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Passeio Literário “No Trilho de Tomaz da Fonseca”

2017-06-07
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

 

No âmbito das comemorações dos 140 anos do nascimento de Tomaz da Fonseca, o Município de Mortágua promoveu no passado dia 4 o Passeio Literário “No Trilho de Tomaz da Fonseca”. O programa foi delineado pela Biblioteca Municipal, que tem vindo a coordenar as atividades alusivas à comemoração daquela efeméride.

À iniciativa, na sua segunda edição, aderiram 124 participantes, do concelho e doutros pontos do país, nomeadamente Lisboa, Porto, Coimbra, Mealhada, Aveiro, Anadia, Oliveira do Bairro. Entre os participantes encontravam-se o Presidente da Câmara Municipal, Vereadores do Executivo Municipal, bem como alguns familiares do escritor, como bisnetos e sobrinhos-netos.

O Passeio teve concentração na Biblioteca Municipal e partida no Carvalhal, onde foi servido o pequeno-almoço (pão com mel, Bolo de Cornos, café, chá, sumos), oferecido pela Associação, e que preparou os participantes para a etapa da manhã, a mais exigente em termos físicos.

Pela frente estava um percurso, com cerca de 10km, dividido em duas etapas, com passagem nas aldeias de Carvalhal, Painçal, Vale de Carneiro, Laceiras, Paredes, e regresso novamente ao Carvalhal. Na aldeia das Laceiras, onde nasceu o escritor, os participantes puderam conhecer os locais onde se situavam a sua casa, o palheiro, hoje transformados.

Ao longo do percurso os participantes iam sendo surpreendidos com a leitura de excertos de livros do escritor, nomeadamente “O Pinheiro” e “Agiológico Rústico”. As leituras estiveram a cargo de Rita Nobre e Daniel Morais.

O Dr. Machado Lopes, um amigo da Biblioteca Municipal, encarnou a figura de Tomaz da Fonseca, em cuja fisionomia sobressaíam as compridas barbas brancas, os óculos fundos e o chapéu de aba larga, e fez um autorretrato da personalidade do escritor.

José Porto falou da dimensão cívica e anticlerical de Tomaz da Fonseca, e Benilde Ferreira Tomaz Fonseca (familiar do escritor) leu o poema “Os rebeldes”, extraído do livro “Os Deserdados” (editado em 1909).

O Dr. João Paulo Almeida e Sousa, por sua vez, referenciou, ao longo do passeio, alguns locais associados à passagem das tropas napoleónicas, incluindo uma casa no Carvalhal onde supostamente pernoitaram tropas francesas, e um antigo lugar denominado Cadima (povoação já desaparecida), perto de Vale de Carneiro, onde os franceses terão desmontado uma peça de artilharia dada a dificuldade do caminho. O Dr. João Paulo é autor do livro “Andaram por aqui os franceses…”, uma edição patrocinada pela Câmara Municipal, sendo um trabalho de recolha de informação e investigação histórica sobre a presença das tropas francesas em terras de Mortágua na 3ª Invasão, ocorrida em 1810.

Mas havia mais surpresas, como os burros que apareceram a dada altura no caminho. Os animais pertenciam à associação AEPGA, Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, sediada em Miranda do Douro. Sob a orientação de três monitores daquela Associação, os participantes foram convidados a experimentar este meio de tração e transporte, que antigamente era muito utilizado. O burro auxiliava nas tarefas agrícolas, no transporte de bens, nomeadamente das taleigas de farinha, colheitas, ervas para os animais, e fazia mover as noras ou engenhos. Tendo como intuito representar o ambiente rural da época em que viveu o escritor, esta experiência singular contribuiu ainda para sensibilizar as pessoas para a preservação de uma espécie em vias de extinção e que no passado teve uma grande importância na vida económica das populações rurais.  

A etapa da manhã terminou com o almoço servido nas instalações da Associação Cascatas e Riachos, nas Paredes. À espera dos participantes estava uma ementa tradicional constituída por sopa à lavrador, salada de feijão-frade, salada de grão-de-bico, sardinha e chicharro frito, e batata cozida com torresmos. Para sobremesa havia arroz doce, letria, filhoses, Bolo de Bornos, tigelada, além de fruta da época, onde não podiam faltar as cerejas.

A etapa da tarde percorreu o trilho pedestre que liga a aldeia das Paredes às Laceiras, ladeando sempre a Ribeira dos Moinhos. Os participantes, sobretudo os que não conheciam este trilho, puderam apreciar e sentir toda a sua beleza natural, com a sua vegetação autóctone, o murmurar das águas, as pequenas cascatas e lagoas, oferecendo uma paisagem tão bela quanto relaxante. Nalguns locais são visíveis os vestígios de vários moinhos de rodizio que outrora laboravam intensamente, movidos pela força motriz das águas.

Esta segunda etapa foi animada com música de gaita-de-foles, trazida pelo Prof. Licínio Maurício, vivendo-se já na parte final do percurso um ambiente de verdadeiro bailarico. No seu romance “Filha de Labão”, Tomaz da Fonseca faz alusão à personagem de Maria, a pequena “cotovia”, tendo como cenário esta ribeira, os seus moinhos e os fantasmas que se contavam sobre estes sítios tão bucólicos quanto recônditos.

Em nome da Biblioteca Municipal, Teresa Branquinho agradeceu a colaboração das Associações do Carvalhal e das Paredes, e de todos os que participaram com leituras e testemunhos. No final foi entregue um saquinho com um pinheiro a cada participante, recordando as palavras que Tomaz da Fonseca transmitiu, em 1913, aos homens da serra, incentivando a semear o penisco e esclarecendo sobre os benefícios económicos e ambientais da floresta. Mais tarde, em 1948, Tomaz da Fonseca compilou essas conversas com os agricultores no seu livro “O Pinheiro”, recentemente reeditado pela Câmara Municipal.

Essa ação pedagógica de Tomaz da Fonseca teve influência no florescimento florestal do concelho, o que fez com que Mortágua viesse a tornar-se no dealbar do séc. XX num dos concelhos mais industriais da região, com inúmeras serrações que empregavam centenas de trabalhadores. Daqui saíam troncos para os postes de eletricidade, de telefone, travessas para os carris do caminho-de-ferro, que alimentavam a nova era de progresso económico e técnico.

O Município de Mortágua está a promover várias iniciativas com o objetivo de assinalar os 140 anos do nascimento de Tomaz da Fonseca. Uma das iniciativas já realizadas, denominada “140 minutos a ler Tomaz da Fonseca”, teve a participação de crianças e jovens do Agrupamento de Escolas e de vários convidados.

Segundo o Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte, estas iniciativas pretendem constituir uma justa e devida homenagem a “um homem que foi ímpar no seu tempo e é um exemplo para as gerações atuais”, pelo seu espírito livre e esclarecido, pelo seu carácter, pelo seu humanismo. Além disso, lembra, Tomaz da Fonseca foi “um grande escritor”, autor de dezenas de livros, “e um cidadão ativo e empenhado em causas”, que lutou contra a ditadura, a opressão e o obscurantismo. “Foi de facto um homem extraordinário, de que Mortágua se deve orgulhar de ter como um dos seus filhos”, conclui.

 


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