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Artesanato

Costumes e tradições que se transmitem séculos após séculos numa paisagem cheia de encantos e bucolismo. São autênticas preciosidades acumuladas graças ao saber transmitido pelos homens que ninguém quer esquecer ou ignorar.
Região habitada desde a mais remota antiguidade, Mortágua alberga no seu seio um saber infindável, no qual o artesanato tem a principal expressão. A olaria é a actividade por excelência de um grupo de artesãos que teima em manter viva a tradição do barro vermelho: Cerâmica vistosa que se admira e conhece um pouco por todo o país.

A magia do barro vermelho da Gândara peças que o banho de fogo “sangrou”...

A olaria da Gândara tem-se desenvolvido, através dos tempos graças à vontade de pequenos núcleos familiares. Desde há muito tempo que gente de perto ou oriunda dos locais mais diversos procura esta loiça que esteve em vias de extinção, uma vez que os oleiros preocupados com as dificuldades que esta vida origina procuravam outros meios de subsistência. Mas os tempos mudaram e a oficina renasceu e cresceu com o trabalho e a persistência necessários para a obtenção de maravilhosas peças que a olaria da Gândara possui.

O barro cerâmico, matéria prima deste tipo de artesanato, é um depósito finamente pulvurento, vermelho ou branco raiado a vermelho, que se encontra sobre arenito, em vários locais do Concelho de Mortágua.Deve-se ter formado por sedimentação em água estagnada durante um período de acalmia climática.

As condições hidrográficas e metereológicas da época terciária eram favoráveis à disposição de grandes massas argilosas. Um pântano de muitos quilómetros quadrados ocupava o centro deste Concelho. A estagnação das águas nesta planura lacunosa de pequeno declive favorecia a disposição de lodo pulvurento. Também a humidade desta era era propícia à sedimentação que gerou a argila. Este clima manteve-se uniforme durante bastante tempo, o que assegurou a longa continuidade de sedimentação conduzente à abundância e maciez de jazigos de barro cerâmico, ou seja, de argila finamente siliciosa.

Um longo caminho... Para o artesão tudo começa quando com golpes de alvião ou de enxada, o barro é extraído. Transportado para o amassador, é triturado e amassado pelos seus calcanhares descalços ou por um simples engenho constituído por uma caixa de cimento onde se encontra um eixo vertical amparado por uma barra metálica, suspensa dos bordos da caixa, penetra nesta munida de facas metálicas que comprimem o barro metido por uma pequena abertura superior com a ajuda de um maço de pau. Este engenho era movido por um burrico que, no seu passo lento, executava a tarefa, hoje é feito por um motor. O oleiro com a matéria preparada pulsa ritmicamente o seu torno, para execução da obra. Uma vez moldada a peça esta é posta sobre uma tábua para secar. Operação que no Verão dura cerca de dois dias e no Inverno poderá atingir os quinze dias. Segue-se a cozedura, cuja altura própria é conhecida pelo oleiro através da cor e do tacto. Antes de ir ao forno, é tempo de arte, de embelezar a peça através da gravação de desenhos, pinturas e envidraçá-la . Para a decoração o oleiro utiliza o relevo que data da década de cinquenta e diferentes colorações: a coloração branca, a verde e a castanha.

Posteriormente ocorre a vidragem, operação cerâmica que consiste na aplicação de um liquido róseo que vitrifica sob a acção da cozedura, tornando as peças impermeáveis. O artesão pega as peças debruça-as sobre a tinta com as mãos, atira liquido sobre as superfícies que deseja vidrar. Após este trabalho as peças são novamente colocadas em tábuas para nova secagem. Chega assim a hora de as levar para o forno com o objectivo de fixar a cobertura rósea do vidro.

O forno constituído por duas partes: uma fornalha junto à terra onde arde a lenha e na parte superior é formado por uma nave circular fechada por uma cúpula redonda penetrando o calor pelos buracos abertos no tijolo de lastro. A porta é fechada com tijolos e barro deixando-se assim um pequeno orifício por onde sai o fumo, permitindo assim ao oleiro guiar os seus gestos e a entrada de ar para a conservação da cor do barro. Ao acender a primeira lenha, um fumo negro sobe pela fornalha durante cerca de quatro horas. Pelo óculo superior do forno vê-se a louça cor de sangue, pois a temperatura atingiu nesta altura cerca de 1000 ºC. Na fornalha o lume morre rapidamente. A louça começa a arrefecer . Passado algum tempo o barro endurecido da porta está gretado chegando a hora em que o oleiro transporta as peças que o fogo “sangrou”. O reanimar desta antiga tradição parece reservar um futuro animador para os barros vermelhos da Gândara.

Esta é a terra do barro, uma povoação da freguesia do Vale de Remígio e do Concelho de Mortágua. Da louça utilitária ou doméstica surge por gosto do barro e imaginação criadora a louça artística ou decorativa que hoje urge preservar. Trabalho, persistência e prazer foram as qualidades que contribuíram para que ainda hoje seja possível admirar as peças que saem das sábias mãos dos oleiros.

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