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maio de 2017


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História

Caracterização Histórica de Mortágua

É possível considerar que há cerca de um milhão e meio de anos as 1ªs comunidades humanas se tenham instalado, um pouco por todo o território nacional, incluindo as áreas que hoje o Concelho de Mortágua ocupa.

Em concelhos que fazem fronteira com o nosso, foram encontradas estações arqueológicas do paleolítico superior (freguesia da Moita, concelho de Anadia), também do paleolítico situada no lugar do Carreço (concelho de Mealhada) e no Concelho de Mortágua, no lugar de Lapa dos Mouros, perto da aldeia de Mortazel, haverá vestígios de arte rupestre.

Imensos achados materiais, toponímicos e outras manifestações, de várias épocas da evolução do homem, podem encontrar-se nesta área, os quais foram deixados pelos diferentes povos que por aqui viveram.

Na época longínqua de 218 A.C. os romanos chegaram à Península Ibérica e muitas foram as lutas travadas entre estes e os Lusitanos. Romanizando a região ficaram os vestígios dos invasores em algumas povoações do Concelho. Julga-se que por aqui passou uma das vias romanas de extrema relevância, que fazia a ligação entre o litoral e o interior.

Andando no tempo assiste-se às lutas entre Cristãos e Mouros e em 985 é doado ao Mosteiro de Lorvão pelo Conde Ovecco Garseani e sua mulher o que lhes pertencia numa “Villa quos coiitant Castreloo”, cuja propriedade tomou o nome de Mortalago. Membros dessa mesma família terão, também, doado as suas partes do Castrello ao mesmo convento. Vários documentos citam doações sucessivas abrangendo áreas das actuais freguesias.

Pressupõe-se que a reconquista definitiva de Mortágua aos Mouros, foi feita por Fernando Magno e tenha sido entre 1058 (Viseu) e 1064 (Coimbra). Século e meio mais tarde fundou-se o reino de Portugal. Os seus governantes encetaram uma nova organização do território e é então que surge a formação dos concelhos, através das cartas de foral.

O 1º Foral de Mortágua é concedido em 1192, pela Rainha D. Dulce, esposa de D. Sancho I. Pode considerar-se uma autêntica carta de fundação do nosso Concelho e onde se encontram referências expressas à magistratura e ao funcionalismo local.

O nosso Município foi organizado segundo o modelo de município de Salamanca, modelo seguido nas Beiras, o Juiz da nossa Vila foi sempre, desde a criação do Concelho, um Juiz de nomeação régia, nunca um Juiz eleito pelos vizinhos.

Desde a Idade Média até 1833 que a área concelhia estava na posse de quatro entidades administrativamente independentes: As terras do rei, os reguengos; as entidades eclesiásticas, coutos; as entidades nobres, honras e a terra livre, o concelho.

As pessoas pertenciam às ordens sociais designadas de Clero, Nobreza e Povo.

Quem trabalhava a terra não era o seu dono, mas os moradores que eram somente arrendatários vitalícios que podiam ser expulsos das suas casas e terras caso não cumprissem os contratos. Os donatários do nosso Concelho foram pois elementos ausentes a quem o povo entregou, durante séculos, as rendas devidas pelo amanho das terras.

Esta situação foi alterada a partir de 1832, data dos decretos de Mouzinho da Silveira, que pôs termo ao regime de vínculos e também pela extinção das ordens religiosas regulares em 1834, por decreto de Joaquim António de Aguiar, conhecido por “mata frades”, o património das mesmos para património nacional.

Medidas tomadas pelo poder central que modificaram profundamente a sociedade portuguesa da época.

Consequentemente e a partir da 1ª metade do século XIX, o povo de Mortágua passa a dispor de património individual que transmitirá aos seus filhos através de herança.

O Decreto de 31 de Dezembro de 1836, aprova o primeiro código administrativo , são criados os distritos, os concelhos e as freguesias. Mortágua aparece incluída na comarca de Coimbra, contando com 1559 fogos.

Mortágua e as Invasões Francesas

A guerra peninsular também passou com as sua fúria bélica por Mortágua, mas foi a 3ª Invasão que mais marcou estas terras de gente humilde.

Aqui acamparam e pernoitaram os soldados de Napoleão, que pretendiam avançar para o litoral. Os seus intentos foram gorados.

No Buçaco encontram-se a 27 de Setembro de 1810, as tropas francesas, comandadas pelo general Massena, as anglo-lusas, lideradas pelo General Wellington. Culminando com a derrota das tropas napoleónicas, na célebre batalha do Buçaco.

Mortágua em posição de charneira de várias vias de comunicação, que dava origem a três direcções divergentes: Coimbra e sul do país, Bairrada e Figueira da Foz; para Aveiro e Porto. Era em Mortágua que estas vias davam o nó, onde convergiam e tomavam outros rumos, gentes e mercadorias.

A política de desenvolvimento de transportes e comunicações na 2ª metade do século XIX, marcou imenso o Concelho de Mortágua, prova cabal deste desenvolvimento temos em 1853/54 a construção da estrada mecadamizada, entre Viseu e Mealhada, e posteriormente a construção da via férrea ou linha da Beira Alta, que inevitavelmente passava por Mortágua, ligando o litoral português à Europa.

A partir de 1854, por iniciativa da Câmara Municipal, as colinas, cabeços nus, gândaras estéreis, valeiros sem dono e demais terrenos impróprios para agricultura ou abandonados, desde o Mondego às Catraias Caramuleiras e desde o Criz ao Buçaco, foram cobertos por sementeiras de pinhal, calculando-se que cerca de 2/3 da superfície do Concelho tenha sido, naquela época, arborizada.

Povoadores, conquistadores, invasores, gentes que vão e vêm, que marcam e que deram origem à região serrana, ao povo beirão....

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