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Vinte e dois anos depois, Mortágua reviveu Cortejo Etnográfico

2014-10-07
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Vinte e dois anos depois, Mortágua voltou a organizar um Cortejo Etnográfico, uma mostra dos usos e costumes, das tradições, actividades agrícolas e ofícios artesanais que no passado integravam o quotidiano e modos de vida das populações do concelho. A iniciativa, realizada no dia 5 de outubro (domingo), foi promovida pelo Município, em colaboração com as Associações do Concelho.

O desfile dos carros alegóricos teve concentração e início junto ao Centro de Animação Cultural, percorreu a Rua Dr. João Lopes de Morais, Avenida Assis e Santos, Rua Tomás da Fonseca, voltou pela Rua Dr. João Lopes de Morais e terminou na Praça do Município, tendo sido acompanhado por centenas de pessoas.

 

A abrir o cortejo estiveram elementos dos quatro grupos folclóricos do concelho (Os Unidos, Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores, Rancho Folclórico Os Irmânicos da Marmeleira e Rancho Folclórico do Freixo, vestidos com os trajes da época.

Mais de uma centena de participantes pertencentes a nove Associações do concelho, integraram o Cortejo.

A Associação de Macieira e Tarrastal trouxe a arte da cestaria representada pelo "Ti Henrique Poceireiro", que continua a manter viva esta arte ancestral de moldar o vime, utilizada para fabricar poceiros e cestos.

“Gosto muito de fazer isto. Antigamente havia mais trabalho porque não havia o plástico como hoje. Mandavam fazer poceiros para a azeitona, as uvas, os cereais, para quase tudo”, contou-nos.

Outro quadro representou a apanha e escolha da azeitona, com recurso às varas, aos ganchos e ao erguedor manual. “Põe-se a azeitona no cimo do erguedor, bate-se com um pau por baixo, e ela cai limpinha na gamela e a folha cai no chão”, explicou-nos Maria da Graça. Não faltaram também as medidas e a almotolia com que se deitava o azeite nas batatas.

A Associação da Gândara recordou a actividade tradicional da olaria, que é um ex-libris da povoação.

As pessoas puderam assistir ao vivo à moldagem do barro na roda de oleiro e à pintura das peças com as cores características, que eram o branco, o amarelo e o verde.

Terra de barreiros, na Gândara desenvolveu-se uma olaria tradicional de cariz familiar, que passou de geração em geração. Há mais de uma dezena de anos a arte deixou de ter continuidade. “Faziam-se peças simples e utilitárias, desde alguidares, assadeiras, cântaros, panelas, pichorras para a água, os pratos, as caçoilas. Mais tarde começou-se também a fazer peças mais decorativas”, contou-nos Maria do Carmo.

O Rancho Folclórico Os Unidos recordou o hábito de lavar a roupa no rio. A roupa era lavada sobre uma pedra, com sabão rosa ou azul, posta a corar e finalmente a secar, estendida nos salgueiros ou em arames. “Era num local chamado as vezadas e onde era o matadouro antigo, era por esses locais que se lavava”, lembrou Teresa Fernandes, natural de Mortágua.

Outra profissão recreada foi a do serrador de madeira, o homem que trabalhava nas matas do concelho. Lembramos que nesses tempos a nossa floresta era maioritariamente constituída por pinho, que alimentava as várias serrações do concelho. Era um trabalho duro, que exigia muita força braçal.

O Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Irmânicos” escolheu como tema o ciclo do pão, evocando o papel que os moleiros desempenhavam outrora na economia local. Na recreação não faltou o burrico carregado com as taleigas, com a ajuda do qual o moleiro percorria as povoações a buscar o milho e depois a trazer a farinha. Ao vivo foram representadas as tarefas que se seguiam para obter o pão: peneirar a farinha, amassar com o crescente (fermento) e tender o pão, até levar finalmente ao forno de lenha. Na zona da Irmânia existiam vários moinhos junto às ribeiras.

O Rancho Folclórico do Freixo homenageou a figura do sapateiro. No carro estava montada uma oficina de sapateiro, com todos os utensílios e materiais que eram usados nesta profissão. “Antigamente as pessoas tinham pouco dinheiro e mandavam consertar os sapatos, punha-se umas tombas, umas solas, e assim duravam mais uns tempos”, contou Rui Alberto Rosa, mais conhecido por “Fanfa”. Hoje em dia é quase impossível manter esta actividade, diz: “Basta os sapatos estarem um pouco gastos, deitam-se fora e compram-se uns novos” e aproveitou para tirar as medidas ao pé do Sr. Presidente da Câmara para fazer umas botas "mexicanas".

A Associação de Vale de Paredes trouxe a arte do resineiro, actividade muito importante noutros tempos em termos económicos e que ocupava muitas pessoas, homens e mulheres. Os homens tinham a tarefa de sangrar o pinheiro, colocar as bicas, e as mulheres eram responsáveis pelo transporte das latas da resina á cabeça, que iam depois para as fábricas, para fazer algarraz, ceras.

A Associação de Caparrosinha representou ao vivo uma descamisada e malhada, com o cenário de uma eira, o espigueiro e a barraca onde se guardavam os utensílios.

Enquanto os homens iam batendo as espigas com os manguais, as mulheres iam descamisando as espigas, e cantando, porque a descamisada era vivida em ambiente de festa. De vez em quando lá aparecia uma espiga vermelha. Quando era um rapaz que a encontrava, tinha direito a um beijo das raparigas. E dizia-se este verso quando se chegava ao pé de cada rapariga: “ Tenho uma espiga vermelha, criada no meu jardim, se eu te pedir um beijo, a menina diz que sim”, recorda Arménia Pardal.

Para a recriação ficar completa não podia faltar a tradicional “Bucha”, que foi partilhada com os populares. “A Bucha era servida a meio da descamisada e normalmente consistia em sardinha com capa, chouriço, azeitonas, broa, e vinho ou jeropiga”, contou-nos Luís Ferreira. Não faltaram também as cantigas, as danças , as brincadeiras (como o jogo do lenço) que eram habituais nestas actividades. Nas descamisadas ou desfolhadas arranjavam-se por vezes namoricos.

 

A Associação Felgueirense homenageou o ferreiro, que noutros tempos era o responsável por fabricar os utensílios para trabalhar a terra, como os farpões, as enxadas, as roçadoiras. A recreação mostrou ao vivo o trabalho com a forja, a safra,a bigorna, com que o ferreiro fabricava aqueles utensílios, tudo manualmente. O ferreiro no sentido tradicional já praticamente não existe, tendo dado lugar às actuais serralharias.

O Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores recriou ao vivo as vindimas. Os cachos iam sendo cortados de uma parreira e metidos na dorna. Pipos, cântaros, poceiros, completavam o quadro apresentado.

O Presidente da Câmara Municipal, José Júlio Norte, referiu que foi com emoção que reviveu um evento a que assistiu há vinte e dois anos, como muitos mortaguenses. “Nesse tempo era mais fácil de organizar do que hoje, porque os tempos são muito diferentes, por isso mesmo ainda temos de valorizar mais este trabalho admirável das nossas Associações, que encantou toda a gente. Acho que ninguém ficou indiferente ao que aqui se passou, um trabalho feito com todo o rigor e fidelidade às tradições” E afirma: “Nós devemos sentir orgulho do nosso passado, do nosso património, da nossa cultura, que ajudaram a construir a nossa identidade como povo, o que somos hoje e portanto o que seremos amanhã. Devemos tentar preservar o património material e imaterial que temos no nosso concelho, sejam os utensílios, os cantares, as danças, as tradições orais, porque representam vivências, testemunhos, legados e pedaços da nossa Historia”.

E destaca o trabalho que está a ser feito por algumas associações, com a colaboração do Município, na recolha, divulgação e preservação deste património, dando como exemplo o Parque Temático de Vale de Mouro, já a funcionar, e o futuro espaço museológico do Rancho dos Irmânicos, que está a ser instalado na antiga Escola Primária da Marmeleira.

O Cortejo suscitou reacções de curiosidade, nos mais novos, e recordações, memórias e emoções, nos mais velhos, porque fez reviver lembranças da juventude e como diz o ditado, “recordar é viver”. Cabe às gerações mais novas não deixar morrer este património e esta herança que nos foram legados pelas gerações anteriores.

 


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