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Fórum Florestal de Mortágua debateu desafios e oportunidades do setor

2014-06-12
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Integrado na Expomortágua, realizou-se no passado dia 7, mais uma edição do Fórum Florestal de Mortágua, promovido pelo Município, contou com a presença de cerca de 160 participantes ligados à fileira florestal, desde a produção, exploração, transformação, comercialização e prestação de serviços.

Neste fórum foram debatidos dois grandes painéis: o primeiro sobre a “Biomassa Florestal e o Aproveitamento Bioenergético” e o segundo sobre “Estratégias e Práticas Empresariais para a Sustentabilidade do Mercado Florestal”.

Na abertura dos trabalhos, o Presidente da Câmara Municipal, José Júlio Norte, deu as boas vindas aos participantes e oradores convidados e destacou o “peso muito grande que a fileira florestal, abrangendo as madeiras e as energias renováveis, tem na economia do concelho”.

Além do setor tradicional da madeira, sobretudo do eucalipto, destacou também a importância crescente que o setor da biomassa florestal tem hoje no conjunto da fileira no concelho, e a esse propósito informou que o Município pretende implementar o Plano Municipal para a Biomassa Florestal no sentido de promover a sustentabilidade energética à escala municipal. Um projeto que passa pela reconversão de sistemas a gás natural e a diesel utilizados em equipamentos municipais, substituindo-os por sistemas a pelets. “Temos biomassa em quantidade, temos uma grande unidade industrial de pelets, temos empresas em Mortágua que fabricam equipamentos de queima de pelets, além de que poderemos obter reduções de custos na ordem dos 50%. Desta forma, estamos a valorizar um produto endógeno, a ajudar as nossas empresas, a reduzir custos energéticos e a caminhar para a sustentabilidade”, afirmou.

O primeiro painel, dedicado ao tema da Biomassa Florestal, teve como moderador o Eng.º Gil Patrão. Foi Diretor do Centro de Biomassa para Energia e Administrador da EDP Produção – Bioelétrica (gestora da Central Termoelétrica de Mortágua), sendo uma pessoa que conhece bem a realidade florestal de Mortágua.

Gil Patrão começou por referiu que a floresta em Mortágua é “um caso ímpar no panorama nacional, porque é geradora de riqueza e de criação líquida de postos de trabalho”.

Na sua intervenção, defendeu medidas de âmbito fiscal que incentivem quem queira investir na floresta e considerou fundamental “uma melhor repartição da riqueza gerada pela floresta”, para não comprometer a disponibilidade futura de madeira”, numa alusão ao preço atualmente pago pela indústria ao produtor. Por outro lado, lembrou a Estratégia da União Europeia que aponta para que o consumo de energias renováveis venha a representar 27% da energia, afirmando que “é um desafio e uma oportunidade real que deve ser aproveitada”.

O primeiro painel foi dedicado ao tema da Biomassa Florestal. A Engª. Tânia Ferreira, Investigadora na Universidade do Porto e no Instituto Politécnico de Viseu, debruçou-se sobre a situação energética no país, a disponibilidade da biomassa e o mercado dos pelets a nível nacional e europeu.

Esta Investigadora referiu que a utilização da biomassa como combustível tem diversas vantagens (económicas, sociais e ambientais), e pode permitir a Portugal reduzir a sua elevada dependência energética do petróleo, ao mesmo tempo criar emprego e reduzir as emissões com efeito estufa. E apontou a utilização energética da biomassa como uma “alternativa válida” a nível dos sistemas de aquecimento e arrefecimento do ambiente e aquecimento de águas.

A disponibilidade de biomassa para fins energéticos em Portugal não é suficiente para responder às necessidades a médio / longo prazo: “a disponibilidade é inferior a 3 milhões de ton/ano, enquanto as necessidades são superiores a 4,4 milhões”. Na sua opinião, a solução para ultrapassar este déficit pode passar por utilizar e valorizar para fins energéticos, nomeadamente para a produção de pelets, algumas espécies consideradas invasivas ou infestantes, como a mimosa, ou recorrer a culturas dedicadas, como o choupo, a paulónia e o eucalipto, com o objetivo de aumentar a disponibilidade de biomassa.

O Eng. Pedro Serra Ramos, presidente da ANEFA – Associação Nacional das Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, referiu que a produção nacional de biomassa é de 1 milhão do toneladas/ano e as necessidades são superiores, na ordem dos 1,2 milhões de toneladas. Segundo este responsável, “as pelets não são uma moda, vieram para ficar”, e apontou o exemplo de alguns países para os quais exportamos pelets e que tem previstos projetos para duplicar ou mesmo triplicar o seu consumo até 2020.

Relativamente à madeira, e concretamente ao eucalipto, referiu que o desafio passa por aumentar a média da produtividade dos povoamentos para que o consumo nacional, que é de 7 milhões de m3, seja compensado e não haja necessidade de recorrer a importações de madeira. O que passa pelo preço pago pela madeira, entre outros fatores: “Nós temos a madeira mais cara da Europa mas é também a madeira mais barata que chega às fábricas, comparativamente à madeira que é importada pela industria”. E acrescentou:. “Se se desse mais alguma “coisinha” a quem trabalha na floresta, isso iria impulsionar a que as pessoas tratassem melhor da floresta”.

Em jeito de síntese, salientou que o desafio que se coloca ao produtores e à industria passa por “plantar, gerir e sobretudo gerir bem”.

O segundo painel foi dedicado à Sustentabilidade da Fileira Florestal e da Indústria que lhe está associada, tendo sido moderador o Eng. Armando Goes, presidente da CELPA - Associação da Indústria Papeleira.

O moderador fez uma caracterização da indústria nacional, referindo que os principais grupos económicos produzem cerca de 3 milhões de toneladas de pasta de papel e que a indústria portuguesa está no pelotão da frente a nível da produção, qualidade do produto e investimento.

Por outro lado, esclareceu que os ciclos florestais são longos e as relações de custos -benefícios não podem ser vistas num prazo de 4 ou 5 meses, mas dentro de um determinado ciclo produtivo e económico e de contexto, que é maior.

O Eng. António Marques Pinho, do Grupo ALTRI, abordou a questão da quantidade e qualidade de matéria-prima necessária à indústria nacional. Antes de entrar no tema, começou por referir que Mortágua pode ser apontado como uma referência positiva na forma de tratar a floresta.

Segundo este responsável, a indústria nacional debate-se com o problema da falta de matéria -prima, havendo um déficit de cerca de 1 milhão de m3 entre a produção e o consumo, que tem sido superado com importações (2,3 milhões de m3 em 2013).

O aumento da produtividade é crucial para a fileira e para a economia do país, sustentou, e o déficit de matéria-prima face à procura global representa “uma oportunidade para os atuais e para os futuros produtores no sentido de investirem nesta área”.

Como estratégia para a sustentabilidade da fileira apontou os seguintes caminhos: “aumento da produção nacional de madeira, custos de produção mais competitivos, apoio ao pequeno produtor para a melhoria da rentabilidade das suas explorações e aumento da área de madeira certificada”. E além destes fatores, “produzir bem para sermos competitivos”.

O Eng. Vítor Coelho, Administrador da Área Florestal do Grupo Portucel Soporcel, abordou as fileiras florestais na economia nacional, os mercados globais de pasta de papel, bem como as ameaças e desafios que se colocam à sustentabilidade e competitividade das fileiras florestais e indústria florestal portuguesa.

Segundo este responsável, as fileiras florestais representaram 9,4% das exportações nacionais em 2013, sendo o 4º grupo exportador e um setor altamente relevante para a economia nacional. As exportações das fileiras florestais cresceram de cerca de mil milhões de euros em 2005 para 2,1 mil milhões em 2013, sendo que a fileira das pasta de papel representou 52% do valor total.

“Há outros setores com mais volume de exportação mas têm um saldo da balança comercial negativo, ou seja, importamos mais do que exportamos, o que não acontece na fileira florestal”, destacou.

Quanto à evolução a nível mundial, referiu que o setor da pasta de papel e da pasta de mercado regista uma contração do consumo nos mercados mais tradicionais, Europa e Estados Unidos, e uma deslocação para os mercados emergentes, como a Ásia e sobretudo a China.

“O mercado europeu da pasta de celulose deve ser competitivo na exportação, porque está a haver uma reestruturação do negócio do papel de impressão e escrita, o mercado de papel tem de adaptar-se a isso”.

O mercado da pasta de papel continuará a crescer. “Nós estamos a expandir a capacidade porque acreditamos que há oportunidades e acreditamos na fileira industrial nacional”, dando como exemplo o projeto da Portucel Soporcel de aumento da capacidade da fábrica de Cacia, em 160 mil toneladas, num investimentos de 56 milhões de euros. Um projeto que irá estar concluído em junho de 2015.

A fileira florestal, enfatizou, é absolutamente estratégica para o futuro do nosso país. “É fortemente exportadora, é líder de mercado nalguns segmentos de atuação, recorre sobretudo a matéria-prima de origem nacional, incorporando valor acrescentado muito superior a qualquer outro setor exportador, cria emprego direto a cerca de 135 mil pessoas, contribui para a fixação de pessoas em regiões desfavorecidas onde o risco de desertificação é maior, e mitiga as alterações climáticas”.

No entanto o país precisa de ser mais competitivo nesta área, face à forte concorrência que vem do Brasil e da América Latina. “Torna-se necessário um aumento da oferta de matéria-prima nacional através do aumento da área florestal e da promoção de uma gestão florestal sustentável”.

O setor industrial propõe quatro grandes reformas estruturais: promover e capacitar formas de gestão agrupada, profissional e certificada; desenvolver a investigação, a formação e a extensão (o aumento da produtividade), tornar positiva a rentabilidade individual da produção florestal, através de incentivos ao investimento, e reformar o modo de governação do setor florestal, “não é aceitável que quem queira arborizar uma área que possua demore 250 ou 300 dias para obter a resposta no emaranhado de burocracia que todos sabem que é a nossa legislação e o calvário de passos que tem de se dar”, disse.

Como balanço final deste Fórum, o Presidente da Câmara destacou uma evidência e um ponto que pareceu reunir consenso. Há necessidade de matéria-prima e potencial para o setor da fileira florestal crescer e melhorar a sua produtividade, mas para tanto é fundamental que a madeira seja valorizada em termos de preço pago ao produtor.

Após o Fórum, os participantes seguiram para o almoço volante, que teve lugar no recinto da Expomortágua, sendo também uma oportunidade de visitar a Feira e assistir a algumas demonstrações de equipamentos.

 

 


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