determinante no desfecho da batalha.

Na altura havia três estradas que derivavam de Mortágua em direção ao litoral e a Lisboa: a estrada Real (por Vale de Açores, Cortegaça, Benfeita, Serra da Bugia), a estrada da Moira (por Vale de Açores, Barracão, Moira, Sula) e a estrada dos Almocreves. A retirada das tropas francesa fez-se por esta última, que passava em Gândara, Pala, Painçal, Aveleira, em direção ao Boialvo, Águeda.

O Tenente-Coronel Pedro Marquês de Sousa abordou o tema “A Música Militar, da Função Operacional à Artística”.

Este responsável lembrou que a utilização da música na atividade militar, dos toques de guerra, é muito antiga, e durante a Guerra Peninsular teve um ponto alto, cumprindo uma função primordial. Essa utilização da música tinha uma tripla finalidade: como forma de comunicação, de coordenação dos movimentos táticos no terreno, ordenando o avanço, recuo, reposicionamento; uma “função psicológica”, de incentivo e ânimo das tropas, e finalmente uma função de entretenimento das tropas e do restante séquito. Foram reproduzidos alguns desses toques, na sua maioria de origem inglesa, que depois foram transmitidos aos portugueses.

A Professora Doutora Maria Alegria Marques abordou o tema “Memórias da Guerra no Concelho de Mortágua, 1810”, dando a conhecer registos da época coligidos pelo Padre Joaquim Lebre Teixeira (Arcipreste de Mortágua), que ajudam a compreender os horrores vividos pelas populações, o rasto de morte, destruição e miséria que representou a passagem das tropas francesas pelo território do Concelho. Esse documento tem por título “Relação dos assassinatos, roubos, incêndios e atrocidades cometidos no arciprestado de Mortágua desde o dia 21 de setembro de 1810 até ao dia 4 de outubro pelo exército dos franceses comandados pelo General Massena”. É um dos poucos documentos que se conhecem que contem dados e descrições sobre os efeitos da passagem das tropas francesas no concelho de Mortágua.

Entre outras descrições, é referido que “em Espinho os franceses impuseram martírios aos poucos habitantes que ali se encontravam, obrigando a confessar onde estavam as cousas escondidas”. Várias aldeias foram ocupadas e outras serviram de aquartelamento ao inimigo. Trezói foi uma das aldeias mais devastadas, refere o documento. Após a derrota no Bussaco, os franceses retiraram por Vale de Remígio e Pala, em direção ao Boialvo. “Em razão de que ficaram mal na batalha do Bussaco”, a sanha destruidora dos franceses foi enorme, destruindo ou saqueando igrejas, capelas e casas, levando o que havia de mais valioso. A freguesia de Pala foi das mais roubadas do arciprestado. “Ali fizeram os maiores estragos, causando perdas indizíveis”. Na Marmeleira deixaram as casas e Igrejas “nuas de tudo”.

De acordo com o registo, as Invasões causaram 24 mortes entre os mortaguenses (16 homens e 8 mulheres). Crê-se que o número será superior, porque não contabiliza os que morreram a combater, nem as crianças. No Galhardo um filho enterrou o pai, morto às mãos dos franceses, e que ali estaria sozinho. Há também registos de incêndios, 34 ocorrências em Pala, 5 em Vale de Remígio, 5 em Vila Nova e 4 em Vila Gosendo. Em Espinho os invasores incendiaram 8 povos, dos 20 lugares que constituíam a freguesia. Algido (povoação já desaparecida), Moura, Sula, Breda, foram outras localidades devastadas pelos incêndios.

Os poucos habitantes que não fugiram conheceram a privação, a fome. Segundo o documento, “em Espinho, pelo roubo dos franceses os seus fregueses ficaram tão pobres que a maior parte se sustentam de ervas cozidas sem azeite”. As igrejas e capelas sofreram grandes saques, com os franceses a levarem metais, vestimentas e imagens de valor, além da destruição. Algumas peças foram escondidas, enterradas, mas muitas foram levadas pelos franceses. Devido ao medo, as terras estavam quase completamente abandonadas, mas em algumas localidades, as tropas francesas cruzaram-se com alguns habitantes, provavelmente mais velhos ou incapazes de fugir.

Mas até no meio da guerra a vida faz-se ouvir. O documento cita o nascimento de uma certa “Maria”, no dia 26 de setembro de 1810, na freguesia de Trezói, “no campo, onde a sua mãe se achava fugida dos franceses”.

Demoraram meses até as pessoas regressarem aos seus lugares de origem, encontrando casas, capelas e igrejas destruídas ou profanadas, um rasto de destruição e desolação, que teve consequências nos anos seguintes.

A investigadora desafiou a Imaginar o que seria viver nessa época de 1810/1811, naquele cenário de desolação e perda total. “É para nós um cenário estranho, que nem a brutalidade das imagens que quase todos os dias nos entram em casa, nos ajuda a compreender”, disse.

Este registo de memórias escritas mostra um cenário de destruição e dor vivido pelos habitantes do concelho, no entanto faltam notícias e testemunhos das pessoas que vivenciaram os acontecimentos, daqueles que sofreram no corpo e na alma as atrocidades, sendo poucas as histórias e memórias que passaram de geração em geração. O que levou a historiadora a deixar a questão: “Terão os homens preferido esquecer, calar bem fundo os horrores e as agruras que passaram?”. Mesmo que tenham passado mais de dois séculos, e tudo pareça longínquo, segundo aquela historiadora, “é preciso não esquecer, e homenagear e lembrar o sacrifício de gente anónima, pobre, desprotegida, simples camponeses, na resistência mais ou menos ativa ou passiva, mas sempre firme, que ofereceram aos franceses na defesa da sua terra, dos seus valores, numa luta de que não conheciam as razões e muito menos as entenderiam”. Na solidão das suas aldeias e na miséria extrema, lembrou, estes homens e mulheres reergueram as suas casas e as suas vidas, com a força do seu trabalho. Segundo a investigadora, “os mortaguenses devem sentir orgulho por tais antepassados, pelo seu exemplo de amor à terra e ao trabalho, pela sua capacidade de fazer renascer a vida, a partir do nada ou de tão pouco”.

Além de que “o próprio facto de reviver a lembrança de tão cruéis acontecimentos servirá sempre, pelo menos, para advertir toda e qualquer geração que não há ideal que valha o confronto entre os homens e muito menos o monstro da guerra”, disse.

A Profª.Dra. Maria Alegria felicitou a Câmara Municipal pelo interesse que está a demonstrar no estudo e despertar deste tema das “Invasões Francesas”, que faz parte do património, da memória, do concelho de Mortágua e das suas gentes.

O Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, agradeceu a presença dos palestrantes e a colaboração do Exército nestas atividades, e referiu que este programa de iniciativas dá seguimento a um trabalho que começou há três anos, o qual pretende trazer à luz do dia um acontecimento histórico que marcou o concelho mas que tem passado à sua margem. “Até há pouco tempo só se falava do Bussaco, porque era o nome dado à batalha, apesar da mesma ter ocorrido em grande parte dentro dos limites de Mortágua. “

Segundo Júlio Norte, “Mortágua começa definitivamente a ter também o seu lugar neste processo”, salientando o conjunto de iniciativas já desenvolvidas, com um grande envolvimento da população.

“Tudo o que foi dito neste colóquio confirma o papel preponderante que Mortágua teve neste conflito”, salientou, adiantando que o Município vai avançar para a criação de um Centro Interpretativo das Invasões Francesas.

Júlio Norte considera que este acontecimento histórico poderá tornar-se num produto âncora na promoção dos territórios da região, integrado numa “rota da Invasões” e associado a outros pontos de interesse que a região tem para oferecer, nomeadamente a gastronomia, o património e a paisagem.

O Presidente da Câmara agradeceu e realçou o trabalho de investigação da Profª.Dr.ª Maria Alegria e do Dr. João Paulo de Almeida e Sousa, ambos com ligações a Mortágua, bem como a colaboração do Coronel Luís Albuquerque e do Exército, que considera contributos valiosos na perspetiva de criação do futuro Centro Interpretativo.

No final do Colóquio seguiu-se a abertura de uma Exposição constituída por Fardamentos Militares, peças de artilharia, miniaturas de soldados, e Aguarelas do General Ribeiro Arthur, relacionados com as Invasões Francesas.

No mesmo dia 24 realizou-se ainda um Passeio Noturno Encenado, seguido de um concerto pela Orquestra Ligeira do Exército, em Vale de Açores.

As atividades comemorativas vão ter continuidade no próximo dia 30 com o lançamento da obra “Andaram por aqui os Franceses… A Terceira Invasão Francesa em Mortágua”, da autoria do Dr. João Paulo Gaspar de Almeida e Sousa.

O programa conta com a colaboração do Exército, Direção de História e Cultura Militar e Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida (GRHMA).


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