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Conferência e Exposição retratam as dimensões republicana e maçónica de Tomaz da Fonseca

2017-10-10
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

A figura de Tomaz da Fonseca está a ser homenageada em Mortágua com várias iniciativas, promovidas pelo Município, no ano em que se assinalam 140 anos do seu nascimento. No passado dia 7 realizou-se mais uma dessas iniciativas, uma conferência subordinada ao tema “Tomaz da Fonseca, republicano e maçon”, que teve como orador convidado o Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem, professor catedrático da Faculdade de Letras (Grupo de História), sendo autor de várias obras sobre o republicanismo em Portugal.

Na mesa estava exposta uma bandeira nacional que terá sido hasteada na Casa Lobo no dia 7 de outubro de 1910, já muito desgastada com os anos, mas que é um testemunho de como Mortágua acolheu e celebrou a chegada da República. Não esqueçamos que Mortágua foi apelidada à época de “Vila mais republicana das Beiras”.

O conferencista esclareceu que o seu objetivo não era proferir um discurso laudatório sobre a figura em apreço, mas fornecer a sua interpretação, por isso mesmo subjetiva e pessoal, sobre o pensamento, as ideias, os valores, deste homem singular que se destacou como escritor, politico, cidadão ativo e pedagogo.

E começou por relevar dois momentos que, na sua opinião, ajudaram a moldar a personalidade de Tomás da Fonseca. Um período que vai até aos 16 anos de idade, marcado por uma ligação forte à ruralidade, à sua aldeia e região, ao contacto próximo com as dificuldades e agruras das gentes humildes. Um segundo período que se estende até aos 26 anos, coincidindo com a frequência do Seminário Maior de Coimbra.

Esta última experiência haveria de ser marcante na transformação do seu pensamento, na construção da sua conceção da vida e do mundo, porquanto ao contrário do que seria de esperar, produziu o seu afastamento dos postulados religiosos (cristãos ou evangélicos) e conduziu mesmo ao ateísmo. Amadeu Carvalho Homem afirmou que o ateísmo em Tomás da Fonseca exprimiu-se de uma forma humanista. “Ele recusou Deus porque amava os homens. Amava profundamente a ideia de Humanidade”, explicou.

Lembrou que Tomaz da Fonseca atravessou três regimes (a Monarquia Constitucional, a República e o Estado Novo), e posicionou-se politicamente na ala esquerda Afonsista. Foi deputado da Nação entre 1911 e 1917 pelo Partido Democrático, e posteriormente, com a desintegração deste último, filiou-se no Partido Republicano Radical. A defesa que fazia da Educação e Instrução (foi um dos impulsionadores das Escolas Móveis e das Bibliotecas Populares), da liberdade, da justiça social, do laicismo, refletia o seu ideário republicano, o seu sonho de uma sociedade liberta dos grilhões da exploração, da veneração submissa, da superstição, do medo. A sua preocupação com os pobres e desfavorecidos era genuína e sentida. Foi um “libertário” até ao final da sua vida, brandindo a palavra e a pena como armas, com enorme coragem, diga-se.

O conferencista abordou também a ligação de Tomaz da Fonseca à maçonaria. Amadeu Carvalho Homem referiu que Tomaz da Fonseca foi, fundamentalmente, um vulto maçónico conimbricense, tendo-se iniciado em 1906 na Loja Perseverança de Coimbra onde recebeu o nome simbólico de Michelet. “É algo interessante e significativo, porque Michelet (francês) foi o historiador do povo, esteve sempre ao lado dos mais fracos e dos mais humildes”. Em 1923 aderiu à Loja de Portugal, também sediada em Coimbra, e em 1931 acabou por fundar a Loja Construir onde exerceu as funções de “Venerável”, cabendo-lhe a direção dos trabalhos.

Exposição no Centro de Animação Cultural

No final desta conferência foi inaugurada uma exposição complementar relacionada com a mesma temática. A exposição está dividida em dois grandes painéis: “O lado oculto: Maçonaria” e “Os ideais da República. O primeiro dá a conhecer o que é a Maçonaria, podendo ser apreciados documentos, bibliografia e símbolos maçónicos. No outro painel podemos encontrar excertos de livros, correspondência, artigos publicados na Imprensa da época, que testemunham a defesa intransigente de Tomaz da Fonseca pelos ideais republicanos, desde logo a Liberdade e a Democracia. Podem-se ver também cópias de autos levantados pela PIDE e de uma carta dirigida ao Ministro da Justiça, redigida em 29 de março de 1947, sendo Tomaz da Fonseca um dos signatários, na qual se reclama um inquérito imparcial às condições em que se encontram os prisioneiros (muitos deles políticos) no Campo do Tarrafal (Cabo Verde).

Destaca-se ainda uma reprodução da famosa litografia encomiástica, “Pela República “da autoria do pintor Roque Gameiro, onde aparece Tomaz da Fonseca ao lado de mais 160 destacados propagadores da República, além de uma cronologia das etapas mais marcantes da sua vida no campo literário, politico e social.

Esta exposição está patente no Centro de Animação Cultural até ao dia 15 de novembro.

Tomaz da Fonseca foi um homem de extrema coerência, sempre defendeu os ideais porque se bateu. Acreditou na utopia de que os homens, guiados por uma boa instrução e educação, não precisam de amos, nem de igrejas e dos seus deuses para construir um mundo melhor. A sua luta era por um Homem Novo, de espírito livre e esclarecido, de mente aberta ao mundo, capaz de construir o seu próprio destino.

Este ano comemoram-se 140 anos sobre o nascimento de Tomaz da Fonseca (1877-1968), natural das Laceiras, freguesia de Pala. A Biblioteca Municipal tem promovido ao longo dos últimos anos várias iniciativas, nomeadamente exposições bibliográficas, conferências, passeios literários, exposições, com o objetivo de homenagear e relembrar esta proeminente figura mortaguense e vulto da cultura nacional. Destacamos aqui a reedição do livro “O Pinheiro”, editado pela primeira vez em 1949, com prefácio do Dr. João Paulo de Almeida e Sousa, e o lançamento do livro “Tomaz da Fonseca - Missionário do Povo: Uma Biografia”, da autoria do Professor Doutor Luís Torgal, que constitui um estudo muito completo e rigoroso sobre a vida e obra de Tomaz da Fonseca.

Entre as iniciativas realizadas no presente ano, além desta conferência e exposição temática, destacam-se “140 minutos a ler Tomaz da Fonseca” e a segunda edição do Passeio Literário “No Trilho de Tomaz da Fonseca”.


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