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Conferência “Memórias da Batalha do Bussaco”

2015-09-09
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

 

Integrado no programa das comemorações dos 205 anos da Batalha do Bussaco e no âmbito do projeto “Caminhos da Batalha do Bussaco”, realizou-se no passado dia 5, no Centro Cultural de Penacova, a Conferência “Memórias da Batalha do Bussaco”.

Lembramos que as comemorações estão a ser organizadas em parceria pelos Municípios da Mealhada, Mortágua e Penacova, o que acontece pela primeira vez, e compreendem um conjunto vasto de atividades, que visam assinalar este marco importante na história da região e do país, como foi a Batalha do Bussaco. Para esta conferência cada Município convidou um orador para versar sobre a batalha, permitindo a sua contextualização e um melhor conhecimento do que foi este confronto bélico.

Os oradores convidados foram, respetivamente, o Prof. Dr. Fernando Taveira (Mealhada), o Dr. João Paulo de Almeida e Sousa (Mortágua) e o Dr. João Peixoto (Penacova). O Prof. Dr. Fernando Taveira apresentou uma dissertação a que deu o titulo “Jogos de Guerra”, aludindo às movimentações das forças em presença, ao tabuleiro e aos protagonistas da guerra (à semelhança de um jogo de xadrez) e ao contexto em que surge esta nova tentativa de invasão ao Reino de Portugal. O Dr. João Peixoto versou sobre os aspetos táticos das duas forças no terreno, os combates travados, as características das tropas, o cenário onde se desenrolou a batalha, e finalmente como os franceses saíram derrotados e humilhados no final da contenda, batendo em retirada.

Coube ao Dr. João Paulo, a convite do Município de Mortágua, falar sobre o papel que Mortágua desempenhou no contexto desta batalha. Médico de profissão e a residir em Coimbra, o Dr. João Paulo tem raízes familiares em Mortágua, terra que visita com assiduidade e onde tem muitos amigos, além de que tem demonstrado um grande interesse pelos assuntos relacionados com a história, património e cultura de Mortágua.  

A sua intervenção teve o sugestivo título “Andaram por aí os Franceses...”, dando especial relevância à presença, permanência e movimentação das tropas francesas no concelho, uma vez que as tropas anglo-lusas estavam já pré-posicionadas no alto da serra do Bussaco, à espera do invasor.

O Dr. João Paulo, referiu que “é obrigatório falar de Mortágua quando falamos das Invasões Francesas” e considerou mesmo que Mortágua é injustamente pouco referenciado quando se fala das mesmas, quando afinal teve um papel preponderante, nomeadamente na movimentação das tropas francesas .

Lembrou que Mortágua tinha uma “posição estratégica” da maior importância, era um nó de comunicação para o litoral norte, centro e sul, daqui partindo três estradas nessas direções: a estrada real, em direção a Coimbra e Lisboa, a estrada da Moira em direção à Bairrada e Figueira da Foz e a estrada dos almocreves em direção a Águeda e Aveiro. Toda essa situação geográfica, explicou, “condicionou quer as manobras militares dos franceses quer a estratégia defensiva das tropas anglo-lusas”. As marcas deixadas pelos tropas francesas foram mais do que muitas, pois Mortágua foi das localidades do país onde os franceses mais tempo estacionaram, de 23 a 30 de setembro, à exceção das Linhas de Torres.

Além da batalha principal, referiu que há um episódio de confronto que é pouco conhecido e falado que é a “batalha de Mortágua”, que é assim designada nos artigos militares. Esse episódio relata o confronto entre o Batalhão de Caçadores 4 do Exército Português com o 2º Corpo do Exército Francês, comandado pelo General Reynier, e que teve lugar na serra do Meiral. O batalhão atacou a frente do Corpo Francês, causando baixas significativas, num ato de bravura e coragem que recebeu elogios de Wellington, o general inglês comandante das tropas anglo-lusas.

Do registo das movimentações das tropas francesas no concelho de Mortágua constam a sua permanência nas margens do rio Criz, onde montaram o seu quartel-general, o seu acampamento no Barril, a sua passagem pelas diversas aldeias de acordo com a movimentação dos corpos militares. O 2º Corpo Francês passou por Vale de Açores, Cortegaça, Benfeita, até ao Alcordal; outros Corpos seguiram as aldeias que levavam até Moura e Sula. Depois há ainda a retirada francesa pelo lado de Pala, passando por Macieira, Falgaroso da Serra, Painçal, Aveleira, Vale de Carneiro, em direção ao Boialvo. A cavalaria francesa estava estacionada na Benfeita. Os serviços de administração franceses estavam instalados em Mortágua, enquanto que os serviços de saúde do 2º Corpo Francês (hospital de campanha) estavam instalado no Alcordal e os do 6º Corpo em Vale de Ovelha. O quartel-general de Massena ficou na Moura, onde ainda estão vestígios do mesmo.

Quando chegaram às margens do rio Criz, as tropas francesas tiveram um contratempo. As tropas inglesas tinham destruído a ponte, no entanto a engenharia francesa em apenas dois dias reabilitou a estrutura, permitindo a continuação da viagem para Mortágua. Ao todo marcharam 23 mil homens, comandados pelo General Ney, a que se juntaram alguns dias depois mais 15 mil homens do 2º Exército, comandado por Loison.e depois o 8º Corpo comandado por Junot.

Os generais franceses, incluindo o próprio Massena, desconheciam a topografia do território da região, não tinham cartas topográficas rigorosas, “andavam às apalpadelas (como escreveu o General Marbot), o que constituiu uma vantagem para as tropas anglo-lusas. Além disso, Massena cometeu um erro grave, que viria a causar grandes perdas nas tropas francesas (calcula-se em 5 mil baixas, entre mortos, feridos e prisioneiros), ao colocar as suas tropas na parte baixa da serra, ao passo que as tropas anglo-lusas estavam posicionadas nas cumeadas, em posição claramente mais favorável para ripostar.

Na sua alocução, o Dr. João Paulo referiu-se também ao sofrimento passado pelas populações, em termos de perdas humanas, bem como em termos de privações e deslocações forçadas. As tropas francesas espalhavam a violência, a destruição e o terror à sua passagem, e apoderavam-se de tudo o que encontravam, fossem mantimentos, objetos de valor. Há até “estórias” que se contam desse tempo que relatam a preocupação de esconder os objetos de ouro das igrejas.

O Dr. João Paulo apoiou-se numa passagem do livro “O Pinheiro”, de Tomás da Fonseca, que descreve precisamente o medo e a fuga das populações, e como elas enterraram os seus víveres para que os franceses não encontrassem nada para se alimentar.

Por outro lado, como explicou, o General Wellington tinha ordenado uma política de “terra queimada”, que obrigava as populações a destruir ou a esconder os mantimentos. Por tudo isso, as populações sofreram bastante, as aldeias ficaram desertas. No total foram incendiadas 40 casas, foram mortos 108 civis, e a população do concelho baixou de 6 mil para 4 mil habitantes, devido ao êxodo das pessoas. Pelo menos 59 naturais de Mortágua participaram na batalha, integrados no Regimento de Milícias de Tondela.

Algumas aldeias entretanto desapareceram da toponímia, como Algido, Freirigo, Cadima, Póvoa da Catraia, sendo que nalguns casos é possível identificar a sua localização nos dias de hoje

Além destes factos históricos, o Dr. João Paulo fez menção a várias “estórias” e curiosidades que se contam à volta das Invasões, umas verdadeiras outras mais fantasiosas. Numa delas diz-se que à chegada à Aveleira os franceses pouparam a Capela, ao ver a imagem de Santo Amaro, que é um santo francês. Ás Invasões está também associada a origem da Lampantana, prato tradicional da gastronomia local. Conta-se que as pessoas teriam envenenado os poços e em alternativa usaram o vinho para confecionar a carne de ovelha.

Conta-se também que alguém terá escondido uma imagem vinda da Igreja do Sobral na zona de Chão de Calvos, e após a retirada dos franceses a terá de novo resgatada, e por essa circunstância terá sido ali erigida uma capela.

Na abertura e encerramento da conferência usaram da palavra os representantes de cada um dos municípios, a Dra. Fernanda Veiga, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Penacova, o Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, José Júlio Norte, e o Vice-Presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Guilherme Duarte.

Os três representantes referiram que estas comemorações conjuntas são um primeiro passo num projeto mais ambicioso, que se quer constituir como um fator de valorização e de diferenciação do território, como uma alavanca no desenvolvimento turístico e cultural do território.

O Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, José Júlio Norte, referiu que, além da proximidade geográfica, das boas relações institucionais e das gentes dos três concelhos, há um outro elemento comum que une os três concelhos que é a Batalha do Bussaco. Segundo Júlio Norte, esta união dos três concelhos permite dar escala ao projeto e pode representar uma nova etapa no desenvolvimento turístico e cultural da região, potenciando outros pontos de interesse, destacando nomeadamente a gastronomia e os seus três L`s, a saber: a Lampantana (Mortágua), a Lampreia (Penacova) e o Leitão (Mealhada).

Júlio Norte lançou a ideia ou desafio de ser feito um levantamento dos trilhos por onde passaram as tropas, criando algo semelhante aos “caminhos de Santiago”, com a devida sinalização dos locais de passagem e a sua interpretação. O Presidente da Câmara agradeceu ainda a disponibilidade e colaboração do Dr. João Paulo, considerando-o um amigo de Mortágua e uma pessoa que se interessa pela história e cultura do concelho, realçando a sua participação cívica em várias iniciativas municipais e os seus contributos na cedência de documentação e no estudo de temas relacionados com a história do concelho.

Em conclusão, pode dizer-se que os presentes saíram mais esclarecidos e enriquecidos com as palestras dos três oradores convidados, com uma visão mais completa do que foi a Batalha do Bussaco e do seu impacto nesta região, e não temos dúvidas de que despertou nos presentes uma maior curiosidade sobre esse acontecimento.

 


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