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Exposição na Biblioteca Municipal evoca os cem anos passados sobre o início da 1ª Grande Guerra

2014-04-07
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Está patente na Biblioteca Municipal, até ao próximo dia 22, a exposição “A Grande Guerra e a Literatura”, que pretende assinalar os 100 anos sobre o início daquele magno acontecimento histórico. Uma exposição comissariada por José Valle de Figueiredo, poeta, crítico literário e membro da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

A Exposição, organizada pelo Município, pode ser analisada em três secções: Mortágua na Grande Guerra, Portugal na Grande Guerra e a 1ª Guerra no Mundo.

Na secção relativa a Mortágua na Grande Guerra são dados a conhecer alguns nomes de mortaguenses, aqui nascidos ou radicados, que combateram naquele conflito. Alberto Pires, natural da Gândara, foi para a guerra em 1916, tendo desembarcado em Pas-de -Calais (França).

Uma “Carta Postale”, escrita de França, enviada à sua amada (futura mulher), enquanto combatente, é um dos documentos que testemunha a sua passagem pela guerra. Outro nome é António Joaquim Gonçalves, natural do Vimieiro, Santa Comba Dão. Ferreiro de profissão, estabeleceu-se em Vale de Açores, tendo contraído matrimónio com Albertina Maria Ferraz.

Nesta secção merece também destaque um poema escrito por Tomás da Fonseca, intitulado “A canção do soldado”.

Outra secção é dedicada à presença de Portugal na Grande Guerra. Entre a diversa bibliografia exposta, encontramos livros de História de Portugal e enciclopédias sobre aquele período. Merecem uma referência especial os “Postais da Primeira República”, uma compilação de bilhetes-postais, produzidos entre 1910 e 1926, seleccionados pelo Prof. Doutor António Ventura.

Num desses postais pode ler-se que, para celebrar o fim da guerra, por todo o país se plantaram árvores, em diversos actos públicos.

Há também fotos do General Tamagnini, comandante do Corpo Expedicionário Português em França e do famoso soldado Aníbal Milhais (que ficou conhecido por soldado Milhões), devendo esse alcunha à sua valentia na batalha de La Lys.

Finalmente outra secção é constituída por exemplares da revista “Ilustração Portuguesa”, publicados entre 1914 e 1917. No seu interior encontramos fotos que aludem às partidas para a guerra, as mobilizações dos corpos expedicionários, a preparação das armas, cenários de combate, bem como artigos que dão conta do andamento da guerra no terreno e os seus principais protagonistas.

Algumas fotos de capa retratam o momento doloroso da separação dos soldados das suas famílias. Numa delas encontramos a seguinte legenda: “o abraço da despedida: partida do soldado portuguez par defender a patria, animando sua velha mãe, encostada ao peito com um sorriso, mixto de ternura, de coragem e da consciência do dever”. Muitas das fotos referem-se à presença de soldados portugueses em França.

Este material bibliográfico (Ilustração Portuguesa) faz parte do espólio doado à Biblioteca Municipal pelo Padre José Rodrigues Ferreira (Padre Zé), do Barril. Entre os livros doados está um pequeno livro, já muito degradado, sobre a Grande Guerra, intitulado nas “Trincheiras da Flandres”, de 1917, da autoria do Capitão Augusto Casimiro.

Estão ainda expostos títulos de livros, antigos e actuais, sobre a Grande Guerra, além de poemas de Hernâni Cidade (Pátria dolorosa”), João de Barros (Oração à Pátria) e Augusto Casimiro (“Oração aos Soldados” e “Pátria”).

Em Portugal são várias as obras escritas por autores que, eles próprios, foram também combatentes, como Augusto Casimiro, Jaime Cortesão, André Brun, António de Cértima, Carlos Selvagem, entre outros.

Afonso Lopes Vieira, António Sardinha, António Botto, João de Barros, João Grave, Tomás da Fonseca, são nomes grandes da literatura nacional que também trataram a Grande Guerra, celebrando os feitos portugueses e honrando a Pátria em que nasceram.

É de referir ainda letras para canções, como o “Fado das Trincheiras”, popularizado por Fernando Farinha.

Na literatura portuguesa mais contemporânea pode-se referir as obras “Crónicas de Guerra - Da Crimeia a Dachau, e “Filha do Capitão”, de José Rodrigues dos Santos.

Na literatura mundial podem-se referir obras como “A Oeste Nada de novo”, de Erich Maria Remarque”, “Adeus às Armas” de Ernest Hemingway e “Tempestades de Aço” de Ernst Junger.

Esta exposição, tendo um objectivo documental e literário, não deixa de ser um forte contributo para conhecer melhor a participação portuguesa naquele conflito europeu e um período da História de Portugal.

 


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