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Património Cultural abriu procedimento para a classificação do campo militar do Buçaco e imóveis relacionados com a batalha

2017-05-09
Fonte: Câmara Municipal de Mortágua

A Direção-Geral do Património Cultural, sob proposta da Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC), determinou a abertura do procedimento para a classificação do Campo Militar da Batalha do Buçaco, abrangendo áreas da freguesia do Luso, concelho de Mealhada, da freguesia de Trezói, concelho de Mortágua, e das freguesias de Carvalho e Sazes, concelho de Penacova.

O procedimento da classificação decorre ao abrigo da Lei n.º 107/2001, de 08 de setembro, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural. A classificação permitirá criar medidas especiais de salvaguarda dos dois principais locais de combate, Santo António do Cântaro, no concelho de Penacova, e Moura e Sula, nos limites das freguesias de Trezói (Mortágua) e Luso (concelho da Mealhada), bem como dos imóveis relacionados com a Batalha, nomeadamente: Moinho da Moura - Posto de Comando de Massena; Moinho de Sula – Posto de Comando de Crauford; Capela de Nossa Senhora da Vitória ou das Almas do Encarnadouro - Hospital de campanha; monumento comemorativo da Batalha - vulgo Obelisco; a Lápide, que assinala o Posto de Comando de Wellington; o Posto de Comando de Leith (Moinho).

Além do procedimento para eventual classificação do Campo Militar da Batalha do Bussaco, decorre um outro processo, autónomo deste, que visa a elevação a monumento nacional da Mata do Bussaco, que aguarda homologação em Conselho de Ministros.

A Batalha do Bussaco travou-se em 1810, naquela que foi a terceira Invasão Napoleónica a Portugal. De um lado, as tropas francesas, com 65 mil homens comandados pelo General Massena, do outro as tropas anglo-lusas, com 52 mil homens e milícias comandados pelo General Wellington.

As encostas da serra do Bussaco, do lado de Mortágua, serviram de palco a uma dura batalha, que provocou uma pesada derrota militar e moral nos franceses, calculando-se que terão sofrido cerca de 5 mil baixas, entre mortos, feridos e prisioneiros, contra pouco mais de mil das forças aliadas.

O concelho de Mortágua desempenhou um papel geoestratégico determinante na movimentação das tropas francesas, porque era um nó de comunicação para o litoral norte, centro e sul, daqui partindo três estradas nessas direções: a “Estrada Real”, em direção Coimbra e Lisboa; a “Estrada da Moira” em direção à Bairrada e Figueira da Foz; a “Estrada dos Almocreves” em direção a Águeda e Aveiro. Mas também na estratégia defensiva das forças anglo-lusas, que antecipadamente se posicionaram nas cumeeiras da serra, enquanto as tropas francesas estavam localizadas no sopé. Foi também nos lugares de Moura e Sula (concelho de Mortágua) que os comandantes-generais das duas forças beligerantes instalaram o seu posto de comando. À exceção das Linhas de Torres, Mortágua foi a localidade onde as tropas francesas mais tempo permaneceram. Derrotados, os franceses retiraram pela freguesia de Pala, em direção ao Boialvo (Águeda) e Coimbra.

O Município de Mortágua vai avançar para a criação de um Centro Interpretativo dirigido à divulgação, estudo e investigação deste acontecimento histórico, dando especial enfâse ao papel que Mortágua teve no contexto desta Terceira Invasão. “Temos obrigação de preservar na memória coletiva um acontecimento histórico que se travou em grande parte no concelho de Mortágua, que deixou marcas no território, e que está associado à nossa independência e soberania nacional. E não foi só os combates, a perda de vidas humanas, as populações locais sofreram bastante com esta invasão, porque tiveram de abandonar as suas casas e perderam os seus bens”, refere o Presidente da Câmara Municipal, Júlio Norte.

Os Municípios de Penacova, Mortágua e Mealhada, estão juntos em projetos que visam promover e valorizar, do ponto de vista turístico e cultural, este marco histórico, e dessa forma, reforçar a capacidade de atração de visitantes e a dinamização económica da região, conjugando as sinergias natureza, história e cultura. Júlio Norte destaca ainda a candidatura da Mata Nacional do Bussaco a Património Mundial da UNESCO como um passo da maior importância na estratégia de promoção internacional da marca Bussaco.


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