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José Lopes de Oliveira

Professor Doutor
(1881- 1971)

Filho de João Lopes de Oliveira e Maria Adelaide de Jesus, nasceu em Vale de Açores, freguesia e concelho de Mortágua, em 25 de Dezembro de 1881 e faleceu em 1971.

Frequentou a Universidade de Coimbra onde se licenciou em Direito. Foi professor de História e Geografia no Liceu de Viseu.
Ainda jovem estudante, colaborou em jornais, revistas e panfletos e mais tarde como professor em Viseu publicou alguns artigos em jornais como “A Beira”, “Sol Nascente “ e “ Correio de Mortágua “, estes dois últimos publicados em Mortágua. Assim se tornou um prosador forte, sugestivo e original, com qualidades superiores de escritor.

Em 1910 foi professor de História Universal no liceu Passos Manuel, situado em Lisboa, onde terminou a sua vida académica como reitor em 1920. Os seus alunos tratavam-no por “ Pai Lopes “.

Numa crónica inserida numa revista antiga (não foi possível determinar a sua data exacta, mas publicada nos anos 60) e assinada por Artur Varatojo, este relata um episódio interessante passado numa aula de História no Liceu Passos Manuel, na altura em que o Dr.José Lopes de Oliveira ali leccionava, que nos ajuda a conhecer alguns traços da sua personalidade. Por esse facto, achámos interessante fazer a sua Integral transcrição (ver no fim).
Na referida crónica Artur Varatojo dá uma explicação para a atribuição daquele epíteto, dizendo “Quando um professor de liceu ganhava jus ao epíteto de “pai” era porque a sua atitude, compreensão ou simpática anuência aos irrequietismos da juventude tinha algo de bom, de justo e de paternal autoridade”.

Após a proclamação da República foi nomeado director da Escola Normal de Lisboa.
Em 1913 foi presidente da Comissão Revisora de Livros didácticos das escolas primárias. Em 1920 passou a ser reitor do Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde exerceu um parte considerável da docência.

Politicamente, fez defesa dos ideais republicanos, tendo sido militante do Partido Republicano Português até 1920.
Em 1921 foi Chefe de Gabinete da Presidência do Ministério.
Foi convidado para Ministro do Governo Provisório, convite que recusou.
Em 1923 ingressou no partido republicano radical, fazendo parte do seu directório e seu presidente a partir de 1925.

Proferiu várias conferências em Mortágua e no país, defendendo os valores da República, Democracia e Cultura.

Em finais de 1945 surgiu num dos jornais do regime “Diário da Manhã” um artigo contra a sua pessoa. Embora sujeitos a possíveis penalizações, o Reitor e professores do Liceu Passos Manuel, decidiram manifestar-lhe solidariedade. Como político contra o regime, esteve diversas vezes preso, tendo sido até desterrado para o Tarrafal ( Cabo Verde ).

Dedicou-se à literatura, tendo escrito e publicado várias obras, entre as quais destacam se:

1902 Intellectuais : I Bernardino Machado.

1902 - Intellectuais : I I Camilo Castelo Branco.

1903 - Intellectuais : III Fialho de Almeida.

1905 A justiça e o homem.

1908 Oliveira Martins: o seu programa e o engrandecimento do poder real.

1929 Por terras de Portugal.

1934 História do regime republicano a propaganda republicana.

1938 Memórias Guerra Junqueiro .

1940 Rema Sempre!
Novas cartas inéditas de Eça de Queirós, Camilo, e Guerra Junqueiro.
Quadro da História Universal. Evolução da Humanidade.

1944 Eça de Queirós História das suas obras contadas por ele próprio.

1945 - ....E mesmo contra a maré.
As grandes figuras da Humanidade História Geral da Civilização.

Com a colaboração de Rocha Martins escreveu ainda “ A Liberdade Portuguesa”: 1820, ( S.D.). Prefaciou, seleccionou, anotou ou participou em obras de outros escritores do seu tempo, como Poeta Cavador, de Manuel Alves ou “Páginas desconhecidas” de Oliveira Martins. Publicou ainda os panfletos “Má Língua” (1898) e de “De Cara Erguida” (duas séries 1901 e 1903).
No contexto das suas obras literárias constam algumas profundamente históricas, baseadas em factos reais que o caracterizam como escritor sentimental, enraizado nas preocupações e evolução da humanidade.

Em Mortágua, a Escola Básica 2.3 tem José Lopes de Oliveira como patrono, tendo ainda sido dado o seu nome a uma rua da Vila.

“O Pai Lopes era assim...
Metido dentro do seu sobretudo surrado, deixava espreitar dele apenas uma cabeça de cabelos grisalhos, hirsutos, com dois bigodes façanhudos, agressivos, sob os quais, uma beata de onça passeava, parasitária.
O Pai Lopes foi um professor de História Universal no Passos Manuel. A tristeza do seu olhar não ganhava entusiasmo na descrição da conquista dos exércitos e parecia pedir-nos desculpa de ter de nos falar de tragédias.
Exemplificava o veto dos romanos embuçando-se na gola do sobretudo como fora se fora a túnica dos oradores e todo ele era uma figura lendária recortada duma Roma Antiga.
Vivíamos nessa época de 1937/38, o pavor da ameaça de novas páginas sangrentas da história, e o pai Lopes avisava:
- Quando vocês ouvirem dizer que os ministros plenipotenciários das potências maiores conseguiram finalmente chegar a um acordo de paz, digam às vossas mães que “ atafulhem” as despensas de arroz, de massa e de conservas ... Vai rebentar a guerra.
Como recordei as suas palavras ao ver Sir Chamberlain com o chapéu emblemático da sua ingenuidade britânica e um sorriso beatífico de triunfo, regressar do pacto de Munique.
A seguir a Alemanha ocupava a Checoslováquia.
Bem nos avisara o Pai Lopes...
Na rudeza das suas atitudes escondia-se um espírito fino e agudo que se nos escapava. As suas mãos cabeludas brandiam com violência o ponteiro ou caíam ruidosas, de punhos fechados, sobre a secretária, a implorarem silêncio a uma turma barulhenta.
“Mimoseava-nos” frequentemente com o tratamento que a indisciplina sonora de um ou outro pareciam provocar.
- Ó suas “bestas” lá do fundo. Não podem estar calados ?
Um dia...

A turma parecia ter sossegado, deixando-o escrever tranquilamente o sumário no livro de ponto.
A aula estava no fim. Antegozava-se a antecipação do retinir estridente que poria termo a mais uma aula.
Lá atrás o “ China”, indisciplinado e indiferente ao silêncio geral levemente sussurrante, começou a arrumar a pasta, perturbando a tranquilidade aparente.

O abrir da carteira, o mexer os pés, o falatório para o lado eram nitidamente provocantes.
O Pai Lopes levantou a cabeça, eriçou os bigodes, arregaçou as mangas e bateu com os punhos, ruidosamente. Estendeu o braço, alongou o indicador cabeludo e vociferou uma vez mais, apontando o prevaricador.
- Ó sua “ besta lá do fundo”!
Imperturbável, seguro e irreverente, o “ China “ levantou-se, perfeitamente identificado e inquiriu por sua vez:
- A contar daí, ou a contar daqui, “shô tôr”?
Gargalhada geral, para em seguida, aguardarmos a explosão do mestre. Abanando a enorme cabeça desgrenhada, o Pai Lopes cofiou a bigodaça, e num esboço de sorriso, aceitou a resposta:
- Boa...boa...Marque lá dois tentos!
Dera nos mais uma lição! “

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