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Biblioteca Municipal comemorou 10 anos de vida com Júlio Magalhães

2014-03-03
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Júlio Magalhães, jornalista, escritor e um dos rostos mais conhecidos da televisão portuguesa, esteve em Mortágua no passado dia 27, como convidado de honra da comemoração do 10º aniversário da Biblioteca Municipal. O auditório da Biblioteca encheu-se de público para ouvir o escritor falar dos seus livros, mas também da sua experiência de trabalho na televisão e outros assuntos da actualidade.

Coube ao Presidente da Câmara Municipal, José Júlio Norte, dar as boas-vindas ao convidado e fazer a apresentação biográfica do convidado, salientando, para além do seu percurso jornalístico, televisivo e literário, a sua dedicação a causas sociais, a sua disponibilidade para ajudar os outros.

Na sua conversa com os leitores, Júlio Magalhães referiu que não se sente um escritor ou intelectual das letras como outros nomes famosos da escrita, mas sobretudo como um jornalista, um contador de histórias.

Falou sobretudo do seu primeiro livro, o romance “Os retornados: Um Amor Nunca Se Esquece”, uma história de amor que tem como cenário os conturbados momentos finais de uma África portuguesa. Este, como os outros livros já publicados, são inspirados ou baseados em histórias reais de vida que ouviu ou lhe contaram. No caso deste primeiro romance trata-se mesmo de uma história vivida pelo próprio, uma vez que viveu praticamente toda a sua infância em Angola e depois regressou a Portugal em 1975, naquela que foi a maior ponte aérea alguma vez feita entre Portugal e as ex-colónias portuguesas. O livro, que já vai na sua 19ª edição, foi um grande sucesso de vendas, com mais de 100 mil exemplares vendidos.

Júlio Magalhães reconheceu que o sucesso dos seus livros deve-se muito à visibilidade e reconhecimento público dados pela presença na Televisão, no entanto confidenciou que “a televisão dá-nos uma dimensão que verdadeiramente não temos. Torna-nos conhecidos, torna-nos pessoas diferentes das outras, porque aparecemos na televisão. Trabalhar na Televisão deu-me uma dimensão intelectual e pessoal que não corresponde verdadeiramente à realidade do que eu sou no dia-a-dia. Eu sou uma pessoa normal, simples, não tenho a dimensão intelectual e pessoal que a grande maioria dos autores tem”. “Mas fico feliz, apesar de tudo, por poder aliar a esse reconhecimento que a televisão nos dá a possibilidade de também falar de livros, de leitura, de televisão”, acrescentou.

 Desafiado por uma editora para escrever um livro, o autor contou que teve alguma dificuldade em iniciar essa empreitada. Em primeiro lugar, porque não sabia se tinha essa capacidade para escrever uma obra literária; em segundo, porque não era a sua área de eleição (jornalismo) e em terceiro porque tinha medo de se sujeitar e expor a um mercado que é muito difícil. Acabou por aceitar o desafio da editora, mas com algumas premissas, a saber: que fosse um livro com carácter jornalístico, versasse sobre um tema acerca do qual tivesse algum domínio ou conhecimento razoável e finalmente ter uma linguagem simples e directa, que todos compreendessem.

Numa noite escreveu as primeiras 20 páginas e a partir daí não mais parou. Enviou o livro para a responsável da editora, que logo anteviu ali um potencial best-seller.

“Foi o primeiro livro que falou verdadeiramente daquelas pessoas. Havia muitos livros sobre o que foi a Guerra Colonial, a descolonização, mas não havia nenhum livro que falasse sobre as pessoas que vieram de Africa, que perderam tudo o que tinham e tiveram que reconstruir toda uma vida, e a forma como as que cá estavam também viveram esses acontecimentos”.

Desde esse primeiro livro ganhou o gosto de escrever um livro por ano. Publicou mais quatro romances, também com grande aceitação do público: “Um Amor em Tempos de Guerra”, que considera o seu melhor livro, “Longe do Meu Coração”, “Por Ti Resistirei, e o titulo mais recente “Não Nos Roubarão a Esperança”.

“Os meus livros não são intelectualmente profundos nem com uma escrita rebuscada. São directos, com uma linguagem simples e com carácter jornalístico”. Além disso, são livros que falam de histórias verdadeiras, em que muitas pessoas se revêm, como sejam os dramas vividos pelos retornados, os emigrantes na década de 60 ou os combatentes do ex-Ultramar.

Escrever livros, disse, tornou-se uma forma de equilíbrio, uma defesa, contra o mediatismo da televisão e o “apagar das luzes” que mais tarde ou mais cedo chegará. 

No final da apresentação, Júlio Magalhães recebeu várias lembranças oferecidas pelo Município, bem como um desenho do seu retrato, a preto e branco, da autoria da jovem mortaguense Daniela Martins. Seguiu-se a sessão de autógrafos, dezenas de livros passaram pelas mãos de Júlio Magalhães.

 Após a conversa, seguiu-se o Jantar Literário, que teve lugar no andar superior do Centro de Animação Cultural, e que contou com a presença do convidado, Presidente da Câmara, Vereadores e as 90 pessoas que se inscreveram no mesmo.

No decorrer do Jantar aconteceram vários momentos literários e musicais. Ursula Portugal leu e representou, com algum humor à mistura, excertos de várias obras do autor. O momento musical iniciou com a interpretação de três temas instrumentais e originais de Fernando Mendes: Zé da Velha, Jardim Ubá e Samba Instantâneo.

Fernando Mendes (viola e voz), Luísa Santos (voz) e Ricardo Vicente (voz e fliscorne) interpretaram vários temas, passando pelo fado e pela música de vários cantautores portugueses, finalizando com o tema “Porto Sentido”, de Rui Veloso, dedicado especialmente ao convidado da noite.

  

No final cortou-se o bolo de aniversário e cantaram-se os parabéns à Biblioteca.

De referir que neste dia foi também inaugurada a exposição “10 anos em Viagem”, uma retrospetiva das principais  actividades e projectos desenvolvidos pela Biblioteca Municipal nestes dez anos de existência. São algumas centenas de imagens afixadas nas paredes da Biblioteca, como auditório, átrio, escadaria, varanda, que documentam actividades internas e de itinerância de promoção do livro e da leitura, envolvendo os utentes da Biblioteca, mas também as escolas e a população em geral, com um objectivo muito claro: fomentar a literacia, o gosto pela leitura e pelo conhecimento.

A Exposição pode ser visitada até 15 de março.

 


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