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Albano Moraes Lobo


Republicano e antigo administrador do Concelho

Natural de Mortágua, onde nasceu a 18 de Abril de 1872. Filho de Manuel Ferreira Lobo e Maria Emília de Jesus Moraes. Fundou em 1893 aquele que é o mais antigo estabelecimento comercial de Mortágua (ainda a funcionar) e até dos mais antigos Beira Alta. A firma, com a designação de “Albano de Morais Lobo, Sucessores, Lda”, foi na época e durante dezenas de anos, das mais conceituadas no ramo, sendo hoje conhecida por Casa Lobo, embora mantenha a denominação comercial de origem. A criação da primeira casa comercial da família remonta no entanto a 1860. Era um estabelecimento onde havia quase de tudo, na área do comércio a retalho. Tinha secções de padaria, depósito de farinhas, produtos alimentares, adubos, materiais de construção, ferragens, miudezas, drogaria, tabacos, vinhos, etc. Era também ali que as pessoas adquiriam as lanternas de acetileno, porque na época não havia electricidade nas casas. Prestava ainda serviços, como agência funerária (ainda hoje tem o seu nome), seguros e transacções bancárias. A Casa Lobo passou de geração em geração, mas ainda hoje, decorridos 112 anos, continua com o mesmo nome, a mesma família, no mesmo local. O edifício mantém inalterável a sua fachada e traça arquitectónica, apenas sofreu algumas obras de conservação exterior há poucos anos, que não beliscaram em nada a estética do edifício. É uma das “jóias” do antigo casario, característico da baixa da Vila.
O mesmo se diga do interior do estabelecimento, continuando o velho balcão corrido, os armários e gavetas primitivos, o mobiliário de escritório onde se fazia (e ainda se faz) a escrita comercial. Nada mudou. É um verdadeiro museu da história comercial da nossa Vila e do nosso país, mas um museu vivo!
Hoje como ontem, continua a oferecer uma panóplia de produtos para venda ao público. Caso singular e muitíssimo raro no ramo, conseguindo resistir à forte concorrência que se verifica nos dias de hoje, nomeadamente das médias superfícies comerciais. Houve produtos e serviços que deixaram de se vender e fornecer, fruto do progresso técnico e económico verificados, entretanto substituídos por outros. Hoje vendem-se também jornais, revistas e toda uma gama de novos produtos de consumo. O carácter personalizado, quase familiar, do atendimento, em que cada cliente é antes de mais um conhecido e um amigo, continua a ser uma imagem de marca e explicará decerto esta longevidade, cremos.

Albano Moraes Lobo, além de comerciante, era também uma pessoa ligada à vida associativa e progressista do seu concelho, tendo participado activamente na fundação, em 1896/1897, do Teatro Club, como também, da Escola Livre de Mortágua e da Filarmónica. Curiosamente, após a sua morte, foi um dos seus filhos, Augusto de Morais Lobo, o grande impulsionador do cinema em Mortágua, precisamente no Teatro Club, tendo-se estreado o primeiro filme em 1 de Janeiro de 1933. Tal só foi possível porque um ano antes, no dia 25 de Setembro, se tinha inaugurado a iluminação pública na Vila de Mortágua, utilizando uma cabine transformadora situada ao Pau da Pedra. A Escola Livre de Mortágua, à semelhança da Escola Livre da Irmânia, tinha como principal missão elevar a literacia dos mortaguenses e a divulgação e fomento da cultura e do saber. Possuía secções de Estudos Gerais, com lições de Geografia, História, Literatura Portuguesa e Astronomia. A responsabilidade dessas lições cabia ao Dr.Lopes de Oliveira e a Tomaz da Fonseca. Possuía, além da secção de Estudos Gerais, secções de Música, Teatro, Artes Aplicadas, Filantropia, Educação Física, Biblioteca Popular (em sua memória passou a ter o nome de Biblioteca Popular Albano Lobo). Chegou a ministrar cursos liceais e práticas de Francês, Contabilidade e Escrituração Comercial. Patrocinava ainda palestras, exibia peças de teatro, levava a cabo iniciativas de solidariedade social. Teve várias sedes, funcionou na casa que é hoje dos herdeiros de Alberto do Porto, junto ao cinema; por cima da barbearia Costa, e por fim, no rés-do-chão daquilo que era o estabelecimento comercial de Celso Mortágua Batista, defronte do qual se encontra o Pelourinho.

Foi membro de uma loja maçónica e um republicano entusiasta e dedicado, tendo sido membro do Partido Republicano Português. Era companheiro de luta de outros grandes republicanos e democratas do concelho, como Tomaz da Fonseca, Lopes de Oliveira e Augusto Simões. Militou alguns anos no partido progressista (depois extinto), tendo por várias vezes exercido a função de vereador da Câmara. Filiou-se depois no partido republicano, vindo a exercer o cargo de secretário da comissão municipal republicana. A República confiou-lhe em 1913 o cargo de administrador do concelho, reconhecendo assim os seus relevantes serviços à causa republicana. Foi no desempenho dessa função que viria a falecer em 1913, quando se dirigia de bicicleta para Sula para ver uma fonte que supostamente teria propriedades terapêuticas. No jornal “Sul da Beira”, de 30 de Janeiro de 1913, a notícia do seu falecimento era assim relatada: “Nas faldas da Serra do Bussaco, próximo à povoação Sula, existe uma fonte d´onde brota a mais fina água e que, segundo nos informam, possue propriedade terapêuticas muito superiores ás aguas do Luso.
Como há alguém que se propõe a explorá-las, oferecendo à Câmara d`este concelho uma renda anual de algumas centenas de escudos, aquele resolveu ir ali em vistoria, cujo dia marcado foi o de domingo, 26 do corrente. Fatal dia esse, que ficará gravado na memória do povo de Mortágua!

Pelas 9 horas, pouco mais ou menos, de esse dia, saíram, d`esta vila, em bicicleta, Albano Lobo, como administrador do concelho e José Ferreira Afonso, vice presidente da Câmara, em direcção áquele local, onde os esperavam os srs. Augusto Simões Nunes de Souza, presidente da Câmara e António de Souza e Silva, vereador.
Ao chegarem à altura do Barracão da Castanheira, a 8 km de esta vila, Albano Lobo, que já antes d`isso se tivera queixado, sentindo-se n`esse momento, fortemente incomodado, tentou descer da bicicleta, mas uma síncope prostrou-o imediatamente para não mais se levantar”. Relata o Jornal que de imediato se procurou auxílio, tendo José Ferreira Afonso se dirigido a Mortágua a chamar um médico. O óbito foi confirmado no local pelos Drs. Aureliano Maia e Augusto Gouveia. A notícia da sua espalhou-se depressa e causou uma consternação geral na população do concelho, que o tinha em grande estima e consideração. No seu funeral incorporaram-se mais de duas mil pessoas!. O comércio esteve encerrado o dia todo, bem como as repartições públicas, e a bandeira nacional do edifício da Câmara, a meia haste. Em sua homenagem, uma das ruas da Vila de Mortágua tem o seu nome.

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