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“E o povo saiu à rua” para comemorar os 40 anos do 25 de Abril

2014-04-29
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Como há 40 anos, o 25 de Abril foi assinalado na rua, pelo povo, em ambiente de festa popular, revivendo aquele dia em que se soltaram as vozes e os pensamentos. A Praça 25 de abril foi o centro das comemorações, juntando centenas de pessoas.

As comemorações, organizadas pelo Município, decorreram na noite de 24 e madrugada de 25, assinalando os primeiros momentos da operação militar comandada pelos capitães que haveria de derrubar o regime fascista no dia seguinte.

Recorde-se que foi pelas 22h do dia 24, que os Emissores Associados de Lisboa transmitiram “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, a senha para que as forças revoltosas saíssem dos quartéis.

Pelas 00:20 A Rádio Renascença emitia “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, senha que confirmava o desencadear das operações.

Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 diversas unidades militares de Lisboa e arredores, aderentes ao M.F.A., rumaram em direção a pontos estratégicos em Lisboa, a revolução de abril estava em marcha.

Essa madrugada, como escreveu Carlos Ary dos Santos, no poema “As portas que abril abriu”, Era a semente da esperança /feita de força e vontade/era ainda uma criança /mas já era a liberdade. “

Associações organizaram percursos (Caminhada, BTT e Moto), que culminaram na Praça 25 de Abril

As comemorações tiveram uma grande participação popular e das associações, que organizaram três percursos, a pé, de bicicleta e de moto, com partida em vários pontos do concelho e confluência na Praça 25 de Abril. A caminhada partiu de Monte de Lobos e Vila Meã, o percurso de BTT da Felgueira, Freixo e Marmeleira e o percurso de moto saiu da Sobrosa, envolvendo várias centenas de participantes. A estes juntaram-se todos aqueles que quiseram celebrar o 25 de abril, na rua, em ambiente de festa e comunhão fraterna, como naquele dia único e inesquecível!

À chegada, todos os participantes foram brindados com a designada “Ceia da Liberdade”.

A música esteve a cargo do grupo Cordas Partidas, formado por jovens de Mortágua, e Grupo de Fados “Noites de Coimbra”, formado por antigos alunos da Universidade de Coimbra. As canções de Zeca Afonso (“Grândola Vila Morena”, “Venham mais cinco”, “Traz um amigo também”, “E o que faz falta”, Canção de embalar”), entre outros temas, dominaram o repertório apresentado pelos dois grupos.

Quando os relógios bateram a meia-noite houve o lançamento de Fogo de Artificio, marcando a entrada no dia que abriu as portas à Liberdade e à Democracia.

É de destacar que a canção foi uma “arma” de contestação ao regime da ditadura. Algumas letras de músicas e de poemas, estavam cheias de ironia, e havia nelas muitas mensagens encriptadas, críticas subtis, que era uma forma de contornar a censura.

O Presidente da Câmara Municipal, José Júlio Norte, referiu na sua intervenção, que “não é possível, a quem sentiu as amarras da opressão, falar da liberdade, sem o devaneio da revolução, sem relembrar o rasgar do conformismo, o rebentar das grilhetas da ditadura”.

O 25 de abril, lembrou, trouxe a Liberdade, a Democracia, direitos cívicos e sociais que até então eram negados: “a abril devemos a liberdade e a possibilidade de escolher, sem constrangimentos, o nosso destino individual e coletivo; o fim de uma Guerra Ultramarina de mais de 13 anos, contrária à vontade do povo e que destruiu o sonho de milhares de jovens; a conquista dos direitos dos trabalhadores; a conquista do Poder Local que trouxe o desenvolvimento a todas as localidades do País e melhores condições de vida aos portugueses.Ao 25 de Abril devemos a concretização dos três d´s: democratizar, descolonizar e desenvolver”.

Por outro lado, destacou o facto, quase único na história das revoluções, de ter sido “uma Revolução pacífica, em que as balas foram trocadas por cravos nos canos das espingardas… os cravos da Liberdade!”.

Volvidos 40 anos do 25 de Abril, enfatizou no entanto, “que é preciso manter viva a chama da democracia e afirmar com toda a força os valores de abril: Liberdade, Paz, Democracia e Justiça Social”.

 


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