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TEATRO

2013-12-05
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

Escola da Noite apresentou “Novas diretrizes em tempo de paz,” no Centro de Animação Cultural

A Escola da Noite, companhia de teatro sediada em Coimbra, apresentou no passado dia 4, no Centro de Animação Cultural, o espetáculo “Novas diretrizes em tempo de paz”, da autoria de Bosco Brasil. A apresentação inseriu-se nas “Noites Quentes”, programa cultural promovido pelo Município, idealizado para as noites de outono e inverno, que pretende diversificar e dinamizar a oferta cultural e captar novos públicos.

Com encenação de António Barros, trata-se de uma peça construída à volta de um cenário simples (uma mesa, uma máquina de escrever, duas cadeiras) e dois atores em palco, Igor Lebreaud e Miguel Lança, que dão vida às duas personagens.
A história passa-se em 18 de abril de 1945, quando a 2ª Guerra Mundial está perto do fim. Um emigrante polaco, Clausewitz, desembarca no Rio de Janeiro em busca de uma nova vida como agricultor. No cais é colocado perante Segismundo, um oficial de alfândega que desconfia das intenções de entrada de Clausewitz no Brasil. Sem o salvo-conduto assinado por Segismundo, Clausewitz será obrigado a voltar no cargueiro e a seguir viagem. Para a obtenção desse salvo- conduto, Segismundo propõe um desafio ao estrangeiro, o que leva as duas personagens a confrontar as suas memórias: de um lado um ator que perdeu os seus familiares e amigos, do outro um ex-torturador que sempre cumpriu ordens.
Nesse desfiar de lembranças, somos levados a perceber que há diferentes formas de se não ser livre, e que até um torturador que sempre se limitou a cumprir ordens pode ser um escravo do poder, no fundo, um ser não livre, um mero executor subserviente.
E que portanto a fronteira entre ser livre e não ser livre é por vezes uma questão de perspetiva, e que o opressor também pode ser ao mesmo tempo um oprimido, o carrasco pode ser tão ou menos livre que a vítima, dependendo do que se entenda por liberdade.

Este texto traz-nos à memória a ação de homens bons e corajosos, como o cônsul português Aristides de Sousa Mendes, que durante a 2ª Guerra Mundial concedeu, à revelia do governo de Salazar, milhares de vistos a estrangeiros, permitindo-lhes escapar ao holocausto nazi.

Apesar do contexto histórico em que decorre, esta é uma peça da maior atualidade, porquanto a questão dos refugiados, dos exilados, por razões políticas, perseguição religiosa, étnica, fuga da miséria, da guerra, é uma triste realidade nos nossos dias. De acordo com o Relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, estimava-se que, no final de 2011, 42,5 milhões de pessoas tinham involuntariamente deixado as suas casas ou permanecido no exílio, devido a ameaças de perseguição, sérias violações de direitos humanos ou conflitos. Além disso, perto de 12 milhões de pessoas em todo o mundo não têm uma de nacionalidade e estão desprovidas de direitos enquanto cidadãos.
Atualmente temos o exemplo dos milhões de sírios refugiados em países vizinhos, fugindo da guerra civil, ou o drama das deslocações de pessoas do Norte de África que aportam a Lampedusa, no sul de Itália, fugindo da guerra ou em busca da “terra prometida”.

Esta peça que estreou em 2001 no Brasil, com grande reconhecimento da crítica e do público, venceu os prémios Shell e APCA de melhor autor em 2002. Em 2009 a peça foi adaptada ao cinema pela mão de Daniel Filho.
Por opção expressa de Bosco Brasil, os direitos de autor relativos à apresentação da peça revertem integralmente para ONG´´s (organizações não-governamentais) que operem no domínio do apoio a refugiados.

Resta dizer que assistimos a uma peça magnificamente representada, um texto de grande intensidade humana, que nos confronta uns aos outros enquanto seres humanos, de como podemos ser tão cruéis e insensíveis quanto tolerantes e fraternos, dependendo das épocas, dos locais e das circunstâncias. Mas todos nós não nascemos livres?, é a pergunta de Clausewitz que nos atormenta.
Mas esta peça é também uma metáfora sobre as razões de ser do teatro, seja em tempo de guerra ou de paz, de como é absolutamente essencial, desde logo para nos fazer pensar e interrogar sobre o que somos, o que nos define. “Há a famosa frase, será possível a poesia ou será possível a arte depois de Auschwitz?. Este texto tem essa capacidade, de nos dizer que não só é possível, como é preciso”, comenta o ator Igor Lebreaud.

As “Noites Quentes” continuam a proporcionar serões muito agradáveis, interessantes e gratificantes, que valem bem o desafio de sair de casa nestas noite mais frias.


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